Questão agrária: movimentos sociais apontam ofensiva do governo Temer

deolho-debateTemer

De Olho nos Ruralistas promoveu debate sobre governo Temer e questão agrária (Foto: TV Drone)

Greenpeace diz que bancada ruralista esperava um “padrinho” para emplacar agenda de retrocessos; ONG aponta 20 projetos prontos para aprovação no Congresso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Trezentos projetos de lei que atingem diretamente o ambiente e os povos do campo aguardam na fila do Congresso, em uma agenda do retrocessos. Desses, 20 estão prontos para a aprovação. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (06/07) por Marcio Astrini, diretor de políticas públicas do Greenpeace, durante um debate em São Paulo sobre questão agrária e o governo de Michel Temer.

O evento foi organizado por um observatório do agronegócio chamado De Olho nos Ruralistas. Contou também com representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Eles foram unânimes em criticar as políticas agrárias e socioambientais dos governos anteriores, mas destacaram a ofensiva do governo interino. Continuar lendo

Sérgio Machado e Romero Jucá: diálogo entre um fazendeiro e um minerador

romero

Representante exemplar de uma elite arcaica (Foto: Geraldo Magela/ Ag. Câmara)

Pivôs da crise têm atividades tão pouco republicanas quanto suas conversas; ex-diretor tem fazenda questionada pelo MST; ex-ministro é um conflito de interesses ambulante

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro*)

No dia 18, quarta-feira, 2 mil famílias de sem-terra que ocupavam desde março a fazenda Santa Maria, no oeste do Paraná, foram expulsas pela polícia do governador Beto Richa, a mando do Judiciário. Um dos donos da fazenda, ao lado dos irmãos? Sérgio Machado, ele mesmo, o ex-presidente da Transpetro – agora famoso por causa das conversas pouco republicanas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). “Homens, mulheres, crianças e até um cadeirante foram expulsos com extrema violência para garantir uma propriedade adquirida com dinheiro oriundo da corrupção”, resume o jornalista Aluizio Palmar.

Do outro lado do Brasil, Jucá. Dono de TV (em nome dos filhos), minerador. Entre outras cositas más. “Em 1987, em plena epidemia de malária e gripe, trazida pela invasão de garimpeiros, o então presidente da Funai, Romero Jucá, alegando razões de segurança nacional, retira as equipes de saúde da área Yanomami”. É um trecho do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Resultado? Aumento de 500% dos casos de malária. “Mais de 4 mil yanomamis morreram de malária, tuberculose, de assassinato”, resume o líder indígena David Kopenawa.

Avancemos no relatório:

– O caso mais flagrante de apoio do poder público à invasão garimpeira se deu na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, na região do Paapiu/Couto de Magalhães, onde o garimpo se iniciou a partir da ampliação de uma antiga pista de pouso pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), em 1986. A Funai e os demais agentes públicos abandonaram a região, deixando a área livre para a ação dos garimpeiros.
Continuar lendo

Argeplan, beneficiada em Angra 3, é dona da fazenda “de Temer”, ocupada pelo MST

mst-temer

Fazenda Esmeralda: 1.500 hectares em Duartina, SP (Foto: Mídia Ninja)

Folha conta discretamente que a dona do imóvel onde vice recebe correspondência foi acusada na Lava-Jato de ganhar obra de R$ 162 milhões na usina ‘a mando de Temer’

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A informação está no último parágrafo de texto desta terça-feira, da Folha, sobre a ligação entre Michel Temer e João Baptista Lima Filho, dono da Argeplan Arquitetura e Engenharia:

– Em abril, reportagem da revista “Época” revelou que um engenheiro da Engevix, José Antunes Sobrinho, disse aos investigadores da Lava Jato que a Argeplan ganhou uma obra de R$ 162 milhões na usina de Angra 3 por influência de Temer, e subcontratou a Engevix para dar conta do trabalho.

A Argeplan é uma das donas da fazenda Esmeralda, ocupada ontem pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. O MST achou no local uma correspondência endereçada a Temer. O movimento diz que ele é o verdadeiro dono. Lima seria um laranja. Continuar lendo

17 de Abril: um golpe marcado para o dia do massacre de Eldorado dos Carajás

eldorado_dos_carajas

Vinte anos após o assassinato de 19 sem-terra na Curva do S, no Pará, ruralistas estão entre principais apoiadores de deposição que beneficia um deles: Michel Temer

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A história brasileira da infâmia se repete como data: 17 de abril. Há 20 anos, exatamente nessa data, policiais militares a mando do governo paraense executavam 19 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na Curva do S, na estrada que liga Marabá a Eldorado dos Carajás.

Será também no dia 17 de abril (Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária) a votação, na Câmara, do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, a elite política e econômica brasileira – essa quatrocentona – não se contenta somente com violência. Precisa do escárnio. Continuar lendo

Estamos diante de uma nova ofensiva da direita no campo

hugochavez-RO

Acampamento Hugo Chávez, em Ariquemes (RO): 110 famílias expulsas

Execução de dois sem-terra no Paraná; acampamento do MST incendiado em RO; cacique preso na BA; repressão é histórica, mas contexto político explica acirramento

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Aos fatos:

1) Dois sem-terra foram mortos ontem em Quedas do Iguaçu, em ação conjunta da Polícia Militar do Paraná com seguranças da Araupel. A empresa ocupa terras da União. Sete mil pessoas disputam o território, no Acampamento Dom Tomás Balduíno. Pelo menos outros seis sem-terra ficaram feridos. Texto do MST descreve um ataque: “Sem Terra são assassinados no Paraná“. Os textos da grande imprensa falam em “confronto”. E apresentam a versão da polícia de que quem fez a emboscada foram os sem-terra. Os mortos: Vilmar Bordim, 44 anos, casado, três filhos; Leomar Bhorbak, 25 anos, que deixa a esposa grávida de nove meses.

2) Cento e dez famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foram expulsas nesta semana do Acampamento Hugo Chávez, em Cacaulândia (RO). O acampamento foi sitiado. Depois, incendiado: “Acampamento do MST é incendiado um dia após serem expulsos, em RO“. Com direito a alteração da cena do crime: “Polícia faz perícia em acampamento do MST, em Cacaulândia, RO“. Continuar lendo

Estadão diz que MST “invade” fazenda de político; só que a terra é pública

pontal-2016-estadao

Jornal utiliza o verbo “invadir”; mas se esquece de informar que as terras ocupadas são públicas; nos anos 50, veículo classificava de criminosos os esbulhos na região

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Utilizemos a própria notícia do Estadão para demonstrar que a notícia do Estadão não tem nenhuma sustentação. Apenas o propósito de defender proprietários de terra que  não são proprietários de terra. E sim senhores que se apropriaram de terras públicas.

Em pauta, a velha utilização do verbo “invadir”. Mas somente quando se trata de movimento social reivindicando seu espaço. Vejamos: “MST invade fazenda de político no extremo oeste paulista“.

Trata-se de Agripino de Lima, ex-prefeito de Presidente Prudente. Um pobre e inocente proprietário de uns nacos de terras, importunado injustamente pelos camponeses? Não exatamente. E é o próprio texto que informa isso: Continuar lendo

Reportagem do Fantástico sobre Incra está correta; mas falta mais reforma agrária

201

S. Antônio do Matupi: vilarejo em Manicoré (AM) deveria ser assentamento (Foto: Alceu Castilho)

Globo não errou na reportagem sobre desvio de lotes destinados a assentados; só que precisa fazer o mesmo em relação à grilagem; MST e FPA disputam o discurso

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Fantástico exibiu no domingo uma reportagem sobre utilização indevida de assentamentos do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Em determinado momento, o chefe de gabinete do órgão nega ao repórter que o Incra seja “uma bagunça”. Quase isso. De fato, o órgão não tem controle sobre as terras no país – seja\m elas assentamentos, sejam propriedades rurais. Mas é preciso tomar cuidado para não jogar fora o bebê junto com a bacia. Precisamos de mais reforma agrária, não menos.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) emitiram notas com propósitos distintos em relação à reportagem. O MST reconhece os desvios e quer que a Controladoria-Geral da União (CGU) faça outras investigações, não somente em assentamentos. A FPA, expressão institucional da bancada ruralista, defende os interesses dos grandes proprietários, no contexto de uma CPI que investiga o Incra e a Funai – que visa paralisar ainda mais as demarcações de terras indígenas e a reforma agrária. Continuar lendo