Há 20 anos, a revolta dos piqueteros na Argentina

Privatizações e queda do investimento produtivo quebraram país. Vieram demissões e quebras de bancos. Fervilhavam movimentos populares e formação de cooperativas. Em 2001, com cinco presidentes em 11 dias, veio a revolta

Em uma experiência que uniu a classe popular e a classe média, a crise de 2001 marcou a força da resistência nas ruas e das articulações sociais. – Carla Thompson

Por Fernanda Paixão, no Brasil de Fato

Entre os diversos capítulos que marcam a história da Argentina e permitem compreender o país, está o emblemático capítulo “2001”, algo presente ainda hoje, evidente tanto em conversas cotidianas quanto na política e na militância das ruas.

Foi o momento que ficou marcado por “cinco presidentes em uma semana” e pode ser interpretado como um passar de página na política e na resistência do país após o restabelecimento da democracia.

Em um dia como hoje, há 20 anos, a grave crise econômica e social, fruto das políticas neoliberais da década de 90 – também vividas pelo Brasil –, teve seu pico máximo naquele 2001, com o drástico saldo de 39 mortes pelas mãos do Estado.

Em dois dias, 19 e 20 de dezembro, se concentraram jornadas nas ruas de todo o país, que uniram os trabalhadores, os sem-teto, os desempregados e a classe média. De diferentes formas, todos foram duramente impactados com as privatizações, as demissões em massa, a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o confisco bancário, que ficou conhecido no país como corralito.

“Ladrões” e “FMI” ilustram mensagens de repúdio ao governo de Carlos Menem, na Argentina da década de 90. / Carla Thompson

Os saques a supermercados e comércios locais eram diários e as greves, recorrentes. Com argentinos sufocados por um pacote econômico que não contemplava sua própria população, os dias de intensos protestos culminaram na renúncia de Fernando de la Rúa, o famoso presidente que fugiu de helicóptero da Casa Rosada.

Na época, a fotógrafa e professora de Villa Lugano, Carla Thompson, fazia comunicação comunitária e registrava os acontecimentos que foram se desenrolando com intensidade naquele dezembro de 2001. “Os ricos foram avisados antes e retiraram seu dinheiro do banco; os demais, perderam todas as suas economias”, conta. Os protestos se intensificaram e as lentes de Carla captavam filas que cresciam nas portas dos bancos com o passar dos dias. Depois, vieram os saques.

“Era um efeito de contágio, que se trasladou a muitos lugares do país, principalmente à noite. Quando o governo de La Rúa declara estado de sítio, a reação é sem precedentes.”

Diante do esgotamento social sem perspectivas de melhora, medidas estritas e da violência econômica, cada investida mais rígida do governo levava mais e mais pessoas às ruas, sendo a Praça de Maio a principal força de concentração e, consequentemente, também de repressão que não poupou sequer as Mães da Praça de Maio, símbolos da luta pelos direitos humanos, contra o sequestro de seus familiares pelos militares na ditadura.

“Para muitos que acompanharam os protestos pela televisão, o gatilho para sair também às ruas foi ver como golpeavam as mães da Praça de Maio. Era o limite. Tínhamos que defendê-las”, conta Carla.

Como um país chega a esse ponto de revolta social, em um período em que a onda neoliberal assolou a tantos outros países? O que aconteceu na Argentina em 2001? Para entender esse desenlace, é necessário remontar às décadas anteriores.

A população pedia a renúncia de Domingo Cavallo, ministro de economia, em protestos de 20 de dezembro de 2001 em Buenos Aires. / Carla Thompson

O caldo fervente da Argentina pós-ditadura

Para chegar à Praça de Maio naqueles dias de 2001, muitos tiveram dificuldades no caminho. Os que vinham de mais longe eram interceptados pela polícia e impedidos, a não ser que inventassem alguma história para seguir caminho e chegar ao epicentro dos protestos na histórica praça da capital federal. Altamente militarizada, as ruas estavam em polvorosa pelas tensões acumuladas por uma crise econômica que aguçava cada vez mais a crise social.

Apesar de engajado no movimento de trabalhadores na província de Buenos Aires, Guillermo Cieza precisou viajar e não pôde estar na Praça de Maio naqueles dias. Mas, como conta, não foi um processo de apenas dois dias. Ele era um dos milhões de argentinos que compunham o trágico dado de 16% de desempregados no país, após o fechamento do frigorífico em que trabalhava no final da década de 80, em Berisso, zona sul de Buenos Aires.

“Havia um processo de acumulação de lutas de muito tempo. A ditadura gerou uma tremenda dívida externa e o governo de Menem tentava resolver isso da pior maneira possível, o que só aumentou a dívida e o desemprego”, conta Cieza. Em 2002, o desemprego ainda alcançaria 21,5% da população.

Carlos Menem e Fernando de la Rúa. / Reprodução

O período da última ditadura argentina teve fim em 1983, e o retorno à democracia e das instituições vieram também com o resultado de uma política agressiva de empobrecimento da população, na qual 50% das divisas do país deveriam ser destinadas ao FMI.

Nesse contexto, o segundo presidente pós-ditadura, Carlos Saúl Menem (Partido Justicialista), após Raúl Alfonsín (Unión Cívica Radical), lançou a Lei de Reforma do Estado, um projeto que consistia na privatização de empresas estatais pilares da produção e do emprego no país, tais como a petroleira YPF, ferrovias, empresas de água, luz e gás, e a companhia aérea Aerolineas Argentinas.

O ministro de Menem, Domingo Cavallo, aplicou a chamada lei de convertibilidade, conhecida como “um peso, um dólar” – ou o equivalente ao Plano Real argentino. Para ter o devido respaldo de dólares na paridade cambiária, e de maneira rápida, o governo abre o país às importações, o que torna insustentável a competição para a indústria nacional.

Nesse contexto, em meados da década de 90, ocorreram o que se conhece no vocabulário argentino como piquetes, ou cortes de estradas, que ilustraram as jornadas de 2001.

O primeiro piquete aconteceu na província de Neuquén, em 1996, em cidades que dependiam economicamente da empresa YPF. Colapsadas com a privatização da estatal e as consequentes demissões massivas, as cidades de Cutral Có e Plaza Huincul tiveram jornadas de fechamento de estradas e realização de assembleias em comunidades inteiras que ficaram desamparadas e, em não poucos casos, sem a indenização correspondente.

Assim, pessoas como Guillermo Ceiza se envolveram com o sindicalismo e o movimento de trabalhadores. É comum que os que viveram essa época a descrevam como um momento de forte efervescência social, em que as organizações se armavam espontaneamente nos bairros, entre os grupos de trabalhadores e desempregados, e prevalecia a solidariedade mútua, as cooperativas e o trabalho autogestionado.

Ceiza tentava com seus companheiros armar uma cooperativa para os filhos dos trabalhadores do frigorífico em Berisso, dedicadas à juventude que já chegava à idade laboral em um contexto de famílias desempregadas. “No final da década de 90, começaram a surgir as organizações de desempregados, de trabalho territorial com marginalizados, hortas urbanas, apoio escolar”, conta Ceiza.

Em zonas urbanas, especialmente em Buenos Aires, o que fazia acumular a insatisfação social podia ter como cerne o desemprego, mas a falta de moradia era um dos agravantes, combinada com a repressão policial.

A professora e fotógrafa Carla Thompson, filha de paraguaios imigrantes, é integrante de uma das organizações que surgiram nesse momento, o Movimento de Trabalhadores Desocupados (MTD), e acompanhou muitas pessoas de sua cidade, Villa Lugano, Buenos Aires, que atravessavam o grave problema da falta de moradia.

“Após a ditadura, é muito forte o processo de movimentos comprometidos com a ocupação de terras, e havia sérios riscos de vida nessa militância. Então, os setores populares se apoiavam em experiências prévias de organizações de base”, diz Thompson.

Nessa época, um militante chamado Agustín Ramírez, que organizava ocupações de terra, foi assassinado pela polícia bonaerense quando levava postes para fazer uma ligação de luz em uma ocupação. “Era um companheiro que se multiplicava, que tinha inserção social, muita capacidade de motivar”, conta.

O direito à moradia era a principal luta dos movimentos urbanos em 2001. / Carla Thompson

A falta de políticas públicas combinada com a repressão se intensificaram com o passar dos anos. O trabalho militante acumulado em décadas de empobrecimento e repressão gerou diálogos entre movimentos que lutavam pelo emprego, pela moradia e contra a repressão do Estado. “Então entendemos que a problemática do desemprego nos agrupava”, ressalta Carla. Ela conta que, em sua zona, o lema dos movimentos articulados era: “trabalho, dignidade, mudança social”.

“Após a hiperinflação de Alfonsín e o neoliberalismo de Menem, que para muitos significou pizza e champagne, nos bairros populares o que se viu foi a miséria mais extrema”, revela a fotógrafa. “Para alguns, significou ainda viver em cidades-fantasma, com a privatização de ferrovias e a possibilidade de ficarem incomunicáveis. Imagine, nesse contexto, perder sua fonte de trabalho em um lugar que está caminhando para se tornar uma cidade fantasma. Era uma realidade muito sinistra.”

Entre as mulheres, que já teciam redes nos bairros populares, passaram a formar-se organizações feministas e de mulheres. Faziam trabalho político e social, e estavam à frente das organizações que militavam pelo direito à terra e resistiam à falta de moradia. “Ao mesmo tempo que nos organizávamos, tínhamos a necessidade de sanar. O movimento de mulheres sempre tem essa dupla-face: se dirige para fora e, ao mesmo tempo, põe em diálogo a subjetividade própria”, diz Carla.

Corralito

O início do segundo milênio foi, então, turbulento no território argentino. O país entrava nos anos 2000 com cifras que se aproximavam de 40% de pobreza. Em menos de um ano de governo, Fernando de la Rúa já era o centro de um escândalo nacional: uma reforma trabalhista de ampla rejeição popular foi aprovada no Congresso graças ao suborno oferecido a senadores. Dessa forma, não só aumentou o desemprego como também o emprego informal.

O fato ainda foi seguido pela renúncia do vice-presidente, Carlos Álvarez, em outubro de 2000, o que rachou a coalizão governista, a Aliança para o Trabalho, a Justiça e a Educação. Além disso, o ministro de economia do novo governo era o mesmo Domingo Cavallo de Menem, uma espécie de continuidade da gestão anterior.

As organizações militantes tinham presentes as então experiências recentes da ditadura e tomavam as devidas precauções ao organizar-se. Enrique Arrillaga era conhecido, então, apenas como “Quique Camino”. “Não usávamos nossos nomes reais, salvo que fosse uma pessoa muito conhecida”, relata.

O desemprego foi a problemática integradora de diferentes classes durante a crise econômica de 2001. / Carla Thompson

Até 1993, Arrillaga trabalhava em uma ferrovia argentina que terminou sendo uma das privatizadas no governo Menem, culminando na demissão massiva de 100 mil trabalhadores. Com um grupo de desempregados, armou o movimento Casa del Pueblo, na capital federal. Quando perguntado sobre a particularidade do processo argentino diante da violência econômica neoliberal, a resposta é curta: o movimento piquetero. “É um movimento que não se dá no resto do mundo. Os 20% sem emprego se tornaram um problema estrutural no país, que perdura até os dias de hoje”, observa.

Já em 3 de dezembro de 2001, os protestos eram recorrentes. “Exigiam trabalho, alimentos. Era toda uma massa de trabalhadores e desempregados. Os signos da crise já entravam em um terreno cada vez mais graves”, conta Enrique. “Casualmente, nesse mesmo dia, o governo deu a conhecer o corralito, ou seja, a impossibilidade de sacar dinheiro da própria conta bancária. Havia um limite irrisório que poderia ser retirado por semana, algo ao redor do que seriam 200 pesos hoje”, relembra, mencionando um valor equivalente a R$ 11.

A partir daí, as organizações que defendiam o enfrentamento às medidas do governo convocaram uma coletiva de imprensa para o dia 19 de dezembro. A Casa del Pueblo era uma das organizações convocadoras. “A ideia era expressar unidade, e convocamos inclusive as organizações que pretendiam entrar em acordo com o governo”, pontua Enrique. Todas participaram.

Algumas horas depois da coletiva, foi possível escutar um som crescente em todos os pontos da cidade. “Eram panelaços”, diz Enrique. “Começaram a bater panelas na cidade e em vários pontos da cidade e da província de Buenos Aires, em toda a faixa popular, em bairros pobres, onde havia fábricas. Em todos os lugares se escutavam os panelaços. Foi uma reação espontânea. Todo anúncio contra as medidas do governo gerava reações a favor”, conta.

Daí nasce um lema que marca a luta interclassista da época: “piquetes e panelas, a luta é uma só”, em menção aos elementos referenciais da classe popular e da classe média, respectivamente, como ressalta Enrique. Todo o resto do dia, até a madrugada, foi tomado por protestos e enfrentamento com a polícia.

“Para o dia seguinte, dia 20, convocamos uma mobilização massiva ao meio-dia na Praça de Maio, em frente à casa de governo, para exigir o fim à política econômica do governo e mudar 180º.”

“Que se vayan todos”: a Argentina atravessava uma grave crise de falta de representação governista. / Carla Thompson

“Eram balas de verdade”

Assim, no dia 20, com a identidade de Quique Camino, Enrique foi à Praça de Maio. Ele e milhões de pessoas em todo o país deixaram suas casas naquele dia exigindo uma reforma total. Mesmo com toda a intensidade ao redor, ninguém previu o que seria a jornada daquele 20 de dezembro de 2001. Já nada parecia poder piorar. O que se viu nas ruas foram protestos multitudinários em prol de uma mesma causa – e também a presença de todo o aparato de segurança do Estado.

Carla Thompson, câmera a tiracolo, se concentrava na praça do Congresso, e registrava os acontecimentos do local. Não parava de chegar mais gente. A repressão não tardou em chegar: enquanto os policiais jogavam gás lacrimogêneo, os manifestantes se defendiam com pedras. “Era o que tínhamos”, conta Carla. “Éramos milhares na rua. Foi algo coletivo muito forte, havia uma sensação épica. Sabe, quando os momentos são trágicos e é difícil traduzir em palavras?”

Com a concentração de pessoas nas ruas, Fernando de la Rúa declara o país em estado de sítio, o que só fez mais pessoas saírem de casa para protestar contra o governo. “Eram milhares de pessoas que saíam, mesmo à noite, em estado de sítio”, diz Enrique, enfatizando que, à época, calculava-se em 10 milhões as pessoas em protestos em todo o território. “Isso em um país que tinha 25 milhões de habitantes. Uma verdadeira rebelião popular”, comenta.

Movimento piquetero em Buenos Aires durante jornadas de 2001. / Carla Thompson

“Obviamente o Estado repressor não fez esperar. Uma coisa que sempre me atormenta são os 39 assassinatos, pessoas que perderam a vida e não houve justiça”, remarca.

Os crimes foram cometidos por todas as forças presentes especialmente na Praça de Maio, talvez também como repressão simbólica em um lugar místico para os defensores de direitos humanos. Policiais, exército, cavalaria e tiros, muitos tiros.

“Eram balas de verdade”, diz, acenando afirmativamente a cabeça, Carla. Caminhando sobre a avenida de Maio, que conecta as praças do Congresso e da Casa Rosada, ela foi aconselhada por pessoas que vinham da Praça de Maio a não seguir. “Volta, porque a coisa lá está picante.” Carla acatou o conselho e voltou à praça do Congresso. Depois, soube o que acontecia no epicentro da repressão daquele dia.

“Golpeavam as mães da Praça de Maio montados em cavalos! Isso foi transmitido nas TVs, nas rádios, e mais pessoas saíam às ruas, indignadas”, conta Carla.

Com a mobilização incontrolável e incontornável, Fernando de la Rúa anuncia sua renúncia. Poucos souberam na hora: estavam nas ruas, em enfrentamento com a polícia ou se deslocando a outro lugar. Para os que estavam na Praça de Maio, a mensagem foi imediata: o helicóptero levantando voo da Casa Rosada anunciava a renúncia do presidente.

Com a saída do presidente no dia 20 de dezembro, cabia ao presidente do Senado assumir o cargo, Ramón Puerta (PJ). No entanto, ocupou a cadeira presidencial por apenas 24h, passando o cargo para outro nome de seu partido, Adolfo Rodríguez Saá. Sem apoio político, Saá renuncia 5 dias depois.

Seguindo a lei do país, o cargo corresponderia, então, ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Camaño, que cumpriu a formalidade e firmou como presidente interino. Renunciou em 48h, quando, finalmente, em janeiro de 2022, Eduardo Duhalde assume a presidência da Argentina.

O aprofundamento da crise seguiu até 2002, e ainda contou com mortes trágicas e emblemáticas na história argentina, como a de Darío Santillán e Maximiliano Kosteki, em um piquete na Ponte Pueyrredón, na capital federal. Esse assassinato gerou a crise do governo de Duhalde, e, chamadas as eleições populares, Néstor Kirchner chega ao poder, inaugurando uma nova etapa política e social no país.

As jornadas de 2001 marcaram um segundo “Nunca mais” após a ditadura militar, ainda que hoje a Argentina atravesse uma situação semelhante após a eleição do governo neoliberal de Mauricio Macri.

“Todos esses dias foram de muita reflexão”, compartilha Carla. “Chegaram os 20 anos de 2001 e é interessante coletar as experiências militantes dessa época. Para uma pessoa, 20 ou 30 anos é muito tempo, mas em termos de processos históricos talvez não seja tanto, e ver as coisas como fatos espontâneos se faz perder de vista os processos.”

Protesto massivo na praça do Congresso argentino, na cidade de Buenos Aires. / Carla Thompson

Para Enrique, o 2001 argentino marcou uma forma de organizar e militar coletivamente que já faz parte da identidade do país. “Todo conflito, de qualquer tipo, se coloca e se visibiliza na rua. O movimento piquetero marcou um caminho, que inclusive a direita tem feito bastante uso para impulsionar sua política de reacionários, observa.

“Outra conclusão é que, parte da lição de 2001, e que ainda não aprendemos o suficiente, é que setores populares que pretendam realmente uma mudança social possam estabelecer uma política e um programa alternativos para modificar definitivamente o país. Ainda somos um país capitalista dependente, com uma crise grave, com 50% de pobreza e beneficiando ainda mais o capital tradicional. Me parece que esta ainda é uma lição pendente”, conclui.

Para acompanhar 

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