Sarampo volta a matar nos EUA, após dez anos
• Morte por sarampo nos EUA • Doença desconhecida já matou 53 no Congo • Menos desmatamento na Europa, mais na África • Reator Multipropósito Brasileiro e a Saúde • Vacinação de HPV • Hipertensão e edentulismo •
Publicado 27/02/2025 às 15:44 - Atualizado 27/02/2025 às 15:46
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A primeira morte por sarampo em uma década nos EUA foi anunciada nesta quarta-feira (26/2), noticia a Reuters. A vítima é uma “criança em idade escolar” que morava no Texas e faleceu durante a noite. Um surto da doença já levou à confirmação de mais de 130 casos da doença no estado norte-americano e continua se espalhando.
É uma unanimidade entre os pesquisadores e especialistas ouvidos pela agência de notícias que a crise está ligada ao movimento antivacina e à baixa histórica nas taxas de imunização: apenas 9 pessoas dentre todos os infectados estavam vacinados contra a doença. O secretário de saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., afirmou em uma reunião que 2 pessoas já faleceram devido ao sarampo no país, mas não revelou qual seria o outro óbito, ainda desconhecido do público.
OMS alerta para surto doença desconhecida no Congo
Pelo menos 53 pessoas morreram no Congo em um surto de doença ainda não identificada, informou a OMS na terça-feira (25/2). O boletim da agência de saúde das Nações Unidas frisa que “metade dos óbitos ocorreu em até 48 horas após o surgimento dos sintomas”, que incluem febre, vômito, diarreia e dores no corpo. 431 casos da doença foram notificados até o último dia 15 de fevereiro, o que põe a taxa de mortalidade em torno de 12%.
O surto se concentra na província congolesa de Equateur, distante dos recentes combates na região leste do país. As investigações preliminares da OMS ligam os primeiros casos a três crianças que haviam se alimentado de um morcego. O animal, vetor do vírus de marburg e do ebola vírus, associados a doenças graves, poderia ser o reservatório natural do agente patogênico que causou a doença ainda desconhecida.
Reflorestar o Norte Global devasta o Sul?
Recém-publicada, uma pesquisa da Universidade de Cambridge demonstra os limites dos projetos de reflorestamento desenvolvidos pelas grandes potências econômicas. O estudo, publicado no periódico científico Science, estima que o replantio de árvores em áreas devastadas pela agricultura no Reino Unido, em geral, está diretamente associado à destruição de áreas cinco vezes maiores em nações do Sul Global, onde as empresas “compensam” a atividade econômica perdida.
O artigo aponta que os países da África e da América do Sul são os mais afetados por esse fenômeno, com sua biodiversidade sofrendo as consequências. Isto é, para realmente proteger a fauna e a flora da Terra, é necessário acabar com esses “furos”, insistem seus autores. Para isso, é preciso dar maior impulso aos projetos de reflorestamento em países em desenvolvimento – e, em especial, transformar radicalmente a dinâmica centro-periferia do atual sistema econômico.
Brasil terá reator nuclear que faz bem para a saúde
O futuro Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) beneficiará a área da Saúde, afirmou Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As obras do que será o “maior centro brasileiro de pesquisa para aplicações da tecnologia nuclear” foram iniciadas pela pasta nesta segunda-feira (24/2), na cidade de Iperó (SP), informa a Agência Brasil.
O equipamento contará com um reator nuclear de pesquisa, que “vai garantir, por exemplo, a autossuficiência do nosso país na produção de radioisótopos, que são usados na fabricação de fármacos para tratamento do câncer”, afirmou a titular do MCTI. Além disso, o RMB também viabilizará a nacionalização de radiosiótopos utilizandos em diagnósticos médicos, com o Tecnécio-99m. A previsão de conclusão das obras do Reator Multipropósito é para daqui a 5 anos, contando com um investimento de R$926 milhões do ministério.
MS lança ação para enfrentar o HPV
O Ministério da Saúde (MS) lançou nesta semana uma campanha de estímulo à vacinação do HPV, conta a Agência Brasil. Identificou-se que 7 milhões de jovens de 15 a 19 anos – isto é, que saíram recentemente da faixa etária indicada para a vacina – não receberam o imunizante que protege contra o vírus. Assim, a ação da pasta terá um caráter “de resgate, para identificar e vacinar esses adolescentes”.
Em um primeiro momento, os trabalhos serão concentrados em 121 municípios que registram as piores taxas de imunização. Neles, vivem 3 milhões de jovens não-vacinados, e a meta é alcançar pelo menos 90% desse público-alvo. Rio de Janeiro (54%), Acre (40%), Distrito Federal (38%), Roraima (36%) e Amapá (32%) são os estados com as cifras mais baixas, segundo nota do MS. O êxito da campanha será essencial para o avanço do Brasil rumo às metas de eliminação do câncer de colo e útero.
Hipertensos e sem dentes
Pesquisadores da Universidade de São Paulo vêm estudando com maior atenção as variáveis da associação entre a falta de dentes e problemas cardiovasculares, conta o Jornal da USP. As pessoas com edentulismo – isto é, que apresentam perda total ou parcial da dentição – “têm mais chances de serem hipertensas, como também reagem pior aos medicamentos para hipertensão”, explica Adriana Ribeiro, autora de um estudo recentemente concluído.
Na pesquisa, conduzida com 80 participantes sem nenhum dente, aqueles que tinham pressão alta também apresentaram mais bactérias patogênicas em suas próteses dentárias, aumentando a chance de aparecimento de doenças. A sobrecarga do sistema circulatório pelas inflamações que costumam preceder a perda de dentes está entre as hipóteses da pesquisadora para a ligação entre o edentulismo e as condições cardíacas.