Privacidade: pacientes com HIV estão sob vigilância do Smart Sampa
• Smart Sampa em unidade de atendimento de pessoas com HIV • Ultraprocessados menos taxados do que água? • E MAIS: crise climática e ISTs; malária; inteligência artificial e medicamentos; herpes-zóster •
Publicado 15/01/2026 às 14:24

A expansão do Smart Sampa, programa de reconhecimento facial por meio de câmeras, provoca debates sobre privacidade e proteção de dados na cidade de São Paulo. A última denúncia, publicada no Brasil de Fato, é de que a prefeitura instalou as câmeras em áreas internas do Serviço de Assistência Especializada (SAE) Fidelis Ribeiro, na Penha, zona leste da capital paulista, que atende pessoas com HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Há duas grandes preocupações relacionadas a essa invasão de privacidade. A primeira diz respeito ao fato de que pessoas com ISTs em geral buscam sigilo, por serem uma população que sofre discriminação. A segunda preocupação é sobre quem poderá acessar os dados dos pacientes que frequentam a unidade, uma vez que não apenas a prefeitura armazena essas informações, mas também as empresas privadas responsáveis por metade do equipamento utilizado.
As preocupações também remontam a um episódio recente ocorrido em um Caps, em que um pacientes foi retirado de um grupo terapêutico sob a mira de armas e levado à delegacia, por resultado de uma falha do reconhecimento facial das câmeras. Fica cada vez mais evidente a ineficácia e a gravidade dessa estratégia de segurança pública, adotada com pouca transparência e que não preza pelas populações mais vulneráveis da cidade.
Ultraprocessados: taxação e pesquisa
Relatórios recentes expõem uma contradição na política de taxação alimentar brasileira. Segundo a Organização Mundial da Saúde, no Brasil até a água engarrafada é mais taxada do que bebidas açucaradas, enquanto produtos associados ao aumento de doenças crônicas como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares seguem com carga tributária menor. A lógica fiscal, que poderia ser usada para desestimular o consumo nocivo, protege ultraprocessados e desestimula alternativas naturais e mais saudáveis.
Ao mesmo tempo, cresce a disputa em torno da própria produção de evidência científica sobre esses alimentos. Pesquisas indicam impactos consistentes dos ultraprocessados na saúde, mas o financiamento privado da Big Food coloca em cheque quais e de que forma os resultados são divulgados. Ao contrário do cenário norte americano, a pesquisa brasileira alimentícia não ocorre sob dependência de empresas, contudo os crescentes cortes no orçamento científico podem pôr em xeque a segurança da pesquisa que desafia a lógica dos interesses privados.
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Crise climática e HIV
Um estudo recém-publicado explica como o agravamento da crise climática aumenta a vulnerabilidade da população à aids e agrava as condições de saúde de quem já convive com o vírus. Os eventos climáticos extremos levam à piora no acesso às profilaxias e a unidades de saúde para diagnóstico e tratamento. Confira mais informações.
Combate à Malária
Um estudo mostrou que a combinação de soluções simples pode reduzir o calor em casas rurais e diminuir a presença de mosquitos transmissores de doenças. Testes com diferentes estratégias arquitetônicas têm demonstrado resultados promissores e acessíveis. Veja alguns dos métodos.
IA no desenvolvimento
Agências reguladoras dos EUA e da União Europeia divulgaram princípios para o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de medicamentos, divulgando como gerar e monitorar evidências ao longo do ciclo de vida de um medicamento. A iniciativa busca acelerar pesquisas e reduzir testes em animais. Como funciona?
Vacina contra herpes-zóster
A farmacêutica que produz a vacina contra herpes-zóster, a GSK, fez uma proposta de venda para o SUS por R$ 403,30. Foi rejeitada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, que considera que a oferta deveria ser de até R$ 75,75 para que fosse custo-efetiva. Entenda os valores.
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