Manicômio judiciário: “o pior do pior”

• Radis expõe os abusos dos manicômios judiciários • Vacinação infantil segue abaixo do ideal • Plano Municipal de Saúde rejeitado em SP e Campo Grande • E MAIS: ultraprocessados; dengue em SP; câncer em jovens; saúde nos EUA •

Foto: TV Integração/Reprodução
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Em sua nova edição, a revista Radis denuncia os abusos ocorridos em manicômios da contemporaneidade. Os chamados hospitais de custódia, instituições asilares que recebem pessoas que cometeram delitos e têm deficiência psicossocial, que vivem com limitações funcionais devido a transtornos mentais crônicos, vai de encontro com a Reforma Psiquiátrica e com a Resolução 487 do Conselho Nacional de Justiça. Sua permanência se sustenta em grupos conservadores, que apoiam o isolamento permanente dos pacientes em questão.

Entre as denúncias, a matéria aponta tratamento com eletrochoque, uso desnecessário de medicamentos sedativos, confinamento e falta de água potável. O principal relato se passa no Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz (HPJJV), em Barbacena, cidade conhecida por ter abrigado o “holocausto brasileiro”. O Relatório de Inspeção Nacional: Desinstitucionalização dos Manicômios Judiciários, feito em 2025, analisa instituições com este caráter espalhadas por todo o país. 

Brasil atinge metas de apenas duas vacinas para bebês em 2025

O Brasil conseguiu cumprir a meta de cobertura vacinal de 95% em apenas duas vacinas destinadas a recém-nascidos em 2025: BCG e hepatite B. Os dados são preliminares e constam no painel de cobertura vacinal do Ministério da Saúde, considerando doses aplicadas até novembro do último ano em bebês de até um ano de idade.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, o país enfrenta dificuldades para alcançar as metas estabelecidas pelo programa ao menos desde 2014. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele aponta uma combinação de fatores estruturais e políticos, como problemas de financiamento do SUS, falhas no abastecimento de vacinas e o avanço da desinformação, que alimentou o descrédito em relação à imunização nos últimos anos.

De acordo com Gatti, o não cumprimento da maioria das metas já era esperado, uma vez que o governo federal ainda está em processo de reorganização das políticas de vacinação e de retomada da confiança da população. O cenário acende um alerta para o risco de reemergência de doenças evitáveis e reforça a importância de fortalecer o PNI como política pública estratégica de saúde.

Plano Municipal de Saúde e o impasse financeiro para São Paulo

A reprovação do Plano Municipal de Saúde (PMS) da gestão Ricardo Nunes pelo Conselho Municipal de Saúde de São Paulo abre um impasse com potencial impacto financeiro sobre a política de saúde da capital em 2026. Sem a aprovação do plano – exigência legal para orientar metas, ações e a execução orçamentária do setor – o município pode enfrentar dificuldades para viabilizar repasses, executar recursos e garantir segurança jurídica na gestão do SUS. Reportagem da Folha de S.Paulo aponta que a decisão já gera entraves administrativos no início do ano e escancara a fragilidade do diálogo entre a prefeitura e o controle social.

Análises de entidades da saúde indicam que o plano reprovado apresenta metas genéricas, baixa transparência e reforça a lógica de terceirizações, sem enfrentar desigualdades territoriais nem estabelecer mecanismos claros de avaliação, como destacou Outra Saúde. O caso paulista também não é isolado: em Campo Grande, o Conselho Municipal de Saúde reprovou o plano da gestão local, segundo o Cebes. A sequência de rejeições sugere um fortalecimento do papel deliberativo dos conselhos e levanta a hipótese de que o episódio de São Paulo tenha estimulado posições mais firmes em outras cidades, aprofundando a tensão entre gestões municipais e o controle social do SUS.

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Taxação de ultraprocessados
Relatórios da OMS indicam que bebidas açucaradas e álcool seguem pouco tributados no mundo, o que facilita o consumo e dificulta o enfrentamento de doenças crônicas. A OMS volta a defender o aumento de impostos e incentivar a adesão a alternativas naturais. Entenda por quê.

Morte por dengue
O estado de São Paulo confirmou o primeiro óbito por dengue neste ano e já soma 4.360 casos prováveis da doença. Em todo o país, são cerca de 11 mil casos registrados, com maior incidência em municípios do interior paulista. Confira o cenário.

Aumento de câncer em jovens
Escolhas de vida e fatores ambientais serão determinantes para a incidência de câncer em jovens, afirma o diretor do Inca. No Brasil, 40% dos casos de câncer de mama atinge mulheres com menos de 50 anos, índice bem acima da média mundial. Veja os detalhes.

Plano de saúde Trump
Donald Trump apresentou um plano de saúde que substitui subsídios públicos a seguros por depósitos diretos. Especialistas alertam que a proposta pode prejudicar a população de baixa renda, e o governo ainda não apresentou cronograma nem fontes claras de financiamento. Saiba mais.

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