EUA: cortes em ajuda humanitária causam mais de 750 mil mortes

• Primeiro ano de Trump: os resultados dos cortes na ajuda humanitária global e na ciência estadunidense • E MAIS: doenças cardíacas; feminicídios; desnutrição na Somália; produção de vacinas •

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Exatamente um ano após a posse de Donald Trump e a ordem de “pausar” por 90 dias toda a ajuda humanitária dos EUA, o saldo é catastrófico: um modelo do ImpactCounter estima que 757.314 pessoas, a maioria crianças, já morreram como resultado direto dos cortes na USAID – uma média de 88 mortes por hora. 

A suspensão repentina do PEPFAR, que mantinha 20 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral, fechou abruptamente clínicas de HIV na África Subsaariana, ampliando a crise sanitária. Além disso, estima-se que os cortes geraram quase um milhão de casos extras de malária. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, classificou a medida como a “maior ruptura no financiamento global da saúde de que temos memória”, revertendo décadas de progresso.

A ajuda tradicional foi substituída por uma “Estratégia de Saúde Global América Primeiro”, que condiciona o apoio financeiro a acordos bilaterais. Os memorandos exigem que países receptores, como Quênia e Malawi, garantam acesso rápido dos EUA a dados sobre patógenos com potencial pandêmico, desafiando diretamente o Acordo de Pandemias da OMS. 

Neste primeiro ano, o governo Trump também retirou o país da OMS, deixando de pagar contribuições e criando um déficit orçamentário de 25% na organização. A medida forçou o desmonte de programas e fez iniciativas como a erradicação da pólio perderem acesso a laboratórios especializados dos CDC. Enquanto isso, lideranças africanas buscam alternativas à dependência de ajuda humanitária, discutindo financiamento doméstico em fóruns como a Cúpula da Soberania Sanitária da África.

Cortes históricos de Trump estrangulam a ciência dos EUA

O governo de Donald Trump promoveu, em seu primeiro ano de mandato, um desmonte sem precedentes da ciência e da força de trabalho científica nos Estados Unidos. Dados compilados pela revista Nature, expressos em gráficos que revelam a magnitude dos cortes, revelam que mais de 7.800 bolsas de pesquisa já foram canceladas ou congeladas em agências como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e a Fundação Nacional de Ciência (NSF). 

O corte de recursos foi de 25% no total de novas concessões. Temas desfavorecidos pelo governo de extrema-direita, como estudos sobre desinformação, hesitação vacinal, doenças infecciosas e pesquisas com grupos étnicos sub-representados foram alvos preferenciais. O resultado foi a saída de aproximadamente 25 mil cientistas e funcionários de agências federais, uma redução de 20% no quadro de pessoal em um único ano.

O ataque se estende ao futuro da pesquisa: o número de novos estudantes internacionais nas universidades caiu 17% no último ano, o menor nível em uma década (excluindo a pandemia), devido principalmente a preocupações com vistos. 

Para 2026, a proposta orçamentária da Casa Branca é ainda mais drástica: um corte de 35% (US$ 32 bilhões) no orçamento de pesquisa não relacionada à defesa, o que reduziria o financiamento a níveis de 1991, ajustados pela inflação. Embora o Congresso tenha rejeitado os cortes mais extremos até agora, a pressão para desmantelar a infraestrutura científica federal, incluindo uma tentativa de reduzir 40% do orçamento do NIH, é uma amostra do papel da ciência no governo Trump.

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O coração dos brasileiros

A expectativa de vida aumentou, mas agora brasileiros sofrem mais de problemas cardíacos. São causados em especial por sedentarismo, estresse e aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. É o que conta Robson Santos, fundador do Laboratório de Hipertensão da UFMG, que completa 40 anos. Leia entrevista.

Números do feminicídio

80% das vítimas de feminicídio no país foram mortas por seus companheiros ou ex. 97% dos assassinos são homens. Reportagem da revista Radis investigou as causas desse tipo de violência que se relaciona com a ideia de que homens têm poder sobre as mulheres. Acesse.

Fome e doenças evitáveis na Somália

A crise climática e os cortes na ajuda humanitária mergulham a Somália em uma emergência sanitária catastrófica, com números crescentes de crianças desnutridas e vítimas de doenças evitáveis como sarampo e diarreia. Mais de 200 unidades de saúde foram fechadas. Entenda.

Bom legado da pandemia

Em menos de um ano após o início da pandemia, a Fiocruz trouxe a vacina de Oxford/AstraZeneca e entregou 190 milhões de doses ao SUS. O feito foi possível graças à capacidade técnica prévia e a um amplo esforço de transferência de tecnologia. Novo passo são pesquisas com mRNA. Veja como funciona.

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