Como as telas afetam a saúde dos jovens?
• Telas aumentam sofrimento de jovens? • Crise de saúde mental na Caixa • SP quer entregar a OSs melhor hospital público do país • Fungo perigoso detectado no Brasil • Aumentam casos de febre amarela • Estadunidenses não podem pagar por saúde •
Publicado 03/04/2025 às 14:00 - Atualizado 03/04/2025 às 19:27
Artigo da Nature apresenta um novo livro – Handbook of Children and Screens, ainda sem tradução para o português – que busca sintetizar o estado da arte do debate sobre os danos que o uso de telas causa em adolescentes. Recentemente, a obra A Geração Ansiosa, do psicólogo Jonathan Haidt, teve papel de proa na disseminação da tese de que os smartphones e as redes sociais são os principais fatores por trás da “onda gigantesca de transtornos mentais entre adolescentes que teve início na primeira metade dos anos 2010”.
Em um sentido geral, os estudos analisados pelo Handbook reconhecem que celulares e outros dispositivos distraem e são “viciantes” – e também que a tecnologia, junto de uma série de outros elementos, pode estar ligada à piora das condições de saúde mental dos jovens. Contudo, a relação de causalidade ainda seria “fraca” e “inconsistente” nas pesquisas. Não necessariamente por não existir: mas porque ainda seria preciso refinar as metodologias utilizadas nessas investigações.
Trabalhadores da Caixa revelam adoecimento no trabalho
Entidades sindicais denunciam uma crise de saúde mental entre os funcionários da Caixa Econômica Federal, revela o Brasil de Fato. De forma geral, uma pesquisa promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) no ano passado já apontou que o setor bancário enfrenta altos índices de adoecimento mental. Mais de 80% dos entrevistados pela sondagem relataram ter tido problemas de saúde ligados ao trabalho – quase metade destes buscaram acompanhamento psiquiátrico.
No entanto, a situação na Caixa estaria particularmente grave. Os afastamentos por doenças mentais na instituição saltaram 135% entre 2012 e 2012. Para lideranças da categoria, o número pode ser até maior, já que muitas dessas licenças são registradas como acidentes de trabalho. Um abaixo-assinado que já reúne 25 mil assinaturas de funcionários defende melhorias no plano de saúde da empresa, o Saúde Caixa. As negociações entre diretoria e trabalhadores terão início nos próximos dias.
Hospital Estadual Sumaré nas mãos de uma OS?
Há pouco mais de 2 anos, o Hospital Estadual Sumaré, no interior de SP, recebia o título de melhor hospital público do país, concedido pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). Hoje, o clima é outro: em julho deste ano, chega ao fim o contrato entre o governo estadual e a Universidade de Campinas (Unicamp) para a administração do hospital. O convênio foi firmado há mais de duas décadas e era renovado a cada cinco anos, porém, em 2025, a gestão Tarcísio de Freitas decidiu abrir um chamamento público para definir quem será o próximo administrador do hospital. Dessa forma, as 50 Organizações Sociais de Saúde (OSS) do estado poderão se candidatar à disputa, juntamente com a própria Unicamp.
A contratualização das OSS não está pautada em estudos e evidências que demonstrem sua eficiência e efetividade, ou seja, faltam evidências da vantagem de adoção do contrato de gestão em comparação a serviços diretos de saúde. Por isso, não é surpreendente o temor por universitários e profissionais da saúde do Hospital Estadual Sumaré de que ele passe para uma administração privada e menos experiente, interrompendo a qualidade no atendimento feito aos municípios da Região de Campinas.
Primeiro caso do Trichophyton indotineae no Brasil
Estudo científico descreve o primeiro caso no Brasil de infecção por um tipo de fungo altamente transmissível, ocorrido em agosto do ano passado. Trata-se do Trichophyton indotineae, que causa lesões de pele “extensas, com muita coceira e que não [melhoram] com os tratamentos tradicionais”, de acordo com o artigo. O paciente, um homem de 40 anos que mora em Londres e havia viajado por países europeus e asiáticos onde o fungo circula, já chegou ao Brasil infectado.
A equipe que o tratou no país percebeu a resistência do patógeno a antifúngicos. Uma mudança de medicamento resultou em remissão completa – mas a interrupção do tratamento levou à volta dos sintomas. Hoje, o homem voltou a Londres e segue se tratando. Não há indícios de transmissão local da infecção – mas os pesquisadores envolvidos no estudo opinam que o caso serve de alerta para a importância de medidas de vigilância e capacitação de profissionais de saúde.
OPAS alerta: aumento de casos de febre amarela nas Américas
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um novo alerta epidemiológico nesta segunda-feira (31) devido ao aumento de casos de febre amarela nas Américas durante os primeiros meses deste ano. O número de casos confirmados até o dia 22 de março mais que dobrou o total registrado em todo o ano de 2024. Foram notificados 131 casos e 53 mortes, sendo mais de 50% no Brasil.
A febre amarela é uma doença viral grave transmitida por mosquitos, podendo ser fatal; entretanto, ela pode ser prevenida pela vacinação. A maioria dos casos detectados corresponde a pessoas não vacinadas. Neste contexto, a OPAS pediu a intensificação da vacinação em áreas de risco, buscando taxas de cobertura homogêneas acima de 95%. A vacinação é a ferramenta mais eficaz contra a febre amarela.
Saúde nos EUA se torna inacessível para milhões, mostra pesquisa
Um novo estudo revela que a crise no custo dos cuidados médicos nos EUA atingiu seu pior nível em quatro anos. Segundo a pesquisa da West Health e Gallup, 11% dos americanos não conseguiram pagar por remédios ou tratamentos nos últimos três meses. Mas os números são ainda mais abrangentes: o equivalente a 91 milhões de adultos declararam não ter condições, hoje, de arcar com um cuidado médico urgente. As disparidades são alarmantes: enquanto apenas 8% dos brancos relataram dificuldades, esse número salta para 25% entre quem ganha menos de US$ 24 mil por ano.
Os especialistas apontam que o aumento dos custos diretos, os cortes no Medicaid e a possível redução dos subsídios do Obamacare estão piorando uma situação que já era crítica. “Estamos regredindo aos níveis anteriores à Reforma de Saúde de Obama”, alerta a economista Sara Collins, do Commonwealth Fund. A pesquisa, realizada entre novembro e dezembro de 2024, mostra que mesmo quem tem plano de saúde enfrenta dificuldades para pagar as contas médicas, num cenário que tende a se agravar com mudanças em discussão no Congresso.
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