Aumento de doenças respiratórias impactou saúde brasileira em 2025
• Doenças respiratórias em 2025 • Parceria EMS e Instituto Vital Brazil fracassa • E MAIS: medicamentos no SUS; NR-1 ainda não vale; cultivo de maconha; câncer de pele •
Publicado 27/01/2026 às 14:30

Segundo dados registrados pelo InfoGripe, boletim mensal produzido pela Fiocruz para monitorar casos de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), 2025 foi um ano atípico. Com um grande número de hospitalizações e óbitos e duas ondas de influenza A, o resultado foi uma sobrecarga do sistema de saúde do país. A covid-19 também manteve impacto relevante entre os números registrados.
Ao fim do ano, os casos de SRAG chegaram a 230 mil, com 13.678 mortes. Entre os casos testados laboratorialmente, o VSR corresponde à maior parcela, com o rinovírus em seguida e a influenza A logo depois. Entre os óbitos, a maioria teve como causa a influenza A e a covid-19, respectivamente.
Em entrevista ao Estadão, representante da FioCruz aponta que o início de 2026 tem se mostrado mais estável, com exceção da região Norte, em que ainda pode ser observado um aumento de hospitalizações por influenza A. Além disso, estados da região entraram em alerta para SRAG por influenza A no dia 15 de janeiro.
Fracasso de PDP chama atenção para limitações do método
Após o não cumprimento da transferência de tecnologia de medicamentos para o câncer, em uma PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo) entre a farmacêutica EMS e o Instituto Vital Brazil, em parceria com o Ministério da Saúde, a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o ressarcimento dos cofres da União. A parceria em questão ocorreu entre 2013 e 2018, e envolvia um medicamento para leucemia que foi distribuído ao SUS.
O fármaco foi vendido com valor superior ao de mercado, para custear a transferência de tecnologia. Contudo, 5 anos após o início da parceria, o laboratório estadual ainda não conseguia reproduzir o medicamento, que continuava a ser quase totalmente produzido pela farmacêutica. Este é mais um sintoma de dois problemas crônicos que afetam a saúde e a indústria sanitária nacional: a insuficiência estrutural dos laboratórios nacionais. Reforça também que o uso de PDPs como método de desenvolvimento tecnológico não deve ser o único recurso para alavancar a indústria nacional, tema já abordado pelo Outra Saúde.
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Acesso a medicamentos
Em matéria, a Folha explica qual o processo necessário para um medicamento chegar ao SUS e se tornar acessível à população brasileira. Além da aprovação pela Anvisa, outros passos são necessários, como a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Leia a matéria completa.
Saúde mental no trabalho
As mudanças na NR-1, que torna obrigatória a mitigação de riscos psicossociais no trabalho, devem começar a valer em 26 de maio. No entanto, o governo, em acordo com centrais sindicais e empresários, decidiu adiar em um ano a aplicação de multas. Entenda.
Maconha medicinal
Para cumprir a decisão do STJ, a Anvisa irá debater nesta quarta-feira (28) a regulamentação do cultivo de cannabis para fins medicinais no Brasil. O tribunal prorrogou até 31 de março de 2026 o prazo para a agência regulamentar o cultivo da planta. Saiba mais.
Câncer de pele
Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostram que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença, segundo a entidade, apresenta um padrão regional claro, com os estados do Sul e do Sudeste concentrando taxas mais elevadas. Confira mais informações.
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