Rojava: Um chamado à solidariedade com os curdos
Território autônomo, com governo libertário, é emparedado pelo exército sírio, forças turcas e milícias. Centros de ensino, também sob ataque militar, denunciam o genocídio em curso. “Defenderemos nosso povo e a possibilidade da vida pela qual lutamos para construir”
Publicado 23/01/2026 às 19:27 - Atualizado 23/01/2026 às 19:31

Nós, docentes, estudantes e funcionários das Universidades de Rojava/Norte e Leste da Síria, enviamos esta mensagem no momento em que deixamos nossas salas de aula para ajudar a defender nossas universidades, nossas cidades e nossa revolução, ao lado das forças de autodefesa. Antes da administração autônoma, Raqqa (Sharq) e Kobanê não tinham universidades. Nossos campi, construídos em meio à guerra, reconquistaram o direito à educação, há muito negado aos jovens, fundamentando o aprendizado na libertação das mulheres, na ecologia e em uma vida democrática e comunitária para o povo.
Nos últimos quinze anos em Rojava/Norte e Leste da Síria, sob pressão constante e repetidos ataques de potências imperiais, subimperiais e coloniais, nosso povo construiu uma vida compartilhada por meio da capacidade coletiva. Contra o capitalismo e o patriarcado, trabalhamos para avançar em direção a uma sociedade enraizada na libertação das mulheres, na vida ecológica e no autogoverno democrático. Sob as condições de guerra em toda a região, e contra a violência e as imposições dos estados regionais e seus mercenários, contamos com nossa própria autodefesa e nossa própria diplomacia para abrir um espaço e, dentro desse espaço, lutamos para construir uma vida que um dia pareceu impossível.
Hoje, essa vida está sob ataque. O que construímos, esta fonte de esperança para os povos oprimidos da região e de todo o mundo, está sendo alvejada por todos os lados pelas forças fascistas do Exército Árabe Sírio – uma linhagem da al-Qaeda reconvertida em autoridade estatal e trajando ternos – e por mercenários, apoiados por potências imperiais regionais e globais.
Estamos vivendo um feminicídio e um genocídio em andamento. A situação no terreno é urgente e piora a cada dia. Nossos prédios universitários estão cheios de deslocados tentando sobreviver ao inverno sem cobertores ou roupas extras. Drones turcos atingiram vários locais próximos à Universidade de Rojava em Qamishlo nos últimos dias. Estudantes nos dormitórios de Qamishlo estão isolados de suas famílias em Kobanê, sem saber se seus entes queridos estão seguros e sem conseguir contatá-los.
A situação em Kobanê é particularmente terrível. A cidade está atualmente sitiada, cercada por forças do Exército Sírio de um lado e pelo exército turco do outro. Há sete dias não há eletricidade, nem acesso à água, nem acesso confiável a itens de primeira necessidade. Sob essas condições, o aprendizado, a segurança e a sobrevivência estão sendo atacados como parte de um cerco coordenado.
Dizemos isso claramente a nossos amigos, colegas e camaradas: nos defenderemos com tudo o que temos. Defenderemos nosso povo, nossas universidades e a possibilidade da vida pela qual lutamos para construir.
Conclamamos vocês, onde quer que estejam, a ficarem ao lado de Rojava. Levantem suas vozes. Organizem-se em seus campi, em seus sindicatos e em suas comunidades. Usem suas posições, por mais limitadas que possam parecer, para pressionar por ação, exigir responsabilização e recusar o silêncio. Fortaleçam as redes de solidariedade que tornam a resistência possível. Defendam os objetivos revolucionários de liberdade, libertação das mulheres, vida ecológica e vida comunitária democrática. Sua solidariedade faz parte de nossa autodefesa e pode ajudar a alterar o equilíbrio e prevenir mais um genocídio na região.
Universidades de Rojava/Norte e Leste da Síria
Universidade de Rojava,
Universidade de Kobani,
Corpo Discente da Universidade de Al-Sharq,
Corpo Docente e Funcionários
Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, seja nosso apoiador e fortaleça o jornalismo crítico: apoia.se/outraspalavras
