Folha de S.Paulo, o jornal da ditadura pós-64
Não foi apenas apoio editorial. Livro recém-lançado descreve, pela primeira vez, a amplitude de uma relação promíscua. Jornal emprestou sua estrutura ao aparato repressor. Em contrapartida, recebeu dos militares favores múltiplos e incessantes
Publicado 03/04/2025 às 19:37 - Atualizado 03/04/2025 às 19:52

MAIS:
> O trecho que se segue à nossa apresentação é um capítulo de A Serviço da Repressão, de Amanda Romanelli, Ana Paula Goulart Ribeiro, André Bonsanto, Flora Daemon, Joëlle Rouchou e Lucas Pedretti, publicado pela Editora Mórula, parceira de Outras Palavras. O sumário completo da obra pode ser consultado aqui.
> Uma das autoras, Flora Daemon, foi entrevistada por Outra Manhã, nosso programa diário de entrevistas em vídeo. O programa pode ser assistido aqui:

“Hoje, eu não tenho dúvidas. Nenhum outro jornal recebeu da ditadura militar tantas benesses, nem colaborou tanto com ela (…)”. Ouvida pelo programa Outra Manhã em 1º/4, a jornalista e pesquisadora (PPCULT/UFF) Flora Daemon não hesitou ao lançar a frase que, por colocar em segundo plano outra organização jornalística, contraria a visão convencional sobre o tema. A segurança da entrevistada apoia-se num feito notável. Dias antes, ela e outros quatro coautores haviam lançado, em São Paulo, o livro A serviço da repressão. Construída após ampla pesquisa documental e dezenas de entrevistas, a obra traça um panorama vasto da colaboração entre o jornal que cunhou o termo “ditabranda” e o regime pós-64 – inclusive os seus porões.
As informações sobre o uso de caminhões de distribuição da Folha da Tarde para disfarçar a perseguição e o assassinato de opositores do regime são razoavelmente conhecidas. Mas apareciam descosturadas de uma relação mais ampla. A serviço da repressão preenche esta lacuna. A parceria entre o Grupo Folha e a ditadura aparece como algo que começa ainda antes do golpe, acompanha as distintas fases do período autoritário, assume múltiplas feições e envolve uma barganha. Os afluentes empresários que dirigiram o jornal à época colaboraram com a ditadura no plano editorial, na montagem de “operações psicológicas” em que a esquerda era equiparada ao “terror” e no acobertamento de operações sangrentas. Em contrapartida, podem ter recebido apoios que resultaram na montagem de uma estrutura gráfica invejável, na aquisição favorecida de diversos jornais atingidos pelos militares, em modernização tecnológica e até na compra da TV mais influente à época (a Excelsior).
Tudo está documentado em A serviço da repressão. Um dos primeiros relatos recuperados pelo livro é a publicação, em 1º de abril de 1964, de um suplemento especial que celebra o “novo Brasil” pós-golpe. Como teria sido preparado, na era dos jornais impressos, sem o conhecimento e participação dos proprietários da Folha na trama golpista? Que acordos garantiram a presença, em suas páginas, de grandes anúncios, pagos por algumas das maiores empresas brasileiras?
Assim como ajuda a revelar a articulação empresarial-midiática presente na trama do golpe, o livro fornece elementos para compreender a participação da imprensa no ocaso da ditadura e na transição controlada para um regime civil. Um dos capítulos narra o estímulo do general Golbery do Couto e Silva, eminência parda do governo Geisel, à “modernização” do jornal – que deveria distanciar-se da ditadura para não perder influência. E revela que, embora sob nova roupagem, a Folha permanece submissa. Em 1977, diante de um incidente menor, Otávio Frias de Oliveira, então único proprietário do jornal, aceita a ordem para demitir Cláudio Abramo, o chefe de redação que comandara a suposta “virada”.
Por trás das palavras, mostra o livro, há sangue. No trecho a seguir – Militares e policiais na estrutura da empresa – os autores narram como a Folha abrigou, no prédio de sua redação, agentes dos porões da ditadura. Tinham sala, salário, telefone, secretária e carro. Mas sua função em nada se relacionava com a atividade jornalística ou administrativa do jornal. Apenas acobertava o verdadeiro papel – espionar e denunciar “elementos perigosos” – alguns dos quais foram torturados e mortos.
A serviço da repressão é fruto de uma luta fundamental. O primeiro impulso para o livro veio de um dos braços da Comissão da Verdade sobre a ditadura – o que investigou o papel de grandes empresas privadas no apoio ao regime e a seu aparato repressivo. Dez grupos empresariais foram destacados: a Folha de S.Paulo é um deles. Conhecer a história narrada pela obra é também um ato de luta por um novo país. (Apresentação: Antônio Martins)
Militares e policiais na estrutura da empresa
Nossa pesquisa buscou avançar com as investigações sobre os já conhecidos casos de policiais e agentes da repressão que atuaram no quadro de funcionários do Grupo Folha (Sequeira, 2000; Kushnir, 2004; Pilagallo, 2012) e as possíveis relações de proximidade com o regime que, a partir daí, se estabeleceram. Na primeira parte deste livro, já descrevemos como eles atuavam, não apenas na Folha da Tarde, mas também em outras empresas do grupo, como o Notícias Populares, a Agência Folhas e a própria Folha de S.Paulo. Ocupavam cargos e funções variadas.
Vale lembrar o nome daqueles mais conhecidos, além de Antônio Aggio: Carlos Dias Torres, investigador de polícia; Carlos Antônio Guimarães Sequeira, delegado e agente do DOPS; Edson Corrêa, major da PM; Antônio Bim, delegado; Generoso Grutilla, delegado; Horley Antonio Destro, policial; Armando Gomide, policial; Waldemar Ferreira de Paula, policial); Messias Ayrton Scatena, carcereiro do DEOPS; Luiz Carlos Rocha Pinto, delegado; e outros funcionários, como Antônio Piason, Paulo Nunes e Adhemar Langhi, que tinham relações muito próximas com a repressão.
Em depoimento dado à equipe, Sebastião Ferreira da Silva — o Ferreirinha, conhecido motorista da Folha, que trabalhou por quase duas décadas na empresa — confirma que havia vários agentes da repressão nas redações do grupo, em especial na Folha da Tarde:
Eu não gostava muito do pessoal da Folha da Tarde, porque lá tinha muita polícia e você não sabia quem era. Tinham muitos que trabalhavam lá e você não sabia quem eram. Eu não sei, eu tenho medo de falar também, porque eu ia no DOPS, eu via o que eles faziam com as pessoas para as pessoas confessarem, enfiavam prego na… Então, eu tenho muito receio, eu via como eles batiam nas pessoas, na parede, com jato d’água. Eu morro de medo dessas coisas, porque eu estou velhinho. Eles vão fazer mais o que comigo, né? Mas eu vi isso, eu vi. Isso revolta a gente. Revolta e revolta muito.
[…] Estive [no DOPS], estive em tudo quanto foi lugar que você pode imaginar. Nas Agulhas Negras, em tudo, fazendo matéria. […] Eu ia com repórter, eu ia de motorista. Repórter, fotógrafo e eu, como motorista. Eu entrava em tudo quanto era lugar1.
Ainda com relação aos agentes do DEOPS, Ferreirinha atestou que vários trabalhavam na garagem da Barra Funda, onde ficavam os caminhões e os carros de reportagem. Seu depoimento não deixa claro, porém, se esses agentes eram contratados pela empresa. Ele acredita que muitos “vinham fazer bico”, trabalhando, por exemplo, como seguranças nas portarias, à paisana: “Tem lugar que você chega, é um policial que está lá, e você não sabe que ele é policial”. De qualquer forma, ele afirma ter certeza de que eles estavam ali por ordem de alguém da direção: “Não sei quem era que dava ordem para eles trabalharem lá. Eles sabiam quem era”2.
O jornalista Sérgio Gomes da Silva, que foi repórter da Agência Folhas, também deu um depoimento que confirma a presença de agentes da repressão na portaria da empresa, na Alameda Barão de Limeira. Ele conta que quando voltou a trabalhar, após sua prisão, reconheceu um carcereiro do DEOPS trabalhando como segurança na entrada do jornal: “Aí ficou claro para mim que em todo lugar tinha alguém”3. Ele fala, ainda, sobre os policiais que trabalhavam como jornalistas e eram, em sua maioria, funcionários da Secretaria de Segurança Pública:
se comportavam mesmo como repórteres de cadeia, repórteres de polícia que, basicamente, davam a palavra sempre à polícia. E se transformaram em verdadeiros policiais, traficavam notícias, informações, essas coisas […] Na Folha da Tarde era praticamente toda a redação. Era uma redação com autonomia para fazer um jornalismo do ponto de vista da polícia4.
Para Sérgio Gomes, essa relação de proximidade do Grupo Folha com as estruturas repressivas da ditadura não teria ocorrido sem a anuência dos dirigentes da empresa:
Ninguém ia contratar essas pessoas com o desconhecimento deles. Havia uma política de que tinha que ter a segurança com o que de mais seguro fosse. O que tinha de mais seguro do que contratar agente da própria polícia? […] O Frias tinha muitos compromissos extra jornalísticos que o obrigavam a ter relações com as coisas do poder5.
Outro jornalista do grupo, Oswaldo Luiz “Colibri” Vitta, afirmou que a presença de policiais nas redações da Folha era algo comum, sendo que os editores da Agência Folhas tinham relações de maior proximidade com delegados e agentes de segurança da ditadura:
O seu editor, da agência, sabia mais do que você que ia no local, porque ele tinha uma relação com o delegado, ele conversava: “Olha, você tem que escrever isso aqui, isso aqui e isso aqui”. Perguntei onde ele pegou aquilo: “O delegado é meu amigo, falei com ele, ele me contou que esse grupo aí, esse bando que foi preso e tal”. […] Você via que eles tinham uma relação com o poder, no caso, com a polícia. Eles tinham uma relação muito tranquila, eram amigos. Os caras saíam juntos, bebiam juntos no bar. Os bares da Barão de Limeira são a prova disso, na época, que o pessoal saía junto com os delegados. Às vezes, quebrava um galho para alguém que tinha algum problema na polícia, o cara ficava sabendo antes, através das editorias de Polícia, porque os editores tinham relação direta com os delegados, e os delegados eram ligados à repressão.
[…] Na editoria de Polícia, o editor tinha sempre uma relação mais direta e promíscua mesmo. Estou falando promíscua porque era uma coisa de amigos mesmo, de ligar para o cara e saber informações e tal. E, nessa época, você já começava a ter notícias de quem estava sendo preso. Isso era preocupante, e todo mundo estava sob suspeição a qualquer momento. Era uma coisa assim, um clima, o clima estava posto assim. A gente sabia disso. E a gente convivia com esse pessoal, nem sempre numa b6.
Antonio Carlos Fon, que atuou como auxiliar de contabilidade do Grupo Folha, conta que certos policiais e militares contratados pela empresa, alguns deles agentes do DOI-CODI, trabalhavam com metralhadoras em cima da mesa: “A Folha vai negar isso também? Tem gente viva para provar […]. Quem faz isso não faz jornalismo. Quem faz isso, faz crime”7.
De acordo com José Luiz Proença, esses funcionários tinham uma posição clara de defesa do governo militar: “Não era uma defesa conceitual do empresariado ou coisa que o valha, mas era uma defesa da posição dos militares no comando do país”8. Na sua visão, os dirigentes da Folha foram muito “inteligentes” nesta aproximação com o regime, pois souberam utilizar a situação política como uma espécie de escudo: “Ah, não me encha o saco, porque eu tenho aqui a Folha da Tarde”. Ao mesmo tempo, o jornalista acredita que esta situação se deu porque os empresários acabaram ficando “meio desesperados” com a conjuntura que se descortinava, sobretudo depois do AI-5: “Foi esse momento de corrida de contratação de pessoal de segurança etc. Acho que aí eles abriram as porteiras de vez. […] Eles precisavam daqueles caras lá”9.
O jornalista Jorge Okubaro afirmou que a presença sistemática de policiais e militares ligados à repressão na redação de jornais ocorreu apenas no Grupo Folha e que só “alguém com grande poder de decisão permitiria que isso acontecesse”10. Essa posição era, na verdade, “confortável” para o Grupo Folha, já que lhe garantia benefícios políticos e econômicos:
Políticos, no sentido de que o apoio à ditadura implicava algumas facilidades para algumas pessoas. […] E também interesses econômicos dos controladores da empresa Folha da Manhã; era uma forma de continuar vendendo jornal e ficar de bem com a ditadura. Eles fizeram isso, gostosamente, e ganharam dinheiro com isso, além de terem aliviado eventuais pressões políticas. […] A Folha tinha interesses também, de se manter em paz com a ditadura. […] A Folha serviu gostosamente à ditadura.
O resultado foi um grande impulso de vendas, foi uma aproximação da empresa Folha da Manhã com os órgãos mais repressivos do regime militar, no período mais repressivo do regime militar. […] Todas as decisões lhe traziam conforto perante a parte mais obscura do regime militar11.
O Grupo Folha contratou policiais e agentes de repressão para atuarem em seus jornais em diferentes setores, como porteiros, seguranças, repórteres e editores. Dois deles merecem destaque por conta do cargo que ocupavam na hierarquia da repressão e em função dos papéis que exerciam dentro da empresa jornalística. Trata-se dos irmãos Edward e Roberto Quass, ambos delegados do DEOPS de São Paulo.
Os dois Quass tinham prestígio dentro da instituição, tendo participado de importantes operações de repressão às oposições. Ambos os irmãos são mencionados em um longo relatório da Secretaria de Segurança Pública do estado sobre a Operação Ibiúna, que resultou na prisão de centenas de estudantes que tentavam realizar um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 196812. Roberto Quass aparece como tendo participado da primeira fase da operação, que consistiu em um levantamento prévio de informações acerca do congresso. Edward Quass, por sua vez, figura na lista dos agentes envolvidos na terceira fase da operação, que tratava da condução do inquérito policial, caracterizado no documento como “um dos mais volumosos de que se tem notícia”. Para os que participaram dessa etapa, o relatório apresentava um elogio: “trabalho árduo e estafante que exigiu, para sua elaboração, a constante dedicação das seguintes autoridades, escrivães e investigadores”.
Levando em conta a centralidade que o caso da prisão dos estudantes de Ibiúna tem na história da repressão às organizações de esquerda, é bastante relevante que os Quass tenham ocupado importantes postos nessa operação. Roberto se tornou, depois, diretor de informação do DEOPS. Os dois irmãos não eram, portanto, agentes quaisquer dentro da estrutura da repressão.
Em 30 de agosto de 2024, dia em que estávamos fechando o texto final deste livro, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação na justiça contra 46 agentes da ditadura, dentre os quais está Roberto Quass. A ação diz respeito à prisão e às torturas sofridas por Denise Peres Crispim, companheira de Eduardo Collen Leite, o Bacuri. Denise estava grávida de sua filha Eduarda à época das violências perpetradas contra ela. Segundo o MPF, não há dúvida quanto às responsabilidades do réu13. A inclusão de Roberto Quass em uma ação como réu, acusado de participar das torturas a uma mulher grávida, reforça sobremaneira a importância da investigação acerca dos laços que ele e seu irmão mantinham com o Grupo Folha.
A proximidade dos delegados do DEOPS com Octavio Frias de Oliveira e a presença de ambos dentro da sua empresa jornalística poderia se justificar pela ideia de que Frias e sua família solicitaram proteção ao Estado em função dos atentados aos carros de distribuição de jornais da Folha e das ameaças proferidas pela ALN. A presente pesquisa, no entanto, ao cruzar datas e dados oficiais14 referentes à contratação dos referidos policiais, identifica o caráter orgânico e prévio das vinculações entre Frias e Caldeira com a família Quass.
Foi em 21 de setembro de 1971 que o Grupo Tático Armado da ALN promoveu a primeira empreitada contra o Grupo Folha, incendiando dois carros da empresa. Em 26 de outubro do mesmo ano, a organização queimou o terceiro veículo do jornal. Na edição do jornal Venceremos referente aos meses de setembro, outubro e novembro foi publicada a ameaça de justiçamento de Frias. Ao observarmos as informações oficiais referentes à contratação de integrantes da família Quass pelo Grupo Folha a que tivemos acesso, notamos que alguns membros já constavam como formalmente vinculados à empresa antes dos episódios da queima dos carros e das ameaças de justiçamento.
Roberto Quass foi admitido em 1º de janeiro de 1961 como datilógrafo e recepcionista de noticiários. Joseph Quass Filho foi contratado em 16 de agosto de 1970 como auxiliar de escritório vinculado à direção do Grupo Folha. Joseph Quass, irmão de Roberto e Edward, foi admitido em 16 de setembro de 1971 como auxiliar de auditoria, também vinculado à direção da empresa.
Edward Quass não apenas zelava pela segurança dos proprietários do Grupo Folha, mas de todo o patrimônio da empresa. Ele era chefe de segurança do grupo e trabalhava diariamente no jornal, onde tinha sala própria e secretária. A presença desses indivíduos atesta uma problemática relação de proximidade de Frias e Caldeira com agentes que cumpriam funções significativas na engrenagem repressiva da ditadura. A ameaça direcionada a Octavio Frias por membros da ALN justifica uma atenção especial por parte da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo à sua família e à do seu sócio, mas não explica a contratação, com vínculo trabalhista e remuneração direta, de delegados do DEOPS para atuarem como funcionários da empresa jornalística, muito menos em cargos de gestão, como era o caso do Edward Quass.
Não foi possível saber quem convidou os integrantes da família Quass para trabalhar na empresa Folha da Manhã S.A. É verdade que o vínculo funcional de um deles antecede a aquisição do jornal por Frias e Caldeira. A admissão dos outros três, no entanto, ocorreu sob a responsabilidade dos referidos empresários. Reiteramos, nesse sentido, que Roberto e Edward Quass não devem ser interpretados como mais dois policiais que atuavam no Grupo Folha. Eles eram reconhecidos delegados do DEOPS de São Paulo, que acumulavam acusações a seu respeito e exerciam um papel central na empresa jornalística no que se refere à segurança dos dirigentes e de seu patrimônio, bem como às ações de vigilância interna, conforme veremos.
O jornalista Boris Casoy, que trabalhou como editor-chefe da Folha de S.Paulo, confirmou, em entrevista dada à equipe, que Edward Quass era chefe de segurança da empresa. O jornalista conta que Quass frequentava diariamente o prédio da Folha, na Barão de Limeira, onde possuía uma sala, um departamento próprio. Quando tinha algum problema, Boris pedia à sua secretária para ligar diretamente para o “doutor Quass”: “Ele circulava, fazia parte da rotina dele. Ele não era guarda, mas supervisionava se as pessoas estavam nos lugares certos. […] Era tudo com o Quass”15.
O jornalista José Luiz Proença também se recorda da presença constante do delegado Quass nas dependências da empresa:
Ele era uma pessoa que a gente via quase diariamente na entrada do prédio, ele estava sempre por ali, conversando. Era um sujeito que frequentava muito a sala do Aggio, ele sempre andava por lá. Algumas vezes que eu estive lá, participando de alguma reunião junto com o Frias, a gente acabou se cruzando (…) Você estava na Folha, o Quass estava lá, sempre estava em alguma coisa. Várias vezes eu o vi entrando na sala do Aggio para levar alguma notícia, levar algumas recomendações para ele. Ele era talvez o cara de ligação mais importante16.
José Luiz Proença acredita que Edward Quass deveria ter algum tipo de envolvimento, ou até mesmo uma relação direta, com o empréstimo dos carros da empresa aos aparatos repressivos:
Eu acho que ali a coisa era decidida com o Quass. Eu acho que essa parte era a parte de ligação dele. Acho que algum delegado falava: “A gente vai fazer uma ação assim, precisa de um disfarce e tal”. Eu acho que era uma relação assim. O Quass, em função da própria presença dele na empresa, acho que era um negociante nessa área.
[…] esse cara estava lá para que, a ponto de dar expediente diário? Não sei se ele participava, se ia junto e tal. Acho que nem ia, pegava um investigador da polícia e punha como motorista17.
O jornalista Jorge Okubaro conta que Edward Quass era uma pessoa importante, que tinha relações próximas com Frias e frequentava seu gabinete18. Sobre a função do delegado na empresa, ele afirma:
Naquele momento, eu imaginava que seria apenas para garantir a segurança material da empresa e a segurança pessoal dos seus funcionários. Mais tarde, dava para entender que era também um mecanismo de relacionamento da empresa Folha da Manhã com as forças da repressão. Era, digamos, a forma institucional pela qual a Folha se juntava à repressão. Mas eu acho que havia outras, não era apenas essa. O Quass talvez fosse um elemento importante do ponto de vista estrutural. Havia outros, talvez, informais. Outras formas de contato, talvez informais19.
Essa visão é reforçada pelo depoimento de Carlos Alberto Augusto (“Carteira Preta”), investigador de polícia que atuou no DEOPS-SP e integrava a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury: “Eu sei o seguinte: se tinha um delegado lá [na Folha], ele estava cumprindo missão oficial sim”20. Ele afirma que Edward Quass era um delegado de confiança da alta cúpula do regime, que atuava em operações conjuntamente com Fleury: “Doutor Quass era informação, era papel, o doutor Fleury era operação, era dar o bote”21.
Ivan Seixas também defende que os irmãos Quass não devem ser vistos apenas pelos cargos que ocuparam na segurança particular ou patrimonial do Grupo Folha, uma vez que atuavam como “segurança oficial de um departamento de tortura e assassinato chamado Departamento de Ordem Política e Social, DEOPS” e, com isso, pareciam prestar um “serviço de troca”, abrindo portas para ambos os lados: “O Roberto Quass era um torturador, não é uma pessoa qualquer, e ele passa a conviver intimamente com a família do Frias. Eu não poria um cara desse dentro da minha casa, a não ser que eu fosse amigo, a não ser que eu confiasse nele. O Frias fez isso”22.
Frei Betto faz, a esse respeito, uma análise precisa:
Uma maneira da empresa se dar bem com o sistema era essa: deu todo espaço, assim como entregou a direção da Folha da Tarde a policiais. A empresa queria estar bem com quem estava mandando, e sobretudo num regime de terror, que era o que o Estado brasileiro praticava, terrorismo de Estado. Então, a empresa queria se acobertar e por isso empregava esse pessoal23.
Roberto Quass foi o responsável pela contratação de ao menos um dos chamados “arrependidos” para trabalhar na Folha da Tarde como jornalista. De acordo com Marcos Vinicio Fernandes dos Santos, como vimos, “foi o Roberto Quass que me indicou para entrar lá (…). Aí eu entrei direto. Ele era delegado do DEOPS. O Frias, dono da Folha, deixava ele fazer o que quisesse lá”24.
Nossa investigação revelou, ainda, outra grave acusação direcionada aos irmãos Quass e ao Grupo Folha. Trata-se do caso protagonizado por Paulo Frateschi, então militante da ALN.25 Frateschi foi preso pela Oban quando tinha 19 anos, em julho de 1969, e ficou detido no DEOPS até novembro do mesmo ano, quando o juiz da Auditoria Militar determinou sua soltura. De acordo com ele, o processo de libertação foi precedido por intimidações e ameaças por parte do delegado Sérgio Paranhos Fleury, que, ao final, convocou um outro delegado para realizar os encaminhamentos da sua soltura:
Este delegado me acompanhou até a carceragem, deu baixa nos papéis e me levou até a portaria principal do Largo [General Osório], onde meu pai me esperava. A partir daí é que aconteceu o inusitado. Saímos os três e caminhamos até o saguão de entrada do jornal Folha de S.Paulo, na Barão de Limeira. Ali nos esperava outro delegado que fazia parte da segurança do jornal. Eles se reuniram num canto e eu fiquei esperando por alguns minutos até que me liberassem e finalmente eu pudesse sair em companhia do meu pai. Já na calçada perguntei o que significava aquilo tudo e por que não havia sido liderado lá no DOPS. Muito emocionado, ele pediu que eu não perguntasse nada e que não me preocupasse. Contou apenas que o outro homem também era delegado, que eram irmãos, e que estava tudo certo. Fiquei com a impressão de que no jornal Folha de S.Paulo funcionava uma sucursal da repressão. E que o meu pai havia sido achacado26.
Paulo Frateschi conta que seu pai, Nelson, vendeu naquele período um dos seus imóveis. Ele acredita que o dinheiro da venda foi usado para pagar os delegados naquele dia, no saguão do prédio da Folha. Seu relato apresenta revelações graves sobre os irmãos Quass e a empresa Folha da Manhã S.A. Ainda que não seja possível afirmar que Frias e Caldeira soubessem das extorsões promovidas contra militantes, ambos eram responsáveis pelo que ocorria nas dependências de sua empresa, tanto no que se refere ao uso dos carros pela repressão quanto no que diz respeito a situações como esta, de acosso, ameaça e achaques. O fato de os irmãos Quass utilizarem o saguão do Grupo Folha, local de ampla circulação, para realizarem uma operação que incluía o pagamento ilegal para a soltura de um preso político demostra o quanto a empresa havia se tornado um espaço de livre ação para os agentes da ditadura. Não é à toa que Frateschi reconhece a Folha como “sucursal da repressão” naquele momento.
Para além dos depoimentos coletados, a pesquisa sistematizou uma série de documentos que comprovam que Edward Quass ocupava um cargo significativo dentro da estrutura da empresa, atuando também, juntamente com seu irmão Roberto Quass, como segurança pessoal dos dirigentes da Folhae seus familiares. Em relatório de 26 de setembro de 1971, localizado no Arquivo Público do Estado de São Paulo, o DEOPS-SP afirmou ter colocado “à disposição do Dr. Edward Quass dois homens pertencentes a esta equipe, para darem cobertura policial à residência do Sr. Carlos Caldeira Filho”, dirigente do grupo Folha à época, “[…] incluindo também para o referido serviço uma metralhadora de n. 70.U.76”27.
Localizamos, ainda, um inquérito produzido pelo Superior Tribunal Militar, em 1973, envolvendo dois funcionários do grupo, que evidencia, de forma clara, como os irmãos Quass exerciam cargos de confiança na empresa, sob o aval de seus dirigentes, ao mesmo tempo que colaboravam sistematicamente com atividades da repressão. O documento, disponível no acervo do site Brasil: Nunca Mais Digit@l, versa sobre Messias Ayrton Scatena e Helena Miranda de Figueiredo, ambos funcionários do Grupo Folha. Scatena, que também era delegado do DEOPS, teria passado informações privilegiadas para Helena Miranda, de quem era amante. Ela, por sua vez, teria repassado essas informações para seu namorado, pertencente a uma organização de esquerda.
Ayrton Scatena e Helena Miranda de Figueiredo foram detidos após terem seus telefones interceptados pelo DEOPS. No inquérito, Scatena afirmou que, além de repórter da Ultima Hora e segurança no DEOPS, “participava de serviços de repressão, combate a subversão e terrorismo”, tendo atuado entre cinco a dez diligências no período de três anos em que exerceu o cargo na delegacia28. O policial-jornalista disse ter uma relação próxima com Octavio Frias de Oliveira, uma vez que trabalhava como seu motorista pessoal e segurança de seus filhos. Afirmou, ainda, que o diretor do Grupo Folha lhe depositava “grande confiança” e que fora liberado da função de jornalista da empresa “para se dedicar integralmente à segurança da família […], sem prejuízo dos vencimentos”29.
De acordo com o inquérito, a contratação de Messias Ayrton Scatena fora recomendada pelo seu chefe, o delegado do DEOPS-SP Edward Quass — que, juntamente com seu irmão e também delegado de polícia, Roberto Quass, como dito anteriormente, chefiava os serviços de segurança das empresas pertencentes ao grupo Folha. O documento menciona a proximidade de ambos com o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que “também participava dos mesmos serviços e mais especificamente relativamente a subversão e terrorismo”30.
Helena Miranda de Figueiredo trabalhava na Folha desde 1962. A jornalista, conhecida como Tia Lenita, criara e era editora do caderno infantil Folhinha e da Folha Feminina31. Foi detida na véspera do Natal de 1972 e ficou encarcerada até fevereiro do ano seguinte. A jornalista relata que foi torturada durante quase todo o período:
Fiquei três meses apanhando de manhã, de tarde e de noite. Me quebraram sete costelas a murro. Vinham dois pela frente e dois por trás e batiam. Aí arrebentava tudo por dentro. Me fizeram engolir literalmente as páginas da Folhinha. Foi horrível (…). Eles faziam uma bolinha e mandavam eu engolir. A primeira você engole, a segunda vai, a terceira… Sangra a garganta, acho que por isso tive esse câncer na laringe. Como no seio também. De tanto choque que eu levei, eu perdi um seio. Isso arruinou a minha vida.
De acordo com seu relato, as torturas na prisão só cessaram após intervenção direta de Octavio Frias com o delegado Edward Quass:
O Frias mandou o Quass, que era segurança da Folha e investigador do DOPS. O irmão dele, o Roberto Quass, também era do serviço de inteligência. Falou para o Quass quando ficou sabendo: “Vá lá, e não toque mais nessa moça” (…). E acabaram as sessões de tortura. Acho que depois fiquei mais um mês, um mês e meio. Mas nunca mais me tocaram32.
Um informe do Serviço Nacional de Informações sobre Samuel Wainer33, à época diretor de redação da Ultima Hora, traz outras informações sobre a atuação dos irmãos Quass no Grupo Folha. Em uma passagem do relatório sobre o repórter José Maria Afonso de Souza, o SNI suspeita que ele tenha recomendado o jornalista Humberto Kaoru Kinjô, membro da organização Polop, para um trabalho em um jornal colombiano. Segue-se, então, o seguinte trecho:
Sucedeu que elementos de segurança do grupo FOLHAS (são do DEOPS liderados pelo Delegado Edward Quass) descobriram sobre a mensagem enviada e o detiveram. Ele foi levado àquela repartição policial, prestou declarações e foi liberado em seguida. O presidente do Grupo FOLHAS, Sr Octavio Frias de Oliveira, determinou sua demissão do cargo (grifos nossos)34.
Trata-se de um trecho revelador. Indica que funcionários liderados por Edward Quass vigiavam os jornalistas do Grupo Folha e os denunciavam, caso achassem necessário. Aponta, ainda, que o jornalista Humberto Kinjô teria sido demitido por Octavio Frias por motivação exclusivamente política.
Outro documento significativo é uma comunicação interna emitida pelo Departamento de Transportes da Folha para a “Auditoria do Dr. Quass”, que informava sobre um furto do “veículo de prefixo nº 76”, ocorrido em 8 de junho de 197235. O fato de a empresa despachar um documento interno, direcionado a um funcionário que era também um agente da repressão, um delegado do DEOPS, é mais uma prova material da cumplicidade e da proximidade da empresa com o aparato repressivo da ditadura.
Para justificar a presença de policiais e agentes da repressão em seus quadros funcionais, o Grupo Folha costuma lembrar, em seus textos institucionais, que a empresa também contratou profissionais de esquerda, como Cláudio Abramo, e ligados à luta armada, como era o caso de alguns jornalistas que trabalharam na Folha da Tarde antes de o jornal passar para o comando de Antonio Aggio.
Em texto recente, publicado após a divulgação de alguns resultados da nossa pesquisa, o Grupo Folha buscou se desresponsabilizar por sua atuação alinhada à repressão por meio desse mesmo argumento. O jornal reproduziu um trecho do memorial de Oscar Pilagallo, escrito em 2005, em que ele afirma que Frei Betto teria extrapolado o papel de jornalista: “Ele próprio declarou em Batismo de Sangue, livro de 1982: ‘Promovido a chefe de reportagem, mantive um setorista no DOPS que me passava informações sobre operações repressivas, de modo a prevenir os alvos visados’”36.
O fato de o então chefe de reportagem integrar os quadros da ALN e se valer da sua posição no jornal para lutar pelo fim da ditadura não o coloca em posição de equivalência aos agentes de repressão e aos apoiadores do regime. Enquanto Frei Betto buscava formas para garantir o retorno da democracia no país, figuras como Aggio ou os irmãos Quass favoreceram, com a conivência de empresários como Frias e Caldeira, ações que culminaram em perseguição, tortura, morte e desaparecimento de jovens que se engajaram na luta contra a ditadura.
Tal perspectiva reducionista ficou conhecida na Argentina como “teoria dos dois demônios” (Crenzel, 2020; Franco, 2014), e nada mais é do que a interpretação de que os atos de violência perpetrados pela ditadura seriam, em alguma medida, equiparáveis às ações promovidas pelas organizações guerrilheiras que lutavam contra a repressão. Sugerir que o papel de Frei Betto, em defesa da democracia, tem alguma similaridade com o que foi desempenhado por pessoas que colaboraram com violações de direitos humanos revela, senão má-fé, um desconhecimento sobre o contexto político em questão.
Notas:
1. Sebastião Ferreira da Silva, entrevista à equipe em 18 de fevereiro de 2022.
2. Sebastião Ferreira da Silva, entrevista à equipe em 18 de fevereiro de 2022.
3. Sérgio Gomes, entrevista à equipe em 18 de fevereiro de 2022.
4. Sérgio Gomes, entrevista à equipe em 18 de fevereiro de 2022.
5. Sérgio Gomes, entrevista à equipe em 18 de fevereiro de 2022.
6. Oswaldo Luiz “Colibri” Vitta, entrevista à equipe em 27 de maio de 2022.
7. Antonio Carlos Fon, entrevista à equipe em 26 de maio de 2022.
8. José Luiz Proença, entrevista à equipe em 18 de janeiro de 2023.
9. José Luiz Proença, entrevista à equipe em 18 de janeiro de 2023.
10. Jorge Okubaro, entrevista à equipe em 13 de fevereiro de 2023.
11. Jorge Okubaro, entrevista à equipe em 13 de fevereiro de 2023.
12. arquivo nacional, Fundo Serviço Nacional de Informações, notação br_dfanbsb_v8_mic_gnc_eee_80003019_d0001de0004.
13. Disponível em: https://www.mpf.mp.br/sp/sala-de-imprensa/docs/copy4_of_ACPscrimesdaditadura46exagentes.pdf. Acesso em: 14 de abril de 2023.
14. A partir das fichas funcionais dos funcionários do Grupo Folha, consultadas pela equipe com anuência da empresa. Dentre elas, não tivemos acesso apenas à ficha funcional de Edward Quass.
15. Boris Casoy, entrevista à equipe em 24 de janeiro de 2023.
16. José Luiz Proença, entrevista à equipe em 18 de janeiro de 2023.
17. José Luiz Proença, entrevista à equipe em 18 de janeiro de 2023.
18. Jorge Okubaro, entrevista à equipe em 13 de fevereiro de 2023.
19. Jorge Okubaro, entrevista à equipe em 13 de fevereiro de 2023.
20. Carlos Alberto Augusto, entrevista à equipe em 14 de fevereiro de 2023.
21. Carlos Alberto Augusto, entrevista à equipe em 14 de fevereiro de 2023.
22. Ivan Seixas, entrevista à equipe em 30 de março de 2023.
23. Frei Betto, entrevista à equipe em 11 de abril de 2023.
24. Marcos Vinicio Fernandes dos Santos, entrevista à equipe em 15 de fevereiro de 2023.
25. A equipe agradece ao jornalista Vasconcelo Quadros por indicar caminhos para a apuração dessa história.
26. Paulo Frateschi, entrevista à equipe em 22 de julho de 2023.
27. secretaria de segurança pública. Departamento de Ordem Política e Social. Relatório do Plantão. São Paulo, 26 de setembro de 1971. Arquivo Público do Estado de São Paulo, Fundo DEOPS, BR_SP_APESP_DEOPS_50-Z-129-10781.
28. brasil nunca mais. Ministério Público Federal. BNM 448. Ação Penal 829/73. Messias Ayrton Scatena e Helena Miranda de Figueiredo. Apelação STM 39.947, 1973, p. 130.
29. brasil nunca mais. Ministério Público Federal. BNM 448. Ação Penal 829/73, p. 125.
30. bnm 448; Ação Penal 829/73, p. 130-131.
31. A partir de 1974, Helena Miranda de Figueiredo passou a trabalhar como colunista da Folha da Tarde, na qual atuou por quase duas décadas.
32. Depoimento de Helena Miranda de Figueiredo (Tia Lenita) ao Projeto de História Oral da Folha, concedido em 7 de junho de 2017 a Carlos Kauffmann, em São Paulo.
33. Samuel Wainer, que tinha vendido a Ultima Hora para Frias e Caldeira em 1965, voltou a trabalhar no jornal em 1973.
34. serviço nacional de informações. “Informe — Samuel Wainer e o Grupo ‘Folhas’”. Arquivo Nacional, Fundo Serviço Nacional de Informações, notação br_dfanbsb_v8_mic_gnc_eee_81006124_d0001de0001.
35. empresa folha da manhã s/a. Comunicação interna nº 9372. Furto do nosso veículo de prefixo n. 72, 8 de junho de 1972. Arquivo Público do Estado de São Paulo, Fundo DEOPS, 50Z_129_052_12062.
36. Documento aborda trajetória do Grupo Folha no período da ditadura militar. Ilustríssima. Folha de S.Paulo, ano 103, n. 34.423, p. C6-7, 2 de julho de 2023.
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Bem que me parecia estranho o fato de o jornal usar tantas expressões em inglês. Agora mesmo dá notícia de uma tal de istoriterligue e outro dia foi romescholingue.