O que a educação precisa aprender ?


Seminário na URFJ debate desigualdades na Educação brasileira e lança pergunta incômoda: uma de suas causas não estará em termos desprezado, desde o início, os saberes dos não-brancos?
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MAIS:
“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde”
13, 14 e 15 de junho no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ
Avenida Carlos Chagas Filho, 373, Cidade Universitária (Campus Ilha do Fundão), UFRJ
Inscrições gratuitas, a ser feitas aqui
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O seminário “Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” apresentará um panorama crítico sobre as políticas e práticas educativas a partir da interculturalidade, descolonização e diversidades. Construindo essa análise estarão 30 pesquisadores na área  de educação, ciências e saúde da Bahia, Ceará, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, além do Rio de Janeiro e uma participação da Argentina. A programação inclui conferências, mesas de debates, mostra de filmes, apresentações artísticas, exposições e oficinas que relacionam a educação com teatro, alimentação, patrimônio e artes.

Katemari Rosa, física e filósofa da ciência, professora da UFBA, coordena o projeto “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Haverá três conferências. No dia 13, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Reinaldo Fleuri, que atua na área de movimentos sociais e educação intercultural, falará sobre “Educação e descolonialidade: aprender com os povos originários”. No dia 14, a argentina Ana Dumrauf, professora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade Nacional de La Plata, em Buenos Aires, falará sobre “Caminos de construcción pedagógica descolonizadora en Educación en Ciencias Naturales, Ambiental y en Salud: experiencias de articulación con movimientos sociales”. No dia 15 a conferencista será Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Nacional do Semiárido Brasileiro (ASA) no Ceará.

Entre as questões propostas no seminário está a seguinte: “É possível descolonizar as políticas públicas?” Nesse sentido, a relação entre intersecção entre gênero e raça será debatida por Katemari Rosa, pesquisadora em física e filosofia das ciências e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015, ela coordena o projeto de história oral “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Gersem Baniwa, da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da UFAM, falará sobre “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”

“O que a educação precisa aprender?”. A pergunta será debatida por três palestrantes, entre os quais Gersem Baniwa, professor  da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Gersen tratará o tema “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”. Como liderança indígena, ele foi dirigente da  Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Diretor-Presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP).

“Política da Diferença” será apresentada por Elizabeth Macedo, pesquisadora sobre cultura em matriz pós-colonial e pós-estrutural. É também coordenadora do grupo de pesquisa Currículo, Cultura e Diferença, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

As desigualdades no Brasil atual também serão analisadas sob a ótica da educação popular, educação quilombola e do campo. Além das mesas de debate e troca de experiências, o seminário contará com dois filmes, seguidos de debates com seus idealizadores.

O documentário “Anamnese”, produzido pelo cineasta Clementino Junior em parceria com o coletivo Negrex, mostra os percalços da vida acadêmica de estudantes negras e negros do curso de Medicina. As histórias conduzem à reflexão sobre o que é o sistema de ensino superior, que tipo de pessoas aceita e que profissionais forma. A sessão será seguida de conversa com Clementino e Pedro Gomes, do Negrex, no dia 14 de junho.

Já o filme “Fora de série”, dirigido por Paulo Carrano, coordenador do Observatório Jovem do Rio de Janeiro e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), relata o percurso de vida e o processo de formação escolar de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados em 13 escolas públicas da cidade. Ao final, Paulo conversa sobre juventude e escola. Será no dia 15.

Os participantes também poderão realizar oficinas, com o intuito de pensar processos educativos mais plurais. Entre as oficinas estão as sobre corporiedade e teatro, com a companhia Ciênica; Alimentação e cultura, com o projeto Culinafro; e Comida é Patrimônio, com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).

Uma apresentação de jongo do Quilombo da fazenda Machadinha, no município de Quissamã (RJ), marcará o encerramento do seminário.

“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” é organizado pelo Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Saúde, do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes), http://www.nutes.ufrj.br/ sob a coordenação do professor Alexandre Brasil, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

PROGRAMAÇÃO

13 de junho – Quarta
09h00-09h30: Atividade Cultural
Grupo Africanias, Escola de Música da UFRJ
09h30-10h: Mesa de Abertura
Representante da Reitoria da UFRJ
Representante da Decania do CCS
Representante da Direção do NUTES
Coordenação do Evento
10h – 12h: Educação e Desigualdades: desafios para o
Brasil
Givânia Maria da Silva, UNB
Guilherme Brokington, UFABC
Florence Brasil, UFRJ
Coordenação: Isabel Martins, UFRJ
13h30 – 14h30: Conferência
Reinaldo Fleuri, UFSC
Coordenação: Mirian Struchiner, UFRJ
14h30-16h30: Experiências do Sul: estratégias para a
formação de professores no Ensino de Ciências
Linguagens, desenvolvimento e ciências: experiências
na formação de professores no Timor-Leste
Suzani Cassiani, UFSC
Contribuições no enfrentamento das desigualdades
para o ensino de ciências na educação básica
Helder Eterno, UFU
Formação de professores(as) na perspectiva crítico-
dialética
Bárbara Carine Soares Pinheiro, UFBA
Debatedor: Roberto Brandão, professor na Educação
Básica
Coordenação: Bruno Monteiro (UFRJ)

14 de junho- Quinta
09h – 11h: Desigualdades na Educação: é possível decolonizar as
políticas públicas?
Intersecções entre gênero e raça: perspectivas para políticas
públicas de educação científica
Katemari Rosa, UFBA
Planejamentos e projetos em Educação
Daniel Cara, Campanha Nacional pela Educação
Por uma política da diferença
Elizabeth Macedo, UERJ
Debatedora: Mônica Francisco, Asplande
Coordenação: Leonardo Moreira, UFRJ
11h – 12h: Conferência: Ana Dumrauf, Universidad Nacional de
La Plata – Coordenação: Luiz Augusto Rezende, UFRJ
13h30-14h30: Exibição do Documentário “Anamnese”
Bate-papo com o diretor Clementino Júnior (Cineclube Atlântico
Negro) e Pedro Gomes (UFF) – Coordenação: Paula Ramos, UFRJ
14h30-16h30: Educação em Saúde e territorialidades:
aprendendo com as práticas populares
Perguntas e contribuições da educação popular em saúde no
enfrentamento as desigualdades
Julio Alberto Wong Um, UFF
Justiça Ambiental, Conflito Socioambiental, desigualdades sociais e
educação
Angélica Cosenza, UFJF (Juiz de Fora)
Educação quilombola: propostas para uma educação em saúde na
diferença
Rute Costa, UFRJ (Macaé)
Debatedora: Socorro de Souza, Fiocruz-DF
Coordenação: Laísa Santos, UFRJ

15 de junho – Sexta
8h30-10h30: Oficinas
Experiências para repensar à Educação em tempos de
desigualdades
Sala 1: Corporeidades e teatro: Ciênica
Sala 2: Alimentação e cultura: Culinafro
Sala 3: Decolonizarte
8h30-11h: Exibição do Filme “Fora de Série”, seguido
de bate-papo com o diretor Paulo Carrano (UFF)
11h-12h: Conferência
Cristina do Nascimento, ASA
Coordenação: Alexandre Brasil Fonseca, UFRJ
13h30-15h30: Desigualdades e diferenças: o que a
Educação precisa aprender
Educação para o manejo do mundo: experiências com a
educação indígena
Gersem Baniwa, UFAM
Interculturalidade e Educação do Campo
Rodrigo Crepalde, UFTM
Identidades, Currículos e Cultura
Thiago Ranniery, UFRJ
Debatedores: Celso Sanchez Pereira, UniRio
Stephani Kiara, UiniRio
Coordenação: Cristina Vermelho, UFRJ
15h30-16h30: Atividade Cultural
Jongo da Machadinha

Outras informações: [email protected]

TEXTO-FIM

São Paulo, território indígena?

160719-Índios
Curso de extensão, troca de saberes e artesanato indígena em São Paulo. Sob camadas de história, os rios, colinas e povos originários do Planalto de Piratininga

Por Redação


História e Cultura Indígenas em São Paulo
Sábado, 30/7, das 9 às 16h (aula conceitual) e domingo, 31/7, das 14h às 16h (aula de campo, partindo do Páteo do Colégio, Sé).
Na casa de Outras Palavras – Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – Metrô S. Joaquim ou Brigadeiro (mapa)
R$ 150 – Gratuidades e descontos para membros de Outros Quinhentos
Programa e ficha de inscrição ao final do texto

“Piratininga é uma das maiores cidades indígenas e nordestinas: sabe por que?” Com essa pergunta, Casé Angatu Xukuru Tupinambá convida para o curso “Histórias, Culturas, Protagonismos Indígenas e a Cidade de São Paulo”, a ser realizado nos dias 30 e 31 de julho no espaço do Outras Palavras. Adverte, contudo, que não pretende oferecer uma resposta, mas a construção de formas de reflexão sobre essa pergunta.

Grande narrador, o indígena Casé (de nome não-índio Carlos José Santos), morador da aldeia Gwarini Taba Atã do Território Tupinambá em Olivença, Bahia, é também profundo conhecedor do assunto. É historiador, doutor pela FAU-USP, mestre pela PUC-SP e docente da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus.

Combinadas, essas duas qualidades conferem ao curso uma vivacidade que permite enxergar, sob as camadas da História, a São Paulo de Piratininga que nasce com um colégio de jesuítas para catequizar índios, fundado entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú. Continuar lendo

Em vídeo, a nova ofensiva de Temer contra os índios

Um dos líderes da bancada ruralista reafirma compromissos do presidente em exercício com fim das demarcações de terras. Gravação revela: é urgente mobilização nacional em defesa dos povos originários

Por Casé Angatu

Em saudação à Associação de Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema – ASPAIUB (Sul da Bahia) o Deputado Federal Luis Carlos Heinze (PP/RS) expressa o que chamamos de fundamentalismo ruralista de cunho racista e violento, baseado num discurso de ódio contra os Povos Indígenas. No vídeo, os escolhidos para serem ofendidos foram os Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia). Entre outras coisas o Deputado Ruralista afirma o seguinte:

“Quero saudar a Associação de Pequenos Agricultores – ASPAIUB dos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema. Nós estamos/continuamos trabalhando para desmontar a farsa da questão indígena. Agora com o novo ministro da Justiça, nós estaremos com ele na próxima semana para mudarmos a direção da FUNAI … para acabarmos a ideologia, para acabarmos com as mortes que tivemos de pequenos produtores de todo o Brasil, inclusive desta região, produtores que foram assassinados barbaramente (…) Portanto, contem conosco. A CPI da FUNAI está desmascarando está gente. A PEC 215 vai continuar e com o novo Ministro da Justiça vamos dar uma nova direção para todos estes casos. As portarias e decretos de desapropriação … estamos trabalhando para desmanchar muitos destes decretos e portarias (…) Portanto, contem conosco. Nós, lá do Rio Grande do Sul, queremos ajudar aos produtores da Bahia e de todo Brasil que estão sofrendo por esta questão indígena, que está atrapalhando nosso país (…) Podem crer que agora estamos sob nova direção. Vamos levar este assunto também à um baiano e conterrâneo de vocês, Geddel Vieira Lima, que hoje esta no Palácio do Planalto junto com Michel Temer “(1).

Uma das primeiras dimensões que vem a tona na fala do deputado federal ruralista Luis Carlos Heinze (PP/RS) é que ele incita o acirramento à violência, racismo e ódio existente na região de Ilhéus, Una e Buerarema (Sul da Bahia) contra o Povo Tupinambá. Agora, fica claro que não são os Tupinambá que causam as situações de violência existentes na região, mas o discurso/ações propostas e efetuadas por pessoas como Heinze.

Da mesma forma, é a demora na demarcação do Território Indígena do Povo Tupinambá um dos elementos geradores dos conflitos existentes. Vale lembrar que o Relatório Demarcatório do Território Tradicional Tupinambá foi concretizado pela FUNAI e publicado no Diário Oficial da União em abril de 2009. Porém, até o momento, mesmo após vencidos todos os tramites jurídicos e administrativos, o ministério da Justiça e governo federal ainda não “assinaram” a demarcação.

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Noite de luta em Brasília: uma crônica que não saiu na TV


Em atitude cheia de simbolismos, povos ocupam Câmara no aniversário da Constituição. Apesar das ameaças de Cunha, ninguém dormiu — os tambores não deixaram

Texto e vídeo: Cibelih Hespanhol

05 de outubro de 1988: a Constituição Federal era promulgada.

05 de outubro de 2015: povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais ocupavam o plenário I, anexo II, da Câmara dos Deputados em Brasília. Insatisfeitos com a Audiência Pública que, pela tarde, debateu a violência de milícias armadas, decidiram permanecer na Câmara em vigília noturna pelos seus mortos por conflitos territoriais.


Leia mais informações sobre a ocupação da Câmara na cobertura do Conselho Indigenista Missionário, Rede Brasil Atual e EBC

Nesta noite, ninguém dormiu: os tambores não deixaram. Cantos, danças, falas de protesto eram incêndios internos para animar a resistência frente a fome e o sono. As luzes já tinham sido apagadas por Eduardo Cunha, que por volta das 22 horas negou o pedido dos povos por sua presença, e por volta das 23 horas fez vir a da polícia legislativa. Continuar lendo

Maias manejavam abastecimento d’água há 2 mil anos

Novo estudo antropológico revela que rede, na atual Guatemala, incluía barragens, reservatórios, canais de distribuição e até mecanismos de filtragem

Por Daniela Frabasile

Novos estudos sugerem que os maias tinham um sistema de abastecimento e filtragem de água mais complexo do que se imaginava. Cientistas identificaram uma grande barragem na região de Tikal, na Guatemala, parte da rede que provavelmente possibilitou o estabelecimento em uma área onde o clima é conhecido por apresentar seis meses de enchentes e seis de seca.

Tikal é uma das maiores e mais bem sucedidas entre as cidades maias, e estima-se que sua população tenha sido de 60 a 80 mil pessoas. Há pouco tempo, apesar de saberem muito sobre a cultura e modo de vida na região de Tikal, os cientistas não estavam certos sobre como os moradores da cidade gerenciavam o uso e distribuição da água.

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