Indústria: o Brasil desaprende a fabricar copos

Após 80 anos de história, Nadir Figueiredo, que criou o “copo americano”, é vendida para fundo internacional. Caso revela como elite corrói o Brasil em perversa tríade: herança mal tributada, desnacionalização e desindustrialização

Por Artur Araújo | Imagem: Vectoria

O Valor noticia que os herdeiros de dois ícones da indústria nacional, os irmãos Nadir e Morvan Figueiredo – pais do “copo americano” que habita lares e bares Brasil a fora (e grandes apoiadores da ditadura) – vão se dedicar exclusivamente à especulação imobiliária.

Venderam, em julho passado e por R$ 836,2 milhões, toda a operação industrial de mais de 80 anos para uma tal H.I.G. Capital. Ficaram, entre outros ativos imobiliários, com 118 mil m2 (16 campos de futebol) na Vila Maria, bairro da zona norte de São Paulo.

A confluência de heranças (supervalorizadas por transmissão quase isenta de impostos) com o ócio (fartamente remunerado por juros) e com a perda de interesse no desenvolvimento e modernização contínua da produção de bens (muito também em razão de erros no câmbio e da trava na expansão do mercado interno colocada pelos austericidas desde novembro de 2014, combinação que rebaixa a rentabilidade do capital) leva, inexoravelmente, à venda das fábricas e à desnacionalização.

Da desnacionalização à desindustrialização é só mais um passinho, basta a matriz estrangeira querer realocar a produção.

E esse é o passinho à beira do precipício em que se atira o país.

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