A bola está com elas

Exposição, em SP, reconstrói a trajetória das mulheres no futebol. Desde os primeiros tempos no século 19, passando por sua proibição até 1979 e pela popularização de hoje, história é marcada por apagamento e desigualdade de direitos

Agenda:
Contra Ataque! As Mulheres do Futebol
Dia: 28 de maio a 20 de outubro de 2019
Endereço: Estádio do Pacaembu. Praça Charles Miller, São Paulo
Terça a domingo, 9h às 17h
Ingressos: R$15,00 (inteira) R$7,50 (meia)
Entrada gratuita às terças-feiras
Confira a agenda antes da visita

Um decreto assinado por Getúlio Vargas em 1941 proibiu as mulheres brasileiras de jogar futebol. O impedimento caiu depois de muita luta, durante a segunda onda do feminismo – foi liberado em 1979 e regulamentado em 1983. A exposição do Museu do Futebol Contra Ataque! As Mulheres do Futebol convida a população a refletir sobre o apagamento do futebol feminino e à desigualdade de direitos no esporte.

“No jogo de futebol, um contra-ataque ocorre quando um dos times recupera a posse da bola e avança rapidamente em direção ao gol, sem deixar espaço para a armação da defesa do time adversário. Essa jogada extremamente emocionante é a metáfora escolhida para narrar a trajetória da modalidade, proibida por decreto-lei no Brasil por décadas”, diz no site do Museu a equipe criadora da exposição.

Um pebolim com bonecas ao invés de bonecos. Vídeos, fotos, textos e objetos pessoais das atletas. A história de mulheres que tiveram que lutar para praticar o esporte. A exposição monta um panorama dessa manifestação cultural desde os primeiros tempos do esporte inglês no Brasil, no final do século 19 – quando as mulheres já estavam presentes – até os dias atuais. A conquista de direitos das jogadoras corre em paralelo à história do feminismo e da luta das mulheres pela conquista de direitos no país.

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“Em pleno ano de Copa do Mundo, queremos falar sobre as atletas que não se deixaram calar durante as décadas em que a prática foi proibida para as mulheres. Queremos dar voz a quem está em campo, lutando por visibilidade. E queremos abrir espaço para celebrar o talento e as vitórias delas”, informam as criadoras da exposição.

Para ajudar na recuperação dessa história, o Museu do Futebol pede ajuda. “Envie fotos, documentos ou relatos desse período do futebol feminino para inspirar novas gerações”, convida.

Intervenção

Em 2015, marcando o inicio da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá, o Museu do Futebol marcou um gol importante para o movimento das mulheres brasileiras. Inaugurou um acervo dedicado exclusivamente à história do futebol feminino no Brasil e incorporou-o à sua exposição permanente. Desde sua inauguração, em 2008, o Museu nunca havia mencionado sua existência.

Aproximando o futebol do slogan argentino contra a violência às mulheres, Ni una menos!, a equipe responsável pela exposição exclama: “Do campinho ao estádio, da arbitragem à arquibancada, do sofá ao bar, da torcida organizada ao programa de TV, não podemos ser nenhuma a menos”. Nada mais preciso, uma vez que o futebol feminino sofreu — e sofre — vários tipos de violência.

Esta é uma partida decisiva para ajudar a empatar o jogo nos estádios, nas arquibancadas e nos bastidores da bola, dizem elas no site, lembrando que depois de 40 anos de proibição, conseguir que as mulheres pudessem jogar exigiu sangue, suor e lágrimas. “Foram muitos ataques sofridos até conseguir armar o contra-ataque. E mesmo que muito já tenha sido percorrido, ainda tem muito campo pela frente.”

A exposição teve na curadoria um time de campeãs: Aline Pellegrino, capitã da seleção brasileira de futebol feminino entre 2004 e 2013, coordenadora da modalidade na Federação Paulista de Futebol; Aira Bonfim, pesquisadora da participação feminina no esporte antes da proibição; Luciane Castro, uma das primeiras jornalistas a cobrir jogos e campeonatos femininos; e Silvana Goellner, professora que coordena o Centro de Memória do Esporte da UFRGS.

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