25 considerações sobre a lista de políticos de Sérgio Machado

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Um olhar inicial para citados em delação homologada convida a reflexão sobre “elite branca”; reflexão posterior questiona quais desses serão convenientemente rifados

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Estadão desta quinta-feira traz na capa o rosto dos 25 políticos mencionados por Sérgio Machado na lista de delação homologada. Seriam aqueles envolvidos em esquema de corrupção da Transpetro. Seguem algumas considerações:

1) A lista é significativa, mesmo que consideremos – como deve ser – cada um daqueles brasileiros inocentes, até prova em contrário, em relação aos crimes apontados pelo ex-presidente da Transpetro. Simbolicamente significativa.

2) Está lá o que o ex-governador paulista Cláudiio Lembo já definiu como “elite branca”. Mesmo que alguns deles (Heráclito, Garibaldi, Sarney) dificilmente sejam identificados como brancos em um país europeu.

3) A lista é masculina. E a presença de duas mulheres (uma do PT e uma do PCdoB) apenas confirma a regra. Continuar lendo

Sérgio Machado e Romero Jucá: diálogo entre um fazendeiro e um minerador

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Representante exemplar de uma elite arcaica (Foto: Geraldo Magela/ Ag. Câmara)

Pivôs da crise têm atividades tão pouco republicanas quanto suas conversas; ex-diretor tem fazenda questionada pelo MST; ex-ministro é um conflito de interesses ambulante

Por Alceu Luís Castilho (@deolhonoagro*)

No dia 18, quarta-feira, 2 mil famílias de sem-terra que ocupavam desde março a fazenda Santa Maria, no oeste do Paraná, foram expulsas pela polícia do governador Beto Richa, a mando do Judiciário. Um dos donos da fazenda, ao lado dos irmãos? Sérgio Machado, ele mesmo, o ex-presidente da Transpetro – agora famoso por causa das conversas pouco republicanas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). “Homens, mulheres, crianças e até um cadeirante foram expulsos com extrema violência para garantir uma propriedade adquirida com dinheiro oriundo da corrupção”, resume o jornalista Aluizio Palmar.

Do outro lado do Brasil, Jucá. Dono de TV (em nome dos filhos), minerador. Entre outras cositas más. “Em 1987, em plena epidemia de malária e gripe, trazida pela invasão de garimpeiros, o então presidente da Funai, Romero Jucá, alegando razões de segurança nacional, retira as equipes de saúde da área Yanomami”. É um trecho do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Resultado? Aumento de 500% dos casos de malária. “Mais de 4 mil yanomamis morreram de malária, tuberculose, de assassinato”, resume o líder indígena David Kopenawa.

Avancemos no relatório:

– O caso mais flagrante de apoio do poder público à invasão garimpeira se deu na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, na região do Paapiu/Couto de Magalhães, onde o garimpo se iniciou a partir da ampliação de uma antiga pista de pouso pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), em 1986. A Funai e os demais agentes públicos abandonaram a região, deixando a área livre para a ação dos garimpeiros.
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