Golpe do Pato: a face absurda da cena política brasileira

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Da Fiesp à Praça da Paz, agora com os olhos abertos (Autoria desconhecida)

Fiesp criou o pato cego para protestar contra aumento de impostos; mas ele já faz parte da paisagem do golpismo; o pato é nosso ensaio sobre a cegueira política

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Quem disse que o golpe de 2016 – em plena execução – não tem um símbolo?

O papel da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) esteve claro em 1964 e está claro em 2016. Como observamos aqui no blog – sobre o fator Fiesp – e como observou o jurista Fábio Konder Comparato, em ato pela legalidade na Faculdade de Direito da USP. Falta ainda esmiuçar o papel do pato: o símbolo utilizado pela entidade patronal nos protestos na Avenida Paulista. Como em tantos outros casos, o humor se adianta à análise política. E percebe que se trata de um símbolo e tanto. Estamos vivendo o desenrolar do que podemos chamar de um Golpe do Pato. Continuar lendo

Fator Fiesp: golpismo de Skaf e empresários reedita 1964

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Em 2014, protesto na Avenida Paulista contra apoio do empresariado paulista ao golpe de 64

Em entrevista ao Estadão, Paulo Skaf defendeu abertamente o impeachment; e ainda há quem acredite em um movimento decorrente do “clamor popular”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Candidato derrotado pelo PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf deu entrevista ao Estadão como presidente da Fiesp, neste domingo, em defesa explícita do impeachment de Dilma Rousseff. As duas faces desse senhor – política e empresarial – caminham juntas. E representam o mesmo golpismo, tema historicamente muito caro à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, apoiadora do golpe de 1964.

A diferença está apenas na usurpação, por oportunistas, de uma sigla partidária – o PMDB – que já representou a luta pela redemocratização. Nem o porta-voz mudou: o Estadão, que depois resistiria ao endurecimento da ditadura, foi um dos fiadores da derrubada de João Goulart e da chegada ao poder do general Humberto de Castelo Branco. Hoje abre suas páginas para as investidas contra Dilma Rousseff.

São 50 anos de golpismo em cinco letras: F, i, e, s, p. Continuar lendo