Reflexões sobre fascismo (IV) – Sartre, Brecht, Sabato, Monsalve

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Venezuelano cita Sartre (o motivo de combater o fascismo), Brecht (que o associa ao capitalismo) e aponta papel da mídia ao questionar violência de direita em seu país

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Frases de Jean-Paul Sartre e Bertolt Brecht iniciam e finalizam artigo do venezuelano Tulio Monsalve sobre fascismo, publicado no site chavista Aporrea, em 2013, no contexto de uma chacina de 11 pessoas – duas delas, crianças – ocorridas em abril daquele ano, em seu país. Como o próprio autor tece algumas frases impactantes sobre o tema (como aquelas sobre o papel das notícias e dos jornais), publico o artigo na íntegra, em tradução livre. Título e link original: “… de pronto se despertó y descubrió que era fascista… fin“.

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Logo acordou e descobriu que era fascista. Fim

Tulio Monsalve

“Não se combate o fascismo porque se possa ganhar dele; se combate porque é fascista” (Jean-Paul Sartre, 1945, “A Idade da razão”) Continuar lendo

Roger, Huck e Fernanda não são lá muito defensáveis; mas será essa a agenda crítica possível?

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Leandro Karnal. Quem? “Não seria melhor discutir o Luciano Huck?”

Autores mais densos e debates mais ricos nos permitiriam entender melhor de onde vêm aquelas figuras tão tristes, de onde surgiram e a que servem esses ruídos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Não se trata aqui de defender o obscurantismo político de Roger, do Ultraje a Rigor. Ou o convite boçal de Luciano Huck para as jovens brasileiras ficarem com estrangeiros, definidos como “príncipes encantados”. Ou as diatribes improvisadas de Fernanda Torres sobre feminismo; menos ainda sua curiosa percepção sobre machismo. Muito pelo contrário. Mas de tentar identificar uma overdose da reação a esses personagens, como se coubesse a eles pautar a agenda nacional. E, aos que têm algum histórico de pensamento crítico, apenas reagir.

Do jeito que as coisas vão, estamos assim: os reacionários propõem e os revolucionários reagem. Em uma curiosa inversão de papéis. Ou estaríamos distraídos em relação ao debate político nas redes sociais? Talvez algum arqueólogo das redes identifique, daqui a uns 20 anos, uma mobilização incrível de internautas arejados, nesta semana de fevereiro de 2015, bem menos a reboque, mais pró-ativa. Mas o que deu para observar por aí, em termos de crítica internética de costumes, foi mais ou menos isso. Continuar lendo

Filho de Ernesto Sabato rejeita homenagem que eliminaria nome de Kirchner

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Cristina Kirchner, José Saramago e Ernesto Sabato

Cineasta não aceita troca de nome de túnel; diz que nome do escritor não deve ser usado para dividir ainda mais os argentinos, “para vingança ou revanche”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O cineasta Mario Sabato recebeu na sexta-feira uma mensagem de um grupo de moradores de Santos Lugares, na Grande Buenos Aires, onde seu pai, o escritor Ernesto Sabato, viveu por décadas até a sua morte, em 2011, e onde fica o museu em homenagem ao argentino, a Casa de Ernesto Sabato. Os vizinhos comunicavam  iniciativa de trocar o nome de um túnel que une o bairro ao vizinho Caseros. O nome atual homenageia o ex-presidente Néstor Kirchner (1950-2010).

A homenagem foi concebida apenas um mês após a chegada ao poder do antiperonista Mauricio Macri, que sucedeu Cristina Kirchner. Possui, portanto, um contexto revisionista. Mario Sabato recusou a homenagem. Continuar lendo