Escolinha do Professor Cunha expôs ao Brasil sua face bizarra e violenta

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Edição especial da aula no Congresso foi didática em relação ao potencial expressivo dos nobres deputados; de certos tiques e esquisitices, de certas farsas e farras

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O dia 17 de abri foi uma aula de Congresso. Macabra. Com Eduardo Cunha à frente (e sua eterna ironia de cantinho de boca), os deputados puderam se expor à sociedade brasileira em uma espécie de dramaturgia sincera. A hora do voto foi a mais falada, pela sucessão de falas constrangedoras. E já simbolizaria o show de horrores caso o fundo fosse neutro – pensemos num azulzinho básico. Mas não. Ao fundo, o Brasil assistiu a um painel humano extremamente representativo de certa grosseria, de uma vulgaridade atroz. Ou alguém acreditava que Felicianos e Bolsonaros eram pontos fora da curva nesta nossa bufocracia?

Aqueles papagaios de pirata não impressionaram somente pelo oportunismo, pela disputa abjeta por alguns centímetros de tela, enquanto os colegas votavam. Aos poucos eles foram se soltando, e ao painel inicial de faces irrelevantes foi se sucedendo uma sequência de fotografias de cinismo explícito, como se aqueles senhores (ao final, também duas senhoras) fizessem questão de apresentar ao país em poucos segundos – como se fossem uns Enéas das imagens – uma síntese de suas expressões mais vergonhosas, desprovidas de algum senso de ética e beleza. Continuar lendo

Entenderia-se melhor uma CPMF para combate ao Aedes aegypti

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Não parece uma foto de velório? (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Burocratização da política e da economia faz população ficar a anos-luz de distância dos que pedem uma contribuição emergencial para um gélido “ajuste fiscal”

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Em um dia lemos uma manchete sobre o zika vírus. No outro, manchete sobre defesa da CPFM pela presidente no Congresso. Vaias. Seria ela vaiada se defendesse uma contribuição – realmente provisória – para um combate emergencial ao Aedes aegypti? Temos aí um problema de comunicação. E outro de engessamento político. A agenda oficial está pré-definida por cânones que se pretendem macroeconômicos, que, sabemos, acabam beneficiando os plutocratas de sempre.

Em outras palavras: que entusiasmo pode ser gerado ao se defender um novo imposto “para ampliar a receita fiscal”? Ou seja, para se ter um Orçamento que será distribuído de forma genérica – inclusive para o pagamento eterno e multiplicado daquelas dívidas que a própria presidente se recusou a auditar? Qual a empatia possível em relação a um discurso de emergência tecnocrática? E qual o sentido de uma contribuição “provisória” para políticas que deveriam ser permanentes? Continuar lendo

É o PMDB, jornalistas! Na mineração, é o PMDB

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Jornais divulgam doações de campanha por empresas da Vale para deputados, mas se esquecem de apontar destinação majoritária da verba a políticos do PMDB

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

E agora o Estadão deu, a Folha deu: lista de deputados que investigarão o crime ambiental em Mariana (MG), ou discutem o Código da Mineração, e receberam dinheiro da Vale ou de empresas do setor. O Estadão publicou texto nesta segunda-feira. A Folha, no sábado. Sem tanto estardalhaço, claro, pois os olhos da imprensa brasileira estão voltados para a França.

Ótimo que circulem mais informações sobre a conexão entre políticos e empresas mineradoras. Mas novamente a imprensa brasileira perde a oportunidade de encarar algo muito mais estrutural: o controle do Ministério das Minas e Energia, e órgãos a ele relacionados, pelo PMDB. Insisto no tema desde 2013: “Teia de interesses liga políticos a mineradoras em debate sobre novo Código”. Continuar lendo

Tragédia em Mariana: quem recebe dinheiro da Vale

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Doações eleitorais da empresa que controla Samarco “explodem”. Metade vai para PMDB, partido que controla mineração no governo

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O PMDB recebeu R$ 23,55 milhões dos R$ 48,85 milhões destinados por empresas da Vale a comitês financeiros e diretórios na campanha de 2014. O partido controla o setor de mineração no Brasil, indicando o ministro das Minas e Energia e a maioria dos chefes dos Departamentos Nacionais de Produção Mineral (DNPM). Essas cifras se referem às doações eleitorais de seis empresas ligadas à Vale: Vale Energia, Vale Manganês, Vale Mina do Azul, Minerações Brasileiras Reunidas, Mineração Corumbaense Reunida e Salobo Metais.

Em 2010, a soma das doações da Vale alcançava R$ 29,96 milhões, para todas as siglas. Isso mostra um aumento exponencial do investimento do grupo Vale em campanhas políticas. Mas é mais que isso: naquele ano, a empresa só doava para os comitês e diretórios. Em 2014, doou também para candidaturas específicas, do Congresso à Presidência. Isso soma mais R$ 39,32 milhões drenados da Vale para políticos do governo e da oposição, perfazendo um total de R$ 88 milhões – três vezes mais que em 2010. Continuar lendo