O que significa a retirada dos EUA da OMS

Entre o desfalque a importantes programas de saúde internacional e o reforço a crenças negacionistas, este pode ser o início de uma piora no cenário sanitário global

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O presidente dos Estados Unidos cumpre uma das primeiras medidas de seu segundo mandato presidencial e concretiza a saída do país da Organização Mundial da Saúde (OMS).  

Tal medida foi anunciada imediatamente após sua posse, quando iniciou uma ofensiva sobre os órgãos de saúde, inclusive locais, e tinha um ano de prazo, de acordo com o regimento da Organização. A nomeação do negacionista científico Robert Kennedy Jr. foi a ponta de lança para a intervenção em órgãos como o Centro de Controle de Doenças (CDC) e Agência de Serviços Humanos em Saúde (HHS).

A repercussão na sociedade norte-americana é abrangente: das condições de monitoramento sanitário por tais órgãos até a oferta estatal de vacinas pelo Estado ou a disseminação de doenças evitáveis como o sarampo, a ofensiva trumpista na Saúde se faz sentir.

Agora, de forma desonesta, Trump acusa a OMS de ter falhado na gestão da pandemia e outros temas. No entanto, foi o presidente norte-americano que cometeu crimes contra a saúde pública ao boicotar recomendações de prevenção ao coronavírus.

O resultado foi uma catástrofe sanitária que culminou na morte de 3 milhões de pessoas e na transformação do país em epicentro global da covid-19. Em resposta à sua saída, o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Gebreyesus, repeliu a má fé do autoritário republicano e reafirmou a validade das posições da OMS.

De todo modo, a saída dos EUA do órgão é mais um ponto de ruptura com a ordem global do pós-segunda guerra e evidencia a necessidade de uma nova arquitetura de poder. O financiamento da organização é o primeiro ponto que emerge, uma vez que a OMS é excessivamente dependente dos países centrais do capitalismo.

Em termos imediatos, seu enfraquecimento traz riscos objetivos de agravamento de crises sanitárias e humanitárias em países que dependem diretamente de seus projetos de combate a epidemias como aids, ebola e malária.

Além disso, a saída do país desfalca a comunidade internacional de diversos programas de parceria e monitoramento de doenças que sempre contaram com agências estadunidenses, como o CDC.

Por outro lado, apresenta-se uma oportunidade de remodelagem da organização, o que segundo suas lideranças exigirá um maior financiamento de países de renda média e alta, além de aprofundamento da colaboração global, como no caso do Acordo de Pandemias. 

Com a saída dos EUA, a OMS terá de se reinventar.  

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