Brasil receberá a maior conferência sobre HIV e aids do mundo

• Conferência AIDS 2026 no Brasil • Estudo com bebês guineenses para provar teorias antivacina? • Argentina copia negacionismo sanitário estadunidense • E MAIS: hanseníase; incontinência urinária; esclerose múltipla; células-tronco •

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O Rio de Janeiro sediará a 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), entre 26 e 31 de julho. Considerado o maior encontro internacional sobre o tema, o evento contará com conferências, mesas, sessões científicas e apresentação de pesquisas, além de reunir gestores, formuladores de políticas públicas, representantes de movimentos sociais e pessoas vivendo com HIV/aids. 

O evento será promovido pela Sociedade Internacional de Aids (IAS) e ocorrerá pela primeira vez na América do Sul. Para a pesquisadora Beatriz Grinsztejn, presidente da entidade, a conferência dará visibilidade às especificidades da epidemia de HIV na América Latina, em um contexto no qual a região ainda registra aumento de novas infecções, em contraste com a tendência global de queda. 

A organização da conferência tem apoio do Ministério da Saúde, da Fiocruz e da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia). A equipe do Outra Saúde estará presente na cobertura do evento.

Guiné-Bissau suspende estudo negacionista em bebês, financiado pelos EUA

Um controverso estudo financiado pelos EUA, realizado com recém-nascidos na Guiné-Bissau, foi interrompido pelas autoridades de saúde do país. A pesquisa sobre uma vacina contra hepatite B passa por uma revisão técnica e ética pelo instituto nacional de saúde pública, segundo o Ministério da Saúde do país. A entidade aponta que o estudo se encontra suspenso. Contudo, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS), informou à revista Nature, que o estudo prossegue, deixando o status do teste ainda incerto.

O caso expõe tensões históricas sobre pesquisas clínicas lideradas por estrangeiros na África, onde prioridades locais são negligenciadas devido a pressões políticas e interesses de financiamento. O estudo, que reuniria 14 mil recém-nascidos para receber a vacina ao nascer ou às seis semanas, aleatoriamente, é criticado por negar uma intervenção salvadora em um país com alta prevalência de hepatite B. Críticos argumentam que o desenho da pesquisa busca evidenciar malefícios não comprovados da vacina, utilizando crianças africanas para influenciar políticas em países ricos, como a recente redução da recomendação da dose ao nascer nos EUA.

Argentina copia postura antivacina dos Estados Unidos

O secretário da Saúde de Buenos Aires tornou pública sua preocupação com o cenário sanitário do país diante da postura do governo federal em imitar muitas das decisões dos Estados Unidos. Um dos principais exemplos pautados por Nicolás Kreplak é a queda na cobertura vacinal no país. Ele alerta para as possíveis consequências epidemiológicas: “Sabemos que há um problema com a cobertura vacinal, que os percentuais de cobertura caíram, que isso faz com que novas doenças apareçam, que alguns surtos podem surgir, ser mais agressivos. Este governo não apenas não ajuda, como adota políticas antivacina que são realmente muito preocupantes”.

Esse é mais um episódio da série de tensões entre a gestão de saúde da província de Buenos Aires e do governo argentino. No fim do ano passado, o secretário denunciou também que a Argentina votou contra uma resolução da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, junto com os Estados Unidos. “A votação não acontece no vácuo: ocorre em um contexto de retrocessos e ajustes nas políticas de deficiência, e confirma uma posição internacional que já foi expressa dias atrás se opondo a expressões completamente humanas”, publicou nas redes.

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Combate à hanseníase

Como um dos esforços para o combate à hanseníase, a Organização Mundial da Saúde lançou um novo relatório sobre o progresso da doença. A agência destaca que o acesso ao tratamento é fundamental, pois trata-se de uma doença curável, mas o estigma social permanece um grande obstáculo. Confira o relatório.

Incontinência urinária

A Conitec emitiu parecer final favorável à incorporação do esfíncter urinário artificial, um dispositivo para o controle da perda urinária masculina severa. O avanço é decisivo na qualidade de vida, principalmente, de pacientes em tratamento de câncer de próstata. Saiba mais.

Esclerose múltipla

Estudo da Fiocruz pode ser decisivo na forma como o tratamento para esclerose múltipla é indicado a pacientes. A pesquisa mostrou que é possível prever se uma pessoa com EM responderá bem ao medicamento “natalizumabe” – um dos tratamentos mais comuns contra a doença – antes mesmo do início da terapia. Conheça o novo método.

Estudos com células-tronco

O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos anunciou que não irá mais financiar pesquisas que envolvam células-tronco e tecidos fetais. Esta é mais uma movimentação de Trump no ataque a estudos que vão contra sua agenda ultraconservadora. Entenda.

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