Rojava: Um chamado à solidariedade com os curdos

Território autônomo, com governo libertário, é emparedado pelo exército sírio, forças turcas e milícias. Centros de ensino, também sob ataque militar, denunciam o genocídio em curso. “Defenderemos nosso povo e a possibilidade da vida pela qual lutamos para construir”

Foto: Manifestantes entoam slogans em apoio às Forças Democráticas da Síria (FDS), lideradas pelos curdos, durante um protesto em Qamishli, no nordeste da Síria, em8 de janeiro de 2026. Hogir Al Abdo – AP
.

Nós, docentes, estudantes e funcionários das Universidades de Rojava/Norte e Leste da Síria, enviamos esta mensagem no momento em que deixamos nossas salas de aula para ajudar a defender nossas universidades, nossas cidades e nossa revolução, ao lado das forças de autodefesa. Antes da administração autônoma, Raqqa (Sharq) e Kobanê não tinham universidades. Nossos campi, construídos em meio à guerra, reconquistaram o direito à educação, há muito negado aos jovens, fundamentando o aprendizado na libertação das mulheres, na ecologia e em uma vida democrática e comunitária para o povo.

Nos últimos quinze anos em Rojava/Norte e Leste da Síria, sob pressão constante e repetidos ataques de potências imperiais, subimperiais e coloniais, nosso povo construiu uma vida compartilhada por meio da capacidade coletiva. Contra o capitalismo e o patriarcado, trabalhamos para avançar em direção a uma sociedade enraizada na libertação das mulheres, na vida ecológica e no autogoverno democrático. Sob as condições de guerra em toda a região, e contra a violência e as imposições dos estados regionais e seus mercenários, contamos com nossa própria autodefesa e nossa própria diplomacia para abrir um espaço e, dentro desse espaço, lutamos para construir uma vida que um dia pareceu impossível.

Hoje, essa vida está sob ataque. O que construímos, esta fonte de esperança para os povos oprimidos da região e de todo o mundo, está sendo alvejada por todos os lados pelas forças fascistas do Exército Árabe Sírio – uma linhagem da al-Qaeda reconvertida em autoridade estatal e trajando ternos – e por mercenários, apoiados por potências imperiais regionais e globais.

Estamos vivendo um feminicídio e um genocídio em andamento. A situação no terreno é urgente e piora a cada dia. Nossos prédios universitários estão cheios de deslocados tentando sobreviver ao inverno sem cobertores ou roupas extras. Drones turcos atingiram vários locais próximos à Universidade de Rojava em Qamishlo nos últimos dias. Estudantes nos dormitórios de Qamishlo estão isolados de suas famílias em Kobanê, sem saber se seus entes queridos estão seguros e sem conseguir contatá-los.

A situação em Kobanê é particularmente terrível. A cidade está atualmente sitiada, cercada por forças do Exército Sírio de um lado e pelo exército turco do outro. Há sete dias não há eletricidade, nem acesso à água, nem acesso confiável a itens de primeira necessidade. Sob essas condições, o aprendizado, a segurança e a sobrevivência estão sendo atacados como parte de um cerco coordenado.

Dizemos isso claramente a nossos amigos, colegas e camaradas: nos defenderemos com tudo o que temos. Defenderemos nosso povo, nossas universidades e a possibilidade da vida pela qual lutamos para construir.

Conclamamos vocês, onde quer que estejam, a ficarem ao lado de Rojava. Levantem suas vozes. Organizem-se em seus campi, em seus sindicatos e em suas comunidades. Usem suas posições, por mais limitadas que possam parecer, para pressionar por ação, exigir responsabilização e recusar o silêncio. Fortaleçam as redes de solidariedade que tornam a resistência possível. Defendam os objetivos revolucionários de liberdade, libertação das mulheres, vida ecológica e vida comunitária democrática. Sua solidariedade faz parte de nossa autodefesa e pode ajudar a alterar o equilíbrio e prevenir mais um genocídio na região.

Universidades de Rojava/Norte e Leste da Síria
Universidade de Rojava,
Universidade de Kobani,
Corpo Discente da Universidade de Al-Sharq,
Corpo Docente e Funcionários

Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, seja nosso apoiador e fortaleça o jornalismo crítico: apoia.se/outraspalavras

Leia Também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *