Dino cobra reorganização do MS para fiscalização de emendas na saúde
Publicado 22/01/2026 às 14:59

Para que o Ministério da Saúde esteja à altura dos “novos desafios” da “parlamentarização”, Flávio Dino determinou que a pasta apresente um plano emergencial para recompor a capacidade de trabalho do Departamento Nacional de Auditoria do SUS. O DenaSUS, responsável pela avaliação interna da aplicação de recursos no Sistema Único de Saúde, perdeu aproximadamente 50% de sua força de trabalho entre 2001 e 2025.
O ministro do STF aponta que a redução do pessoal custa muito mais caro ao país, em face da óbvia degradação da quantidade e qualidade das auditorias quanto à aplicação de centenas de bilhões de reais de dinheiro público. A movimentação ocorre em um cenário em que o montante de emendas para a área saiu de R$ 5,7 bilhões, em 2016, para R$ 22,9 bilhões, em 2023, atingindo o patamar de R$ 26,3 bilhões em 2025.
Dino também cobrou a aceleração das auditorias em quase 300 contas bancárias pendentes, exigindo que o trabalho seja concluído ainda no atual mandato do Executivo. O ministro foi enfático ao afirmar que, sem esses controles, não há como garantir a transparência e a rastreabilidade constitucionais das emendas parlamentares.
Comunidades pesqueiras e o derramamento de petróleo
Um artigo desenvolvido pela Fiocruz em conjunto com a Universidade Federal da Bahia traz novas conclusões acerca do derramamento de petróleo ocorrido em 2019 e seus impactos na saúde e nas condições de vida das comunidades da pesca artesanal no Nordeste. Este foi o maior derramamento de petróleo ocorrido no Brasil e atingiu o litoral de 11 estados.
O estudo expõe os desafios enfrentados pelas comunidades em questão. Além de terem participado voluntariamente das ações de limpeza do petróleo nos territórios atingidos sem equipamentos de proteção, tiveram também dificuldades em acessar serviços de saúde preparados para atender os casos de intoxicação. O cenário foi agravado pela pandemia de covid-19, que aprofundou as fragilidades sociais e sanitárias já existentes nos territórios.
A pesquisa, que aplicou inquéritos epidemiológicos para entender a reprodução social e os sintomas de saúde dessas populações, já observa a associação entre a exposição e problemas respiratórios e neurológicos relatados meses depois. Os resultados visam subsidiar a criação de políticas públicas específicas para o monitoramento contínuo da saúde dos pescadores e a estruturação de redes de resposta a futuros desastres, garantindo que o Estado esteja preparado para proteger quem mais depende do mar.
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Saúde de crianças indígenas
A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) lançou o primeiro módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância. O programa faz parte do Sistema de Atenção à Saúde Indígena, que coleta, gerencia e disponibiliza dados sobre a saúde dessa população. Saiba mais.
Malária na Terra Yanomami
Estudo da Fiocruz aponta impacto das intervenções realizadas pelo Governo Federal para conter a malária na Terra Indígena Yanomami. A pesquisa analisa efeitos das ações estabelecidas a partir da declaração de emergência de saúde pública, em janeiro de 2023. Confira mais informações.
O agro que é vida
Em artigo da revista Radis, é explorada a relação entre agroecologia e saúde. Com debates que surgem a partir da 13ª edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), justiça climática e convivência com os territórios foram temas dos quais partiram a maioria das discussões travadas. Leia a matéria.
Recusa na doação de órgãos
A recusa das famílias é o principal entrave à doação de órgãos no Brasil: 45% dizem não. Em 2024, apenas 27% das notificações se converteram em doações efetivas. Desigualdades regionais e perda da janela de tempo agravam o cenário. Entenda.
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