Brasil inicia vacinação contra a dengue

Três cidades escolhidas para estratégia piloto iniciaram a imunização neste domingo, com o horizonte da vacinação de trabalhadores da atenção básica como próximo passo

Comunicação Instituto Butantan
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Neste domingo (18), com o início simultâneo da vacinação em três cidades selecionadas para uma estratégia piloto, foi lançada a campanha de imunização contra a dengue no Brasil. A ação conta com um importante marco para a Saúde e a Ciência do país: será utilizada a vacina Butantan-DV, de desenvolvimento nacional por uma instituição pública, o Instituto Butantan.

Os municípios selecionados para a estratégia piloto de vacinação são Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Em evento no Ceará, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, explicou que as três “cidades [foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, informa a Agência Brasil.

Em fevereiro, mediante a disponibilidade de mais doses, o passo seguinte será a imunização de 1,1 milhão de trabalhadores da atenção básica, como enfermeiros e agentes comunitários. “A atenção primária é a porta de entrada para os casos de dengue, por isso é fundamental proteger o mais rápido possível esses profissionais”, disse o titular da pasta, Alexandre Padilha, na cerimônia de Botucatu, noticiado pela Revista Pesquisa Fapesp.

Depois, gradualmente, o Estado pretende ampliar a oferta da vacina para o público geral de todo o país. Para garantir o volume de doses necessário para esse esforço, foi acertado o licenciamento da produção da vacina com a WuXi Biologics, empresa farmacêutica chinesa. “A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes” com este acordo, estipula um comunicado do MS.

No último dia 11, a pasta rejeitou um pedido para a fabricação da vacina japonesa contra a dengue, a Qdenga, pela Fiocruz. A proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) não garantia a transferência integral da tecnologia para o Brasil, e o volume de doses produzidas seria limitado. Mesmo assim, explica o ministério, a Qdenga seguirá disponível no SUS para a imunização de jovens de 10 a 14 anos.

Em artigo publicado em dezembro do ano passado em Outra Saúde, o sanitarista Reinaldo Guimarães avaliou a vacina brasileira contra a dengue como “um feito científico e principalmente tecnológico do Instituto [Butantan]”. O pesquisador avalia que este será um importante passo para controlar a arbovirose no país. E pondera: “Mesmo que [a vacina seja] produzida em número suficiente de doses e incorporada no SUS, as campanhas de controle do vetor realizadas tendo como alvo a eliminação de coleções de água no entorno e interior das residências são essenciais”.

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