Rita Joana de Souza: os sentidos da (perda de) memória
Uma notável filósofa e pintora pernambucana do período colonial. Seu trabalho se perdeu – embora citado em documentos e evocado como símbolo de resistência. O que o caso revela sobre preservação da História e desigualdade de gênero na produção do conhecimento?
Publicado 15/01/2026 às 17:18 - Atualizado 15/01/2026 às 18:38

Nas últimas décadas, os estudos biográficos sobre as intelectuais brasileiras vêm cumprindo um importante papel junto à desestabilização de uma suposta “neutralidade” da historiografia em relação às produções acadêmicas feitas por mulheres, por onde se denuncia formas de silenciamento, de apagamento e de instrumentalização política da lembrança. Esses estudos contribuem para uma maior inclusão das autoras dentre os grandes grupos de referências intelectuais que circulam nas academias, mas também para que hajam mais possibilidades de pesquisa sobre as suas obras e os seus impactos na história e na cultura brasileira, acionando a dimensão ética implicada no plano da representatividade. Autoras como Maria da Glória de Oliveira (2018), Maria Lúcia Mott (2001) e Rachel Soihet (2003), por exemplo, vêm trabalhando as complexidades da abordagem biográfica em relação a mulheres em diferentes contextos. Da perspectiva da história feminista, é vital observar que as experiências derivadas dessas análises são radicalmente distintas daquelas em que os objetos de análise são trajetórias masculinas, muito em razão das diferentes realidades sociais e historicamente construídas a partir das concepções sobre gênero que impactaram nas formas de registro da memória.
No caso estudado por este artigo encontramos Rita Joana de Souza, que durante séculos apareceu como um espectro junto às culturas intelectuais do país. Uma estudiosa a quem se atribui autoria e traços biográficos, mas que não tem arquivados registros sobre a sua existência, embora comentada no que concerne a sua produção letrada. Souza aparece, nesse sentido, como um exemplo contundente envolvendo a obliteração estrutural das contribuições dos pensamentos e das ideias das mulheres, que muito tem a ver com a própria forma como a história intelectual do país foi construída, em que houve o predomínio do “estudo dos repertórios canônicos de obras de autoria masculina e de instituições acadêmicas que, tradicionalmente, vetaram a participação feminina em seus quadros” (OLIVEIRA, 2018, p. 108). A situação de Souza é sintomática sobre a série de constrangimentos a que sua história de vida passou ao longo de gerações, que envolvem, certamente, um quadro de descaso para com a história das mulheres no país, que pode ser constatado através da perda dos seus registros de vida e das possíveis obras que escreveu, pela apropriação à qual a sua história foi submetida por seus biógrafos, pela mitificação e pelas constantes ressignificações que a sua trajetória recebeu. Tais disposições presentes em sua biografia transcendem o que Pierre Bourdieu chamaria de “ilusão biográfica”, uma vez que não temos, em princípio, evidências que corroborem com os escritos sobre a sua vida ou obra. Ainda assim, é possível analisar as imagens de Souza e, a partir delas, tentar compreender os contextos e os modos de inserção das suas agências na história.
A trajetória de Rita Joana de Souza impõe-se como um enigma para a historiografia das intelectualidades femininas brasileiras, situando-se precisamente na tensão entre o “esquecimento de reserva” e a “memória manipulada” teorizados pelo filósofo francês Paul Ricoeur. Ao não deixar vestígios diretos da sua própria voz, um hiato documental que Ricoeur descreveria como uma lacuna no rastro, a sua existência converteu-se em um “lugar de memória” particularmente paradoxal: o silêncio da sua autoria foi preenchido por uma lembrança imposta por terceiros, transfigurando a sua biografia em um artefato de uso político. Investigar Rita Joana de Souza sob esse prisma exige, portanto, não apenas o resgate de uma presença obliterada, mas a crítica das operações de uma memória arbitrária que, ao instrumentalizar o vácuo da sua história, operou um segundo apagamento: o da mulher real sob o monumento da narrativa política.
Sabe-se que nasceu, em todo caso, na cidade de Olinda em 12 de maio de 1696. Rita Joana de Souza foi uma letrada, filósofa e pintora, filha de João Mendes Teixeira. O nome da sua mãe é desconhecido, algo relevante se pensarmos nos apagamentos das histórias das mulheres brasileiras. A memória em torno do seu nome também nos fala do seu interesse pela história, pela geografia e pela poesia, fazendo com que muitas das menções ao seu nome tragam a possibilidade de se tratar da primeira mulher a exercer tais atividades no território luso-brasileiro. Embora nenhum dos seus manuscritos tenha sido preservado e nenhuma obra tenha sido publicada, a sua memória reverberou, com especial destaque para dois contextos, salvas as suas notórias particularidades, que tinham como objetivo mais amplo o seguinte: (re)construir ou (re)avivar identidades coletivas.
Buscamos analisar, então, como se deu a recuperação da figura de Souza nesses dois momentos históricos, a saber: a segunda metade do século XIX, em que a publicação de biografias e de antologias biográficas se tornou um dos principais meios para a sistematização/divulgação do conhecimento histórico ao registrar trajetórias cujas realizações fossem consideradas relevantes ao desenvolvimento da “dita” civilidade brasileira. Num segundo momento, o seu nome volta a aparecer em jornais e em revistas pernambucanas já no século XX, mais especificamente nas décadas de 1970 e de 1980. Nesse caso, as menções à Souza se dão em matérias relacionadas à memória local de Olinda e de Pernambuco, entrelaçando-se junto à escala da história regional nordestina.
Segundo o Instituto Histórico de Olinda, a primeira menção existente sobre Rita Joana de Souza encontra-se na obra Portugal ilustrado pelo sexo feminino: notícia histórica de muitas heroínas portuguesas que floresceram em virtude, letras e armas (1734), de autoria do Padre Manoel Tavares, mas assinada com o seu pseudônimo, isto é, Diogo Manuel Ayres de Azevedo. Ainda no século XVIII, Souza também é mencionada na obra Teatro heroíno: abecedário histórico e catálogo das mulheres ilustres em ciências e artes liberais (1740), escrito por Fróes Perim, e no manuscrito Desagravos do Brasil e glórias de Pernambuco. Livro 7: Pernambuco ilustrado pelo sexo feminino (1757), da lavra de Domingos do Loreto Couto. As primeiras menções encontram, como foi possível observar, na representação imagética a forma de registro da memória coletiva. A pintura de paisagens seria um interesse particular de Souza e os seus registros da natureza local transformaram-se em testemunhos ao serem incluídos enquanto representações da identidade geográfica pernambucana. O que se depreende é que há a circulação das suas obras, sendo elas consideradas ícones de topofilia, embora se perceba que esses verbetes traziam informações escassas e imprecisas sobre a sua verdadeira identidade, estando mais ligados a um esforço de construção de memória própria ao setecentos luso-brasileiro.
Mais adiante, no século seguinte, Rita Joana de Souza volta a ecoar em obras como Brasileiras Célebres (1862), de Joaquim Norberto de Souza e Silva, em antologias biográficas de autores como Francisco Adolfo de Varnhagen, e no dicionário biobibliográfico de Sacramento Blake. A abordagem da trajetória de Souza é feita, em linhas gerais, entrelaçando a história política com a sua agência individual no campo das artes e das ciências. A historicização da figura desta mulher pernambucana é, nesse ponto, feita a partir de vestígios que serviam aos interesses das políticas de identidade nacional elaboradas no pós-independência. Souza e Silva atribui, por exemplo, aos cronistas setecentistas o mérito pela preservação de alguma memória em torno de Rita Joana de Souza, uma vez que os originais da autora, bem como as suas pinturas, não foram objeto de preocupação de preservação, mesmo com notável projeção pública que a autora obtivera em vida. Talvez por isso a escrita de Silva instrumentalize os rastros da trajetória de Souza de maneira a tentar incluí-la na história política de Pernambuco enquanto símbolo de sentimento nacional brasileiro. É preciso lembrar que a obra do historiador tinha clara intenção didática, e as suas narrativas biográficas focavam no que o autor entendia enquanto feitos heróicos em prol da pátria e da nação realizados por mulheres, implicando, com isso, a transformação das mulheres biografadas em modelos de conduta a servirem de exemplo a projetos políticos nacionalistas, bem como a serem prefiguradas por toda uma educação sentimental que as enquadra a partir perspectivas moralizadoras.
Além disso, a imagem de Rita Joana de Souza paira, no século XIX, sobre a noção da excepcionalidade. A trajetória letrada da autora olindense um dia teve em seus manuscritos o registro da sua atuação, transformados em “rastros” reunidos com intenções de uso político, comprometidos, pois, com os projetos de história nacional do século XIX brasileiro. As práticas e as condições da escrita no período fizeram com que a sua obra não resistisse ao tempo e se tornasse um espectro, condição também relacionada como a ausência de interesse pela sua salvaguarda por parte do poder público. Após a sua morte em 1718, com apenas 22 anos de idade, observamos que a produção permaneceu esquecida, sendo retomada em 1734 já na forma do registro biográfico. A dialética entre lembrança e esquecimento envolvendo Souza desde o século XVIII diz muito sobre o silenciamento sistêmico e estrutural das mulheres, uma vez que a sua permanência na história intelectual brasileira dependeu, quase que unicamente, da história oral e dos dados biográficos coletados somente após já alguns anos do seu falecimento.
As ondas que retomam o nome de Rita Joana de Souza nos revelam o que Arlette Farge (2022) considera como experiências emocionais em torno dos vestígios. O documento, na concepção de Farge, contribui para preservar os “rastros de vida”, estando ali a “voz” silenciada pela história oficial. Nesse sentido, a recuperação da figura de Souza nesses dois momentos históricos está enredada por duas sensibilidades históricas distintas, ou seja, havendo, portanto, duas relações emocionais com os vestígios da sua trajetória. Não é possível saber quando as suas obras se deterioraram com a ação do tempo, ou se houve uma tentativa expressa de apagamento da sua memória, mas podemos assinalar que para os cronistas setecentistas a leitura da sua produção esteve ao lado da necessidade de se registrar artefatos artísticos e letrados com a intenção de serem publicizados, sobretudo, na então metrópole. Portugal teria, em um primeiro momento, sido o centro/destinatário das narrativas nas quais Souza foi incluída como agente de memória, e por isso não se pode verificar uma relação com a sua obra que avance por uma sensibilidade autonomista, na medida em que entrevista pelo poder metropolitano.
Já no século XIX, o trabalho historiográfico situado no período imediato à emancipação política do Brasil elabora a história das mulheres a partir do signo da identidade nacional e da instrução pública, implicando arquetípicos femininos derivados de todo um processo civilizador. No caso dos escritos sobre mulheres, havia uma preocupação institucional, que poderia ser bem exemplificada pela atuação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em que havia a necessidade de se contrapor a imagem da mulher sem instrução e reclusa ao ambiente doméstico, que então circulava pelos relatos de estrangeiros e pela literatura. A referida obra de Joaquim Norberto de Souza e Silva é, por exemplo, um dos projetos biográficos que tinham como finalidade a educação sentimental e civil em torno da questão patriótica, potencializando o sentido de envolvimento emocional em relação ao acionamento da figura da letrada nordestina num lugar de reconhecimento público, embora nem sempre de protagonismo. Nesse período, o que vemos é a elaboração de um discurso que, passando pelos instrumentos de legitimação historiográfica disponíveis, se torna uma narrativa dirigida a um fim político e social bastante específico. Ainda assim, os traços deixados pela memória de Rita Joana de Souza seguiriam reverberando e ganhariam, no século seguinte, novos significados.
Nas décadas de 1970 e 1980 Pernambuco experimentou intensas movimentações motivadas pela resistência à Ditadura Militar. Tais manifestações encontravam na valorização da história e da cultura regionais uma das suas bases mais acionadas. Da luta contra a censura e demais formas de violência e de opressão promovidas pelo Estado brasileiro ao processo de redemocratização, os esforços empreendidos em oposição ao controle narrativo sobre a história do nordeste fez com que, na perspectiva da cultura popular, por exemplo, a busca pela autenticidade das identidades regionais impulsionassem a revalorização do passado (BARBOSA, 2009). Nesse contexto, periódicos como o Diário de Pernambuco e o Diário da Manhã destacavam o nome de Rita Joana de Souza como uma referência fundamental ao protagonismo intelectivo, político e artístico feminino, ao ponto dela se tornar, em uma das notas do Pequeno Jornal, uma figura à qual poucas mulheres poderiam ser igualadas ou, mais especificamente, uma “estirpe”, segundo o jornalista Mário Melo. Embora a noção de excepcionalidade permaneça mesmo sem evidências das publicações e de outras obras de Souza, há que se considerar que, novamente, a constante recuperação do seu nome e dos poucos dados biográficos disponíveis contribuiu para reacender a discussão sobre gênero, política e possibilidades para as mulheres nos campos artísticos, literários e letrados.
O Diário de Pernambuco é, em nossa análise, o veículo de informação que se volta com mais frequência à Souza para referenciar talentos locais, e consideramos válida a análise de algumas notas por ele publicadas. Em 11 de maio de 1973, Motta e Albuquerque Filho dedicou um texto à autora, que descreve como uma personagem que teria motivado uma série de iniciativas em prol da educação histórica pernambucana. O texto de Filho retoma, não de outra forma, outras obras que referenciam a filósofa e destaca dois livros que seriam de sua autoria: Memórias históricas e Tratado de filosofia natural, ambos sem informação sobre datas de produção. Segundo Barros Vidal, em sua obra Precursoras Brasileiras, os títulos das obras teriam chegado ao seu conhecimento através de pessoas que tiveram acesso aos manuscritos originais, preservados, contudo, apenas pela oralidade. O autor daquela nota também se vale de uma suspeita de Joaquim Norberto de Souza e Silva, que chega a questionar se algumas modas de viola cantadas pelos seresteiros não seriam, também, derivados da memória cultural em torno obra de Rita Joana de Souza, supondo que poderiam se tratar de poesias musicadas.
O que se percebe, pela leitura dessa nota, é um processo inverso à maioria daqueles com os quais nós, historiadoras/es e demais estudiosos/as das ciências humanas, tendemos a trabalhar em relação a indivíduos com alguma projeção pública, pois não há nenhuma evidência empírica que ateste a autoria de manuscritos ou de pinturas mantidas vivas apenas pela memória e pelas tradições orais. A breve trajetória dessa mulher pernambucana nos deixou um legado que demonstra as potencialidades e as fragilidades da memória não-escrita. Se, por um lado, proporcionou a lembrança de Rita Joana de Souza e evitou que o seu nome e a sua atuação letrada e artística fossem esquecidos, por outro, verificou-se uma miríade de suposições acerca da sua trajetória sendo publicadas sob diferentes pretextos, com aspectos nem sempre coerentes. A questão da sua formação, por exemplo, não é um consenso entre os autores que a ela se referem. Alguns sustentam que teve apoio do pai; outros, que sempre se apresentou como uma genialidade ímpar, mas sem o devido acesso à instrução. Outras questões também entram na esfera da narrativa e ultrapassam os limites da representação do passado. Por exemplo, verificamos autores que se furtam às menções das produções de Souza para tentarem descrever a sua aparência física, mesmo que não haja nenhum retrato da olindense disponível e que a sua imagem só tenha sido de conhecimento dos seus contemporâneos.
A sua presença na história ocorreu, dado que vozes “falaram por ela” atravessando o tempo e interferindo no perfil da sua memória. Do seu potencial letrado e da sua projeção pública há pouco o que se questionar. Contudo, falta a sua própria voz. A ausência de conhecimento acerca dos pensamentos, das ideias, das pinturas e das composições de Souza em muito nos faz falta enquanto uma comunidade plural, uma vez que revela as contradições às quais a ciência e à arte feitas por mulheres enfrentam há séculos, sendo o reconhecimento público o principal obstáculo. A trajetória de Rita Joana de Souza configura-se como um estudo de caso exemplar sobre a plasticidade da memória, operando na tensão entre o “esquecimento de reserva” e a “lembrança instrumentalizada”. Diante da ausência absoluta de rastros documentais, um vácuo que Paul Ricoeur identificaria como a privação do testemunho, a sua biografia foi sucessivamente “preenchida” por narrativas externas que atendiam às urgências de cada tempo: no setecentos, como alicerce de uma identidade luso-brasileira; no oitocentos, como tijolo na construção da memória nacional; e, finalmente, nas décadas de 1970 e 1980, como uma metáfora de resistência cultural. Neste último estágio, o silêncio de Rita Joana de Souza deixou de ser uma lacuna historiográfica para tornar-se uma “reserva de sentido”, em que a invisibilidade da letrada colonial passou a espelhar as vozes sufocadas pela Ditadura. Assim, a sua figura transcenderia certa precisão biográfica para tornar-se um ícone da identidade narrativa, apontando que, na ausência do fato, seria a força ética da memória que reconstruiria a dignidade do sujeito frente ao apagamento institucional.
BIBLIOGRAFIA:
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