HIV: Lenacapavir é aprovado pela Anvisa. Brasil terá acesso?
• Lenacapavir é aprovado pela Anvisa • Vacina contra dengue: Brasil foca no Butantan • E MAIS: GPT Health; retrocessos no aborto legal; EUA restringem vacinação infantil; máscaras e covid •
Publicado 14/01/2026 às 14:13

A Anvisa aprovou, nesta segunda-feira (12), o uso do medicamento Sunlenca (nome comercial do lenacapavir) para prevenção do HIV, como profilaxia pré-exposição (PrEP). O formato injetável, que deve ser aplicado semestralmente, pode melhorar a adesão e levar a um aumento da eficiência em comparação com as atuais alternativas, que exigem a ingestão diária de comprimidos. Em suma, poderia representar o fim da pandemia de HIV.
A Médicos Sem Fronteiras, em nota, aponta o urgente passo seguinte: garantir o acesso ao medicamento pela parcela da população que mais necessita. A entidade reforça a participação expressiva de instituições e voluntários brasileiros no processo que viabilizou a realização das pesquisas clínicas criadoras do fármaco. Ainda assim, o país ficou de fora dos acordos que garantem acesso ao lenacapavir a preços razoáveis.
A disponibilização do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde. A Médicos Sem Fronteiras, contudo, denuncia, também, como os preços exorbitantes cobrados pela fabricante, a empresa Gilead Sciences, tornam impossível sua distribuição. Nos EUA, o valor do tratamento ultrapassa US$ 28 mil por ano (R$ 155 mil), por pessoa. Em contraste, um artigo publicado pela revista The Lancet HIV aponta que uma versão genérica poderia custar entre US$ 35 (R$ 192) e US$ 46 (R$ 253).
Brasil não produzirá vacina japonesa da dengue
Uma proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo entre a farmacêutica Takeda Pharma e a Fiocruz foi negada pelo Ministério da Saúde. Com o objetivo de produção da vacina da dengue, o projeto foi reprovado por não assegurar o acesso integral ao conhecimento de produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), impossibilitando a produção nacional do produto.
A movimentação ocorre em meio à aprovação e início da distribuição do imunizante nacional contra a doença, produzido pelo instituto Butantã, que já acumula 1,3 milhão de doses e começará a ser distribuída esse mês. Esse é um exemplo das possibilidades que se expandem uma vez que a política pública prioriza o desenvolvimento da Indústria Sanitária Nacional, não apenas a reprodução de tecnologias do norte global sem o acesso real aos métodos e insumos.
* * *
Consultas com IA
A OpenAI lançou uma nova extensão da sua ferramenta de Inteligência Artificial, o GPT Health. O programa, que se conecta aos aplicativos de saúde do usuário, e promete fazer análises rápidas de uma grande quantidade de dados para oferecer respostas. Especialistas apontam preocupação com privacidade e proteção dos dados. Entenda.
Maus-tratos em aborto legal
Relatos de maus-tratos no Hospital Municipal Fernando Magalhães, referência no procedimento de aborto legal no Rio de Janeiro, foram publicados pela vereadora Thaís Ferreira (PSOL-RJ). A ocorrência marca a onda de retrocesso nos direitos reprodutivos que ocorre na saúde nacional. Veja a denúncia.
Menos imunização nos EUA
O secretário de saúde dos Estados Unidos anunciou um novo cronograma que retira seis das 17 vacinas do calendário infantil. Em sua nova cruzada negacionista, o país limita acesso a vacinas cruciais, contrariando o conhecimento científico e os benefícios estabelecidos. Leia análise.
Máscaras na pandemia
Dentro da USP, uma nova resposta ao negacionismo surge. Um antigo estudo dos professores Daniel Tausk e Beny Spira sugeria uma ligação entre o uso de máscaras e o aumento das mortes durante a pandemia de covid-19. Uma nova pesquisa aponta vieses e problemas na seleção dos dados, e refaz os cálculos. Confira.
Sem publicidade ou patrocínio, dependemos de você. Faça parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: apoia.se/outraspalavras

