Reparação a desastre de Mariana em 49 cidades de MG e ES

• Saúde oferece reparação aos afetados pelo desastre de Mariana • Serão R$ 12 bilhões destinados a 49 cidades • Covid se espalha mais facilmente em favelas • Saúde e Educação contra a dengue • Nova cepa do coronavírus descoberta na China •

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O Ministério da Saúde (MS) lançou o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, que cria uma agenda de ações em infraestrutura e atenção local às populações da bacia do Rio Doce afetadas pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, 2015. O programa visa criar ações variadas, tanto de construção de infraestrutura física, como de unidades básicas e ambulatórios, contratação de pessoal, capacitação, coleta de dados, vigilância e comunicação em saúde. O plano de ação é fruto de acordo homologado no STF que determinou obrigações do Estado brasileiro frente aos cerca de 500 mil atingidos diretamente pela queda da barragem.

A tragédia até hoje não contou com uma responsabilização real da Vale, responsável pela barragem, e apesar de estudos da FGV apontarem que inúmeros indicadores de queda na qualidade de vida a empresa alega que os rejeitos até hoje presentes na bacia hidrográfica não afetam a saúde pública. 

O Estado paga a conta

Os investimentos projetados pelo MS são de R$ 12 bilhões, sendo R$ 3,6 bi aplicados imediatamente nas ações de saúde e os restantes R$ 8,4 bi reservados para um fundo permanente de manutenção. A referida pesquisa da FGV mostra uma explosão de casos de câncer, provavelmente relacionados ao arsênio derivado do minério, além de problemas respiratórios e psicológicos em grande escala. Segundo os dados coletados, a expectativa de vida média reduziu em 2 anos e meio.

Ouvida pela Folha, a pesquisadora Rita Daniela Fernandez Medina, uma das responsáveis pelo estudo epidemiológico, afirma que as substâncias tóxicas liberadas pela jazida mineral devem manter a contaminação do ecossistema até o final do século. Da parte das empresas, tanto Vale como BHP Billiton, que controlavam a Samarco, foram feitas manobras para protelar indenizações e frequentes denúncias de que dividiam as famílias através de negociações individuais e desde 2021 aceitaram incluir famílias em um programa de indenizações fixas de apenas R$ 35 mil.

Saúde promove ações territoriais contra dengue

Lançado em janeiro, o Centro de Operações de Emergência em Saúde para Dengue e Outras Arboviroses (COE Dengue) é um instrumento criado pelo Ministério da Saúde para coordenar ações de combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti através de ações preventivas e vigilância sanitária. Neste mês, em parceria com o Ministério da Educação, o COE promove ações de norte a sul do país em áreas vulneráveis à epidemia de dengue, tanto para educar a população como aprofundar a organização do SUS no controle da doença. O esforço é parte do Plano de Contingência Nacional, lançado no final de 2024 e que distribuiu R$ 1,5 bilhão para estados e municípios. 

Como favelas são mais propícias a mutações de coronavírus

A Fiocruz publicou os resultados de um estudo com dados genéticos coletados entre moradores do complexo de favelas da Maré entre 2020 e 2022 e concluiu que ambientes de vulnerabilidade social são mais propícios à propagação do vírus. Veiculado na revista Frontiers in Microbiology, o estudo se deu a partir da percepção de que a mortalidade na área era o dobro da verificada em áreas urbanizadas.

Isso se explica pelo fato de ambientes precários possuírem menos ventilação, mais pessoas morando de forma aglomerada em pequenos imóveis, falta de coleta de lixo e esgotamento sanitário, o que favorece a disseminação de infecções respiratórias. Dessa forma, os autores afirmam que se criam condições propícias para a evolução do vírus e eventuais mutações.

Chineses descobrem nova cepa de coronavírus

HKU5-CoV-2. Este é o nome da mutação do vírus da covid-19 recém-descoberta por pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan, cidade onde se acredita que surgiu a pandemia de Sars-CoV-2 no final de 2019. Os cientistas fizeram análise de dados de morcegos, hospedeiros do coronavírus na crise global, e descobriram uma mutação da família do marbecovírus, subfamília do coronavírus, e sua transmissibilidade para humanos, a partir da mesma célula receptora do organismo, a Enzima Conversora de Angiotensina 2. 

Ao Estadão, o infectologista Alexandre Naime Barbosa afirma que esta versão do vírus não parece perigosa aos humanos; no entanto, a questão principal é que o patógeno segue em evolução e em algum momento pode evoluir para um estágio mais perigoso.

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