“Em um olhar, você percebe. E machuca”

Parada LGBTI da resistência reúne milhares na orla de Copacabana. | Foto: Luiza Sansão

Pessoas LGBTs contam como o preconceito se manifesta em seu cotidiano, durante a 22ª Parada Gay, que levou milhares à orla de Copacabana neste domingo (19). Perto do evento, religiosos expuseram cartazes homofóbicos. Em 2016, 62% dos casos atendidos pelo programa Rio Sem Homofobia foram de agressões verbais e físicas, ameaças e constrangimentos

Reportagem de Luiza Sansão


“Estou aqui pela resistência, pela luta, e não pelo carnaval que se tornou a parada”, diz o ator de teatro e estudante de Psicologia Cícero Reis, de 46 anos, durante
a 22ª Parada do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex), que lotou a orla de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde deste domingo (19). Nem o tempo nublado, com a chuva fina que começou pouco depois das 15h, dispersou a multidão.

Gay, negro e nordestino, ele conta que sente o preconceito em dose tripla no cotidiano. “Sofro vários preconceitos enraizados. Mas nunca deixei que o preconceito me diminuísse. Nós, minorias, temos que resistir diariamente e nos fortalecer”. Indagado sobre a maneira com que o preconceito se manifesta mais frequentemente em seu dia a dia, Cícero não hesita: “em um olhar, você percebe. E machuca”.

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