2015 – Rio teve apartheid na zona sul e execução de crianças

Cidade que recebe a Olimpíada teve um ano para se esquecer em termos de violência policial; crianças foram executadas; adolescentes pobres, revistados e ofendidos

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O Rio de Janeiro continua violento. E é um dos símbolos da barbárie policial no Brasil, o país das mortes em “tiroteios”. Ou das execuções. De negros, descendentes de indígenas, pobres. E de crianças e adolescentes. Como Eduardo de Jesus, em abril. Herinaldo Santana e Cristan Andrade, em setembro. Eles tinham 10, 11 e 13 anos:

10/04 (Rio): Menino de 10 anos é morto no Alemão; moradores acusam policial
10/04 (Rio): Moradores do Complexo do Alemão relatam abusos e violações de policiais
23/09 (Rio): Morre criança baleada por PM em favela do Caju
08/09 (Rio): ‘Rapaz estudioso e bom’, diz tio sobre morto em tiroteio em Manguinhos Continuar lendo

A execução de adolescentes no Rio e o vídeo do Unicef que ninguém viu

O que separa o assassinato de cinco jovens por policiais, no Rio, e o depoimento de mães de adolescentes mortos? Como a opinião pública percebe esses dramas?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Durante 95 segundos, três mães – três mães negras – falam sobre seus filhos. Sorrindo. “Eu nunca vi uma pessoa igual a ele”, diz a mãe de Hítalo Gabriel, de 12 anos. “Todos os dias ele falava pra mim: ‘Você é a melhor mãe do mundo, te amo'”. A mãe de Cristian, de 13 anos, lembra que ele praticava vários esportes, era brincalhão, difícil vê-lo de cara feia. Queria estudar e ser bombeiro, como o tio. “Ele trabalhava, com 17 anos já tinha emprego registrado”, conta a mãe de Christian. “Era um menino cheio de sonhos. Era o primeiro em matemática. Era o primeiro na minha vida”.

Os depoimentos fazem parte de uma campanha que o Unicef – o Fundo das Nações Unidas para a Infância – lançou no dia 20, o Dia da Consciência Negra. Nos 40 segundos finais do vídeo, as mães baixam a cabeça. Fecham os olhos. Choram. Enquanto isso lemos que, todos os dias, 28 crianças e adolescentes morrem assassinados no Brasil. E que a maioria são meninos negros, pobres e moradores da periferia. A mãe de Christian completa: “Ele já tinha namorada. Já tinha emprego. E eu só tinha ele”. Continuar lendo