Brasil merece conhecer relações entre “senador da chalana” e Carlinhos Cachoeira

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Wilder de Morais, dono do barco-boate onde esteve Alexandre de Moraes, foi investigado na CPI do bicheiro; seu sócio no Hotel Nacional foi sócio de Cachoeira

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A imprensa vai blindar Wilder de Morais (PP-GO) e os demais senadores que estavam na chalana de sua propriedade, o barco-boate onde ele recebeu, para uma sabatina muito peculiar, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes? Ou serão expostas as conexões entre Morais e o bicheiro Carlinhos Cachoeira? E entre ele e o senador cassado Demóstenes Torres, de quem foi suplente por ser um empresário milionário? E entre Sandro Mabel, assessor especial de Temer, e Cachoeira?

Que o engenheiro Wilder Pedro de Morais esteve na CPMI do Cachoeira, em 2012, na época como suplente de Demóstenes Torres (DEM-GO), há algumas referências tímidas na mídia, aqui e ali – em 2017, poucas. Mas falta relembrar que ele mereceu um item inteiro no relatório da CPI. Os nobres parlamentares concluíram que não havia ligação dele com a organização criminosa, mas os diálogos que conectam os dois personagens talvez possam ser resgatados pela eventualmente curiosa imprensa brasileira. Continuar lendo

Por que repercutimos mais Janaina Paschoal do que Marco Aurélio Mello?

“Que tempos estranhos estamos a vivenciar”, disse o ministro do STF em entrevista; nestes tempos estamos mais próximos de sua perspectiva ou daquela da professora?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Dois momentos políticos.

1) Uma professora de Direito da USP, autora do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, faz um discurso inflamado, conforme uma tradição específica da retórica (a patética), e causa um fuzuê nas redes sociais. Surgindo como grande pauta nacional. Motiva gifs, memes (em um deles aparece como se estivesse cantando música do Iron Maiden) e avaliações generalizadas sobre seu desempenho. Em boa parte, machistas.

2) Um ministro do Supremo Tribunal Federal concede entrevista ao Roda-Viva, com perorações sisudas sobre os procedimentos legais. Com um discurso racional, equilibrado (mesmo diante de um entrevistador particularmente empolgado), oferece uma perspectiva de análise mais sóbria em relação aos rumos do país, desconectada de um sentido de urgência absoluta, como se tivéssemos a cada momento de revirar as instituições de cima para baixo. Continuar lendo