Esquerda erra ao minimizar “Deus e a família”

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Plenário da Câmara? Não: “Cristo Carregando a Cruz” (Bosch, início do século 16)

Direita nada de braçadas no que se refere ao convencimento direto de setores majoritários da população; votos pelo “sim” no impeachment precisam ser estudados

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Onde a direita acerta? Há tempos penso em escrever algo nessa linha. Tentando identificar alguma fundamentação – ainda que tortuosa – em argumentos e fatos por ela utilizados em seu discurso. Ou estará ela errada o tempo todo, sob todos os aspectos? A esquerda precisa ignorar o papel do medo, por exemplo, na definição das opções políticas de cada cidadão? Por que deixar a direita nadar de braçadas em relação a determinados temas que interessam a todos os brasileiros?

Fiquei pensando nisso ao tentar rever a votação de domingo, em meio ao show de horrores na Câmara. Ainda que seja mais fácil maximizar uma fala especialmente grotesca, como a de Jair Bolsonaro (de certa forma bancando sua estratégia violenta), talvez falte refletir sobre o papel de Deus e da família na conquista de mentes e corações – e no quanto sair demonizando as duas palavras pode significar mais uma compra do jogo do adversário. Continuar lendo

31 de outubro vira Dia Nacional da Proclamação do Evangelho

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Lei foi sancionada por Dilma no dia 12 de janeiro e, salvo no circuito evangélico, passou despercebida; para Leandro Karnal, é hora de discutir limites do Estado laico

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O dia 31 de outubro – conhecido como Dia das Bruxas – será agora o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho. Nesse dia “dar-se-á ampla divulgação à proclamação do Evangelho, sem qualquer discriminação de credo dentre igrejas cristãs”. A lei foi sancionada por Dilma Rousseff na terça-feira, 12 de janeiro de 2016 – o 128º da República.

Em 1890, observa o historiador Leandro Karnal, ficavam oficialmente separados Estado e Igreja Católica e instituía-se a liberdade de culto. Mas todas as Constituições posteriores à de 1891 foram colocadas sob a proteção de Deus. Crucifixos no Senado, na Câmara, no STF, mostram uma “separação imperfeita”, definiu hoje o professor da Unicamp, ao tratar do tema em sua página no Facebook. Continuar lendo