Fator PUC: um desvio calculado das provocações para o movimento estudantil

Direita torce por excessos dos manifestantes de esquerda; se não ocorrerem, que sejam inventados; ao contrário da Maria Antônia, em 1968, PM foi protagonista

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O ato pela democracia da sexta-feira tinha muitas senhoras, idosos. E foi organizado por sindicatos e movimentos sociais. Mais calejados no que se refere à organização, e em como responder a provocadores. Muitos apostamos que a polícia não reprimiria – e não reprimiu. Para onde os provocadores de direita voltariam, então, suas baterias, sem atirar no próprio pé? Claro: para o movimento estudantil. Quem nessa sociedade atordoada se importará com mais estudantes sendo reprimidos pela PM?

Configura-se, desta forma, uma estratégia calculada da extrema direita, essa aliada incondicional da derrubada de Dilma Rousseff – ao lado da imprensa graúda, de políticos que querem se livrar da Lava Jato e de setores do Judiciário. Os manifestantes que colocaram um carro de som em frente da PUC-SP, na noite de ontem, atrapalhando as aulas e provocando os estudantes (de esquerda), sabiam bem o que estavam fazendo. E não vão parar. Continuar lendo

Algo acontece em São Paulo, na #OcupaFernão

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Ocupação em Pinheiros virou ponto de encontro de estudantes e movimentos sociais e influencia novos protestos contra fechamento de escolas pelo governo Alckmin

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O bandeirante está amordaçado. Mais exatamente, envolto em sacos de lixo, na Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, uma das regiões mais antigas da cidade de São Paulo. A escola está ocupada desde terça-feira por estudantes secundaristas, que protestam contra a decisão do governo estadual de fechar 94 escolas no Estado, sob o eufemismo da “reorganização”.

A estátua de Fernão Dias Paes compõe um cenário singular na Rua Pedroso de Moraes, que leva o nome de outro bandeirante, “o terror dos índios”. Uma das duas faixas da avenida foi fechada para carros e outros estudantes passam o dia mobilizados, entoando palavras de ordem contra o governo, sob o som de uma bateria. Algo acontece em São Paulo entre a política e a estética. Continuar lendo