Esquerda não está imune ao risco de datenização do debate político

datena

Caso do estupro coletivo no Rio inunda redes sociais e nos convida a uma reflexão sobre banalização da violência; não estamos repetindo a lógica imediatista do jornalismo cão?

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Ontem eu passava por um ponto de táxi e tinha uma TV transmitindo o programa do Datena. E lá estava ele, narrando uma cena de um frentista sendo massacrado por um bando. Muitos chutes na cabeça. Covardia pura – e replicada “n” vezes pelo programa, sob o pretexto de promover a indignação coletiva. Mas com pelo menos um efeito contrário: a banalização da violência. A edição repete a cena, voltam os pontapés, e apresentamos à sociedade (e com o nome de jornalismo) a nossa cota diária de barbárie televisionada. Nem mortes a TV se poupa mais de transmitir. “Veja agora o momento do tiro”. E assim por diante.

E fiquei pensando no Datena. Observando. Pela primeira vez percebi que suas sobrancelhas lembram muito a de um grande ídolo meu, o cineasta Federico Fellini. Nada menos. E somente elas, claro. De qualquer forma, a figura do apresentador me intriga. Não somente ela, mas o seu sucesso. Ou talvez, guardadas as proporções, ele tenha outra característica do diretor italiano: o carisma. Ainda que às avessas, com outros propósitos, outras referências. E o desafio reflexivo passa a ser o seguinte: o quanto não resvalamos – cognitivamente ou emocionalmente – com posições dignas de José Luiz Datena? Continuar lendo