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Outros Quinhentos sorteia o livro Além do PT

Obra polêmica de Fábio Luis tem como central no fim do ciclo progressista da América Latina as contradições do modelo progressista-extrativista e de regulação dos conflitos. Contribuintes de Outros Quinhentos concorrem a quatro exemplares

Por André Takahashi

Em um momento de impasse político ocasionado pela prisão de Lula, pela intervenção federal-militar no Rio de Janeiro e pela escalada da violência política contra militantes de esquerda é necessário refletir sobre as contradições dos últimos anos que nos trouxeram até aqui. 

A partir de tal proposta Fábio Luís escreveu  “Além do PT”, editado pela editora Elefante em 2017. 

Na esquerda há um grande debate sobre em que medida as opções petistas de governabilidade contribuíram para desencadear o golpe de 2016. Dentre as grandes teses sobre o golpe de 2016 duas se destacam: a de que este começou nas jornadas de junho de 2013 — esta, a mais aceita entre a base petista. A segunda é que mais que a revolta social desencadeada em junho de 2013 — e sua posterior captura pela direita — o golpe de 2016 foi viabilizado pelas opções de desenvolvimento e alianças políticas feitas pelo PT. É nessa tese que se concentra o livro de Fábio Luis. 

No dia 27 de outubro de 2016,  Fabio Luis apresentou as principais teses de seu livro na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior de São Paulo. Eis uma síntese:


1) O PT é corresponsável pela própria decadência: apassivou os movimentos populares (que, por sua vez, aceitaram submeter-se às benesses da proximidade com o poder) enquanto pactuou com os setores políticos e econômicos (agronegócio, PMDB, mídia) que mais tarde viriam a guindá-lo do poder;


2) O golpe contra Dilma não significa uma mudança no sentido da história brasileira, mas a imposição de um ritmo mais acelerado e truculento em um mesmo sentido, que é conservador: um exemplo disso é que o ministro da Fazenda de Temer foi presidente do Banco Central com Lula.

3) O PT caiu não porque representava um projeto popular para o país, mas porque perdeu sua funcionalidade política às elites: deixou de garantir pequenos ganhos aos mais pobres, freando o descontentamento popular: o PT passou a ser desnecessário para o avanço do neoliberalismo, ao qual jamais se opôs durante os treze anos em que ocupou o Planalto.

4) As gestões petistas não funcionaram como alavanca, mas como freio da chamada “onda progressista” sul-americana: o projeto brasileiro das “campeãs nacionais” e da expansão do capital nacional sobre a região viu no bolivarianismo um concorrente — e não um aliado — para suas pretensões subimperialistas, subordinadas, por sua vez, aos Estados Unidos;

5) De maneira geral, a chamada “onda progressista” sul-americana não questionou o neoliberalismo: quando o fez, como no caso da Venezuela, o fez baseando-se no extractivismo — que historicamente é o maior produtor de dependência e desigualdade em toda a América Latina;

6) A grande lição deixada pelos governos petistas, no Brasil, e pelos governos progressistas, na América do Sul, em perspectiva histórica, é que não é possível implementar mudanças políticas e sociais dentro da ordem.

Para o autor é preciso “matar” simbolicamente o PT, além de reelaborar um horizonte político baseado no combate à dependência e à desigualdade, ou seja, no combate aos imperativos do crescimento econômico, da superexploração do trabalho e da degradação da natureza, mirando a uma política contra-hegemônica: caso contrário, se estará fazendo nada mais que um reformismo conservador.


Cabe ao povo brasileiro decidir se o PT está superado ou não como instrumento político. E, até o momento, não surgiu na esquerda nacional nenhum projeto capaz de cumprir essa tarefa. Alem disso, as mobilizações em decorrência da prisão de Lula, seu posicionamento crescente nas pesquisas eleitorais e a retomada do partido diante da perseguição seletiva do judiciário mostra que o PT mantém a capacidade de se reinventar e surpreender seus críticos e, o mais importante, o povo brasileiro.


Você pode concorrer a um dos 4 exemplares em sorteio preenchendo o formulário abaixo até às 15h de quarta-feira, 09/05. Mas lembre-se: só se for um colaborador de Outros Quinhentos — nosso projeto de financiamento coletivo por um jornalismo independente, crítico e profundo. Se você ainda não colabora, veja como funciona, aqui




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