O jornalista Yan Boechat relata cobertura das guerras na Síria e no Iraque

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Repórter brasileiro comenta a situação do Oriente Médio no momento em que o conflito na região esquenta com as batalhas contra o Estado Islâmico em Mossul e Raqqa

Por Marina Ayub

Nesta quarta-feira, 28, o jornalista Yan Boechat esteve no Al Janiah, bar palestino na região paulistana da Bela Vista, em São Paulo, que promove eventos político-culturais, para conversar sobre a experiência de sete meses reportando os conflitos no Iraque e na Síria. A mediação foi do professor de Relações Internacionais da PUC-SP e coordenador do Grupo de Estudos em Relações Internacionais (GECI/PUC-SP), Reginaldo Nasser. No segundo semestre de 2017, o GECI irá oferecer um curso sobre Oriente Médio e Política Internacional na PUC-SP. Saiba mais e inscreva-se aqui.

Há quinze dias no Brasil, o enviado especial da Band para cobrir os conflitos em Mossul, no Iraque, e Alepo, na Síria, iniciou o debate afirmando que o Oriente Médio está se transformando: “Com certeza muita coisa mudará daqui para frente. No entanto, preciso afirmar que eu conheci e cobri uma Síria controlada por Bashar al-Assad. Não tive acesso a outro país.”

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Boechat e Nasser durante o evento no Al Janiah

Boechat afirma que é difícil se movimentar pelo território sírio: “Há checkpoints para todos os lados. Apesar disso, há uma resiliência enorme em relação à guerra, que, aliás, é apenas denominada de ‘crise’ pelos sírios agora. A impressão que a mídia causa é que não há mais nada além de destroços na Síria; isso não é verdade”, comenta ele, que exemplificou a normalidade existente em algumas regiões com a sua visita à semana de moda de Damasco.

O jornalista salientou também as diferenças entre Homs, coração das revoltas de 2011, e Damasco. Segundo ele, a primeira está completamente destruída; já a capital consegue viver em paz em certos bairros e é protegida pelas forças sírias com o apoio do Hezbollah e dos caças russos, parte do atual cotidiano sírio: “O barulho dos aviões e dos tiros faz parte da rotina”, observa.

Outro ponto do debate foi o sectarismo religioso no Oriente Médio. “Sempre existiu, agora está latente. O levante sunita no Iraque em 2014 foi essencial para toda a questão, porque enxergaram no Estado Islâmico uma força libertadora. Isso não significa que todos os sunitas iraquianos sejam wahabbitas“, afirma Boechat. Ele também lembrou a importância do desmantelamento do exército de Saddam Hussein, processo impulsionado pelo diplomata americano e responsável pela ocupação dos EUA no Iraque, Paul Bremer, na formação de milícias iraquianas e do Estado Islâmico.

A economia política da na Síria e no Iraque chamou a atenção do jornalista. “Organizações não governamentais, hotéis, taxistas que cobram 500 dólares o dia para fazer tradução aos jornalistas. A guerra definitivamente mexe com a economia. O dia em que o conflito em Mossul acabar, Erbil (capital do Curdistão iraquiano) irá sofrer”, comenta Boechat.

Assista aqui as reportagens de Yan Boechat exibidas durante o evento no Al Janiah:

 

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