PUC-SP oferece curso “Oriente Médio e Política Internacional” no 2º semestre

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Uma bomba explode (11/14) na cidade síria de Kobane (Aris Messinis/AFP/Getty Images)

A partir de 19 de agosto (até 25 de novembro), a PUC-SP oferece (em 15 aulas) o curso de extensão “Oriente Médio e Política Internacional”, que abordará  marcos importantes para a compreensão dos aspectos políticos, econômicos, culturais, religiosos e sociais da região. As aulas acontecerão no Campus Perdizes da PUC-SP. A inscrição é aberta a todos.

O presidente em exercício dos EUA, Donald Trump, decidiu que sua primeira viagem internacional fosse ao Oriente Médio. Ele iniciou o seu périplo visitando a monarquia saudita, onde expôs a sua visão sobre o combate ao terrorismo (“Drive them out!”) e, depois, teve uma breve passagem por Israel/Palestina. Lá, demonstrou um enorme interesse em colocar em curso novamente o “processo de paz”. O mandato Trump ainda oferece alguns mistérios, mas torna-se mais uma camada sobreposta sobre aquele conjunto de países.

Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP e coordenador do curso, conta uma história reveladora da mudança da realidade da região que passou no piscar de um século. “Foi-se o tempo em que, a bordo de um elegante iate britânico os presentes debatiam a tese de um professor dos EUA, que defendia que os primórdios da civilização moderna europeia não estava na Grécia ou em Roma, mas no Oriente Médio. Com a desintegração do Império Otomano após a 1ª Guerra Mundial, estadistas como Churchill, Lloyd George, Wilson e Lênin passaram a ver o Oriente Médio como uma área de teste de suas visões de mundo”.

O arco do curso vai entender como um século depois, uma região que era considerada um remanso político para grandes potências, águas calmas de uma época colonial distante, transformou-se num dos lugares mais turbulentos do mundo. “As revoltas árabes, a guerra da Síria, a ascensão do Estado Islâmico, a questão Palestina/Israel, a disputa entre Turquia, Arábia Saudita e Irã pela hegemonia regional e os interesses de EUA e Rússia, tudo isso vamos procurar abordar por meio de uma perspectiva histórica e contemporânea no âmbito das relações internacionais”, revela Nasser.

O curso vai buscar olhar para estes fenômenos contemporâneos da região por meio de uma análise de movimentos constitutivos da política regional, como o sistema de mandatos após a 1ª Guerra Mundial, os conflitos no processo de descolonização, a formação dos Estados-nacionais e a ascensão de ideologias como o sionismo, o nacionalismo árabe e o islã político.

 

História, cultura e política

Isam Ahmad Issa será um dos palestrantes do curso. Palestino, viveu toda a sua vida no Oriente Médio até vir ao Brasil por causa dos conflitos no Iraque após a ocupação norte-americana. Ele tem uma sugestão simples para o contato de quem quer entender a região: “Para pessoas que estejam longe e queiram compreender uma realidade como a nossa, deve olhar para um mapa, isso é essencial para se fazer uma análise. Esta é a melhor entrada para iniciar o entendimento, não só para o Oriente Médio, mas para todas as regiões”. Mapas não faltarão, e olharemos para o tracejar e o destruir das fronteiras que significaram derramamento de sangue e a fragmentação de vidas. Ao sobrevoar aquelas terras, teremos a dimensão das mudanças que a História jogou sobre aqueles territórios.

A professora Mariana Bernussi destaca que uma das lentes de análise que o curso propõe são as questões de gênero. “Aquela é a região geográfica com a maior disparidade econômica entre homens e mulheres. Um relatório do Fórum Econômico Mundial mostrou que seriam necessários 356 anos para se atingir a igualdade de gênero na região. Temas como a discussão sobre o uso do véu, da burca, do empoderamento político das mulheres, por meio do direito ao voto e da participação em cargos de tomada de decisão, devem ser vistos no entrelaçamento entre as esferas da vida pública e privada, entre a narrativa feminista local e a violência destacada pela mídia ocidental, entre o que liberta e o que oprime”.  

O fato é que aquele conjunto de países parece cada vez mais exigir uma compreensão profunda por parte de jornalistas, diplomatas, professores e funcionários públicos que lidam com políticas sociais. O tema do refúgio entrou na pauta de grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Mas, para além dessa necessidade, o fato é que os impactos chegam até nossas atividades mais cotidianas. O jornalista e professor José Arbex Jr. destaca essa importância: “são acontecimentos que não podem ser entendidos como fatos meramente regionais, coisas que acontecem lá longe, no meio do nada, sem qualquer relação com as nossas vidas. Muito ao contrário. Mesmo deixando de lado todas as implicações religiosas, culturais e simbólicas que estão em jogo, mesmo esquecendo tudo isso – o que não é pouco – ainda temos que nos defrontar com o preço que aparece nas bombas de gasolina ao abastecermos nossos veículos, somos afetados pelas medidas de vigilância e segurança que decorrem da infindável, e sob muitos aspectos, questionável guerra ao terror. Não há como entender a geopolítica e a economia mundial, não há como sequer projetar as oscilações do orçamento doméstico sem discutir o Oriente Médio. É simples assim”.

O curso é organizado a partir da produção do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais da PUC-SP (GECI) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INEU). O público-alvo são estudantes de graduação/pós-graduação e profissionais de áreas de Relações Internacionais, Ciências Sociais, Economia, História e Jornalismo.

Segundo a organização do curso, há a possibilidade de abertura de uma segunda turma em dia de semana à noite. Para saber mais, entre em contato aqui.

 

Serviço:

De 19 de agosto de 2017 a 25 de novembro de 2017
Dia e Horário: sábados, das 9h às 13h

Local: Campus Perdizes da PUC-SP — Rua Monte Alegre, 984 – Perdizes, São Paulo-SP

Realização: Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão (COGEAE), Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (GECI/PUC-SP) e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INEU).

Investimento:
6 parcelas de R$ 405,00

Taxa de Inscrição:

Taxa com desconto até 25/06 – R$ 60,00
A partir de 26/06 (até o início do curso) – R$ 80,00

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