Oito dicas para um Carnaval sem estupros

daniel-iglesas

Festa brasileira tem, felizmente, forte caráter de libertação sexual. Isso não significa que o consentimento [email protected] [email protected] seja dispensável

Por Marília Moschkovich, na coluna Mulher Alternativa

É hora da folia, este momento tão querido do ano de tantos brasileiros e brasileiras. O carnaval é uma festa que tem amplo caráter de libertação sexual e acho que todo mundo morre um pouco de inveja do Brasil quando o assunto é este. Pois bem: libertação sexual não significa que o consentimento das pessoas envolvidas se torne desnecessário. Por isso, elaborei algumas dicas bacaninhas pra quem quer uma folia em pé de igualdade!

1. Se a moça disser “não”, não insista. “Não” é não. Se ela realmente estiver fazendo doce, azar o dela que vai perder a chance de ficar com um cara tão legal quanto você.

2. Se vocês estão lá naquela pegação delícia e a mulher de repente bota um limite, e diz que dali não passa, ou que daquele jeito não está legal, ouça. Pare. Respeite.

3. Nada de encostar no corpo da moçoila sem permissão. Não há nada mais babaca nesta existência. O corpo dela é dela, e não um objeto de decoração e deleite da festa de carnaval.

TEXTO-MEIO

4. Se você já beijou, significa apenas isso: que você beijou. Não significa que vocês precisam trepar, nem que é ok fazer qualquer coisa para a qual ela disser “não” (ver dicas nº1 e nº2).

5. O que vai rolar não depende exclusivamente de você, ao contrário do que nossa doentia sociedade te ensina. As mulheres não são pedaços de carne que respondem de maneira automática a teus estímulos sexuais, emocionais e carinhosos/afetivos.

6. Toda mulher tem o direito de não querer você – mesmo quando ela quiser o resto da festa inteira. Lide com isso sem ser um choramingão. Se você é mesmo esse cara tão bacana e agradável, certamente haverá gente afim de um auê contigo. Se não houver, bem, paciência. O mundo tem outros 6 bilhões de pessoas, e embora o carnaval seja incrível, não é a primeira nem a última oportunidade de pegar alguém nem de fazer sexo casualmente.

7. Se você perceber uma mulher desacordada de tão bêbada, cuide para que ninguém (sobretudo você mesmo) ache que por isso pode tocá-la. Ela não está em condições de consentir.

8. Jamais proponha sexo sem camisinha. Para algumas mulheres é difícil contrariar homens que dão aquela choramingada pra não usar (estrutura de dominação histórica é pesada – por mais liberal, feminista e empoderada que seja ela). Faça sua parte.

[Em tempo, um recado para as mocinhas: qualquer estupro que venham a sofrer no carnaval não é culpa de vocês. Nunca. É culpa de quem estuprou. Para curtir o carnaval legal, tenha claro pra si quais são seus limites e, caso você comece a sacar que eles estão passando, acenda uma luzinha de ALERTA na sua cabeça. Não tenha medo nem receio de dizer “não”, interromper ou desistir e mudar de ideia sempre que você estiver desconfortável com algo. Sempre. Se alguém não estiver respeitando teus limites e teus “nãos”, peça ajuda. Se ele continuar, chame a polícia, grupos de amigos, enfim. Escandalize. Além disso, se perceber que alguma menina está nessa situação tentando se livrar de um idiota, ajude. Da forma como puder. Solidariedade é fundamental.]

TEXTO-FIM
The following two tabs change content below.

Marília Moschkovich

(@MariliaMoscou) é socióloga, militante feminista, jornalista iniciante e escritora; às segundas-feiras contribui com o Outras Palavras na coluna Mulher Alternativa. Seu blog pessoal é www.mariliamoscou.com.br/blog.