Não é tão estranho, mon ami

Chéri à Paris investiga o curioso costume dos franceses em dizer que sim dizendo que não. Os brasileiros fazem isso?

Por Daniel Cariello*, em Chéri à Paris

“Ce n’est pas” e sua abreviação “c’est pas” significam “não é” em português. Ou deveriam significar. Só que nem sempre é assim.

— “C’est pas mauvais” literalmente quer dizer “não é ruim” e na verdade significa que é bom.

— “C’est pas si mauvais” literalmente quer dizer “não é tão ruim” e na verdade significa que é muito bom.

— “C’est pas mauvais du tout” quer dizer “não é nada ruim” e é o maior elogio que você pode receber de um francês.

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— “C’est pas cher” literalmente quer dizer “não é caro” e na verdade significa que é bem barato.

— “C’est pas terrible” literalmente quer dizer “não é terrível” e na verdade significa que é muito terrível.

— “C’est pas un sauvage” quer dizer “não é um selvagem” e é comumente usado para falar de alguém, vejam só, muito bem educado.

— “C’est pas grave” literalmente quer dizer “não é grave” e na verdade significa que você acabou de fazer algo bem grave.

E aí outro dia eu fui conversar com um amigo sobre essas curiosidades.

— Fernando.

— Pois não?

— Já parou pra pensar nessas expressões? E depois os franceses acham que os brasileiros complicam a língua, invertendo o sentido das palavras.

— Os brasileiros é que invertem? Pois sim…

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(*) Daniel Cariello, editor da revista Brazuca, é colaborador regular do Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui

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Daniel Cariello

Daniel Cariello é colaborador de Outras Palavras e, antes, do Diplô Brasil, desde 2008. Já lançou dois livros de crônicas, Chéri à Paris (2013) e Cidade dos Sonhos (2015), ambos best sellers na Amazon. Foi cronista de Veja Brasília e Meia Um. Este texto faz parte de seu novo projeto, Cartas da Guanabara, com crônicas cariocas. É editor do selo literário Longe.

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