Lênin vive, em bronze e telas

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Noventa anos depois de morto, ele está presente em monumentos e filmes. “Socialismo real”, ao que parece, ainda precisa ser debatido mais profundamente

Por Vladimir Kozlov | Tradução Cauê Seignemartin Ameni

Quando a cortina de ferro entrou em colapso, muitos países tentaram enterrar seu passado comunista o mais rápido possível. Mesmo que diversas esculturas do líder proletário tenham sido destruídas ou arrancadas de suas bases, estima-se que 6 mil monumentos de Lênin ainda estejam de pé em todo o mundo.

Imagens de Lênin continuam visíveis através das cidades no sul do estado indiano de Kerala, onde a cada eleição, um governo do partido comunista é eleito ao poder. O mesmo pode ser dito de Cacutá e outras partes de Bengala Ocidental, que testemunhou um ininterrupto governo comunista ao longe de três décadas.

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Estatua de Lenin sendo lavada no estado indiano de Kerala

Estatua de Lenin sendo lavada no estado indiano de Kerala

Cuba, que continua abraçando com a ideologia comunista, tem um parque inteiro em homenagem a Lênin. Criado em Havana, destinado à atividades recreativas ao ar livre do proletariado cubano, o parque possui uma estátua de mármore do líder soviético, com 30 metros de altura.

Na Rússia, um dos monumentos de Lênin menos convencionais está localizado na cidade de Chelyabinsk, nos Urais. A construção do mausoléu, estruturado em colunas, uma varanda e um busto de bronze do líder bolchevique, foi financiada por doações de trabalhadores locais. Foi inaugurada em 1925, logo após a morte de Lênin.

Um dos lugares mais improváveis da Terra para contar com um monumento do líder comunista é Port Louis, capital das Ilhas Maurício, no sul da África. Resiste uma estátua instalada em 1983.

Os Estados Unidos também possuem alguns monumentos do líder comunista. Um foi instalado no final de 1980, no telhado do 13º andar do edifício Praça Vermelha em East Village, Manhattan. Criada pelo escultor russo Yuri Gerasimov, a estátua nunca foi exibida publicamente na Rússia devido ao colapso da União Soviética. Estava no quintal de um sítio nos arredores de Moscou, antes de ser descoberta por Michael Shaoul, um dos criadores do edifício em Nova York, em meados da década de 90.

A estatua de Lenin na Praça Vermelha em East Village, no USA

A estátua de Lênin na Praça Vermelha em East Village, no USA

A maior estátua de Lênin nos EUA tem 16 metros de altura, foi erguida, no subúrbio de Fremont de Seattle. Criada pelo escultor eslavo/búlgaro Emil Venkov, a estátua foi originalmente descoberta na cidade eslovaca Poprad em 1988. Ela permaneceu em exibição pública pouco mais de um ano, antes de ser silenciosamente removida de sua base, após a Revolução de Veludo da Tchecoslováquia. Alguns anos depois, um professor americano reconheceu a estatua deitada num depósito de sucata em Poprad, e instalou-a em Fremont, em 1995.

Todavia, um busto de Lênin pode ser até mesmo encontrado na Antártida, instalado por pesquisadores soviéticos em 1958. O busto de plástico sobrevive até hoje, apesar da temperatura de cerca de -24°C.

busto de Lenin no meio da Antártida

Busto de Lenin no meio da Antártida

Em fita e em plástico: filmes e souvenir

Durante a era comunista, dezenas de filmes e documentários centrados em Lênin foram produzidos na União Soviética, indo desde peças de propaganda de pouco valor artístico até Sergei Einsenstein, com o seu Outubo: Dez dias que abalaram o mundo, e Três Canções Sobre Lenine de Dziga Vertov

Cineastas de todo o mundo também têm usado Lenin como personagem. Em Nicholas e Alexandra, de Franklin J. Schaffner, sobre o último czar russo, Nicholas II, destronado em 1917, Lenin é interpretado pelo ator britânico Michael Brynt.

Após o colapso do comunismo, o tom adotado em relação ao líder bolchevique mudou. Ele passou a ser retratado de forma menos reverente. O filme Minu Leinid (All My Lenins), dirigido por Hardi Volmer em 1997, é uma comédia focada numa escola fictícia de treinamento para dublês de Lênin.

Capa do filme "Adeus Lenin", do diretor alemão Wolfgang Becker

Capa do filme “Adeus Lenin”, do diretor alemão Wolfgang Becker

Mas talvez o filme mais conhecido dos últimos anos, quem tem o nome de Lênin no título, seja Adeus Lenin, de 2003, do diretor alemão Wolfgang Becker, estrelado por uma atriz russa Chulpan Khamatova. Ambientado nos meses após a reunificação da Alemanha em 1990, o filme realmente apresenta Lênin, mas apenas como uma estátua que está sendo levado como relíquia do passado comunista.

Numa tentativa semelhante de repensar o passado comunista, o artista Oleg Osmuk baseado em Norilsk (Rússia), fez pinturas baseadas em histórias em quadrinhos, caracterizando Lênin e outros líderes bolcheviques. Numa das imagens, o líder comunista é visto esbofeteando Batman. Voltando ao final dos anos 1980, as reformas da perestroika, na União Soviética, colocaram na moda, no Ocidente, produtos com símbolos comunistas. Os colecionadores estavam ansiosos para comprar bustos e esculturas de Lênin, que foram contrabandeadas ao invés de serem oficialmente exportadas da Rússia.

Hoje, o interesse relacionado a artigos colecionáveis de Lênin esta em baixa. Ainda assim, alguns itens relacionado com o líder bolchevique aparecem em lojas de antiguidade de tempos em tempos. Uma empresa americana focada em “antiguidades ímpares e únicas” esta oferecendo uma estátua de 5 metros de altura de Lênin, que se encontrava instalada perto do agora extinto restaurante Praça Vermelha, no Cassino Tropicana, em Atlantic City. .

Interessados em algo mais barato podem comprar um busto de porcelana de Lenin, oferecido por outra loja de antiguidades on-line por apenas  129 dólares.

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