Chéri à Paris Le marché des Enfants Rouges

(Chéri à Paris, por Daniel Cariello)
Esse texto faz parte da série “Autour de Paris”, de crônicas dedicadas a cada um dos bairros da cidade. Para ler os outros, clique aqui

No marché des Enfants Rouges tem um velho fotógrafo que vende cartões postais com imagens antigas de Paris e tira jurássicas polaróides dos interessados. Pelos preços que ele pratica, quando você cruza a porta da sua loja o seu dinheiro também parece virar antiguidade.

No marché des Enfants Rouges tem um vendedor de frutas e legumes bio, um peixeiro bio, um padeiro bio e uma rotisseria que espalha o cheiro de fritura por todo o mercado e deixa os bios com aquela cara de bio chorão.

No marché des Enfants Rouges tem uma tratoria chinesa, uma tratoria italiana, uma tratoria marroquina e mesmo uma tratoria francesa. É a globalização no trato rápido à fome.

No marché des Enfants Rouges eu já vi uma menina dar uma flor pra sua mãe, um namorado dar uma flor pra sua amada, um galanteador dar uma flor pra sua paquera e um cachorro alucicrazy destroçar um buquê que um vacilão deixou em cima da cadeira.

TEXTO-MEIO

O marché des Enfants Rouges, criado em 1615, é o mais antigo mercado de Paris. Uma vez havia por lá que era tão velhinho, tão vetusto, que tenho certeza estava na festa de inauguração do lugar.

O marché des Enfants Rouges está na moda em Paris e é um desses lugares que resume a França em si mesmo. Porém, aos sábados ele é tão cheio que nenhum parisiense arruma uma mesa, nenhum parisiense consegue andar entre os estandes, nenhum parisiense descola nada pra comer. Aos sábados, no marché des Enfants Rouges, os parisienses só conseguem reclamar, o que pra uma parte deles já está de bom tamanho.

Daniel Cariello, editor da revista Brazuca, é colaborador regular daBiblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui.

TEXTO-FIM
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Daniel Cariello

Daniel Cariello é colaborador de Outras Palavras e, antes, do Diplô Brasil, desde 2008. Já lançou dois livros de crônicas, Chéri à Paris (2013) e Cidade dos Sonhos (2015), ambos best sellers na Amazon. Foi cronista de Veja Brasília e Meia Um. Este texto faz parte de seu novo projeto, Cartas da Guanabara, com crônicas cariocas. É editor do selo literário Longe.

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