Regina Duarte e o Fascio do Neocangaço

Numa sátira em versos, as mutações da atriz Regina Duarte: de Malu Mulher, símbolo de autonomia feminina nos anos 80, a “namoradinha” patronal da Rede Globo e Porcina da cultura bolsonarista

Por Priscila Figueiredo | Imagem: Agnolo Bronzino, Detalhe da Alegoria do Triunfo de Vênus (1545)

“O Fascio do Neocangaço
contra o Dragão do Congresso e pelo Brasil!”

Regina é porca e porcina
mas parece que seu pasto mesmo
é do mais sobejo boi
é boi pra todo lado
o capim não vence de vencido
pecuarista global, indigenicida
entre seus cultivares
sempre teve o esgar
a histrionia, o bater lento
das pálpebras negras
ai moreninha, ai namoradinha
cheia de vontade sinhaesca, que medo!
que medo quando repasso tua gargalhada
seu reinado
pelas novelas da minha infância
Branda Simone, Malu autônoma
soi-disant versatilidade
a da namoradinha a quem o patrão
é que deu um pouco de ousadia
bandeirantemente

Benza Deus! e pensar que plim-plim aqui também foi
condão de civilização

“Solta a franga!, do meu pundonor
o Boni modernizador não gostava —
nunca levante os olhos de uma vez
mas sempre aos pouquinhos
bebericando o espaço de baixo para cima
me dizia o Daniel Filho
isso é que aprendi e me fez atriz”
foi por um triz! que ser atriz esteve
entre seus cultivares
pois não cultivou a arte
como cultiva o boi, o fascio
o curtume, a colônia
até a curtura
“500 produções aguardam por meu parecer
enquanto desfilo num filme ao vivo”
–que pena que Mojica morreu!–
Porcina da Ancine no Cerrado
Regina Rainha
empunhando o fascio do neocangaço
contra o Dragão do Congresso e pelo Brasil!

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Um comentario para "Regina Duarte e o Fascio do Neocangaço"

  1. Michele disse:

    Relacionar Cangaço com Fascismo é coisa de quem não conhece o Brasil……

    Triste

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