🎙️ Vacina e medicamentos: o papel da ciência pública

Indústria farmacêutica mostra garras: o Rendesivir, usado para tratar covid nos EUA, já custa mais de 15 mil reais. Apenas laboratórios públicos e suspensão das patentes poderão evitar que população pereça enquanto ricos se salvam…

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Matheus Falcão em entrevista a Maíra Mathias, no Tibungo

2020 trouxe a notícia de um novo vírus contra o qual os mais de sete bilhões de habitantes do planeta não tinham qualquer defesa. A pandemia da covid-19 que virou nosso cotidiano de cabeça pra baixo faz pensar em muita coisa tida como normal durante algum tempo, mas que, diante da urgência dessa crise, volta a ser questionada. É o caso do poder da indústria farmacêutica.

Isso porque a chamada Big Pharma está com a faca e o queijo na mão. Essa semana começou com um anúncio da Guilead, empresa norte-americana, que resolveu fixar em cerca de três mil dólares o preço para venda do medicamento remdesivir nos Estados Unidos, mesmo que a pesquisa desse remédio tenha envolvido um investimento público milionário daquele país. O remdesivir tem se provado eficiente na redução do tempo de internação em UTI – Ao mesmo tempo, cálculos independentes estimam que o tratamento deveria custar poucas centenas de dólares. E, além disso, só os Estados Unidos terao acesso a essa produção pelo menos até setembro, o que deixa o resto do mundo a ver navios.

No front das vacinas, temos o interessante caso de um imunizante que foi desenvolvido em universidade pública, recebeu investimentos públicos e, na fase final, foi licenciado para uma multinacional. É a famosa vacina de Oxford, que além de ser testada no Brasil também receberá investimento do nosso Ministério da Saúde graças a um acordo que, pode ou não, nos trazer vantagens.

Esses são apenas alguns aperitivos desse episódio do Tibungo que traz tudo o que você queria saber – e até o que você nem imaginava que queria saber – sobre essa tensa queda de braço entre interesse público e privado na arena dos medicamentos e vacinas. Quem nos guia de forma muito didática por esse universo é o advogado Matheus Falcão, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o Idec.

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