Em seu aniverário de um ano Ocupa Wall Street amanhece ocupada por… policiais

Em um dia de ações de protesto, desobediência civil, baile e música para celebrar o aniversário de um ano de nascimento do movimento Ocupa Wall Street, praça amanhece praticamente sob sítio, com policia fazendo prisões arbitrária a fim de impedir que manifestantes “ocupem” rua símbolo do mundo financeiro

Por David Brooks, La Jornada | Tradução: Katarina Peixoto, Carta Maior

Em um dia de ações de protesto, desobediência civil, baile e música para celebrar o aniversário de um ano de nascimento do movimento Ocupa Wall Street, praça amanhece praticamente sob sítio, com policia fazendo prisões arbitrária a fim de impedir que manifestantes “ocupem” rua símbolo do mundo financeiro

Por David Brooks, La Jornada | Tradução: Katarina Peixoto, Carta Maior

Nova York – Wall Street foi colocada sob sítio, segunda-feira (17), em um dia de ações de protesto, desobediência civil, baile e música para celebrar o aniversário de um ano de nascimento do movimento Ocupa Wall Street. Na verdade, quem ocupou toda a periferia de Wall Street foi a polícia, para impedir que os manifestantes “ocupassem” essa famosa rua, símbolo do mundo financeiro deste país. Assim como ocorreu há um ano, mesmo antes de iniciar suas ações, às sete horas da manhã, o movimento Ocupa já havia conseguido seu objetivo graças à polícia e às autoridades: Wall Street ficou ocupada.

Durante toda a manhã, contingentes organizados em torno dos grandes temas do movimento – dívida, meio ambiente, educação e saúde -, formados por todo tipo de integrantes (Ocupa Fé – de religiosos -, veteranos de guerra pela paz, sindicalistas e trabalhadores, estudantes, entre outros) realizaram o que chamaram de “redemoinhos” ao redor do perímetro de segurança com a Bolsa de Valores no centro, avançando de maneira simultânea desde diversos pontos, a passo veloz, para se encontrarem no centro (e mostrar simbolicamente as inter-relações entre temas e setores), o que provocou certo alarme entre milhares de policiais.

Alguns deles estavam liderados por bandas de percussão e metal, outros por títeres e bandeiras de todo tipo, mas, como se tratava de um aniversário, também havia balões, faixas com mensagens de felicitações e até um grande boneco que dizia: as entranhas da besta. Também estava presente a brigadas das avós pela paz, outros que se identificaram como pacifistas indignados, os que iam dançando pelas ruas e os cartazes onde se lia: eu sou Spartacus, ajudem a despertar todos os demais.

Também havia integrantes dos Ocupa de Vermont, da Virgínia, de Oakland, Los Angeles, Houston e outros lugares. Com eles chegaram mensagens de Feliz Aniversário, vindas de várias partes do país. Ao mesmo tempo, várias pessoas lembraram que essa luta se inspira e faz parte de outras mobilizações na Europa, no mundo árave, Chile, México e Canadá. A Fundação Don Sergio Méndez Arceo (do México) enviou uma saudação aos Ocupa por ocasião de seu primeiro aniversário.

Ao final do dia já havia cerca de 180 prisões, muitas delas realizadas de maneira arbitrária, executadas por ações policiais desenhadas mais para intimidar que para deter delinquentes ou para manter a ordem (havia policiais de uma unidade para controle de tumultos). A forte presença de policiais a pé, a cavalo, em motos, patrulhas, caminhões e helicópteros para proteger as sedes de bancos, da Bolsa de Valores, de empresas financeiras de Wall Street – ou seja, as instituições do um por cento – ante várias centenas de civis desarmados, comprometidos com atos de não violência (não foi relatada nenhuma ação violenta da parte deles) manifestando-se em nome dos 99%, foi talvez a imagem que melhor define o que ocorreu.

Até o símbolo da fortaleza da indústria financeira, o touro de Wall Street (que está no final da Broadway), estava cercado por completo com barreiras de segurança, protegidas por policiais contra bandas de música, balões, bailarinas, estudantes, trabalhadores, religiosos, veteranos e outras ameaças que circulavam por essa zona. Entre os primeiros detidos da manhã estava o ex-bispo George Packer, da famosa e poderosa Igreja Trinity, que vigia a entrada de Wall Street, com muitos outros veteranos pacifistas e outros ativistas detidos em momentos de desobediência civil para fechar a Broadway e outras ruas.

Algumas destas cenas evocaram uma imagem do mural de Diego Rivera em Belas Artes: O homem controlador do universo, criada há 80 anos para ser colocada no Rockfeller Center desta cidade, disse ao La Jornada o antropólogo Charles Goff, de Cuernavaca, que documentava o dia de protestos em Nova York. Em sua parte superior esquerda, o mural mostra policiais a cavalo reprimindo uma manifestação de trabalhadores por justiça econômica em Wall Street, com o pico da Igreja Trinity ao fundo.

Na noite de segunda, a Praça Liberdade (parque Zuccotti), sede do famoso acampamento dos Ocupa, voltou a ficar cheio um ano depois sob um forte esquema de segurança para assegurar que os manifestantes não instalassem materiais para acampar. Neste local foram realizadas assembleias populares e fóruns com a utilização do microfone do povo, o microfone humano, para avaliar o dia e discutir o futuro do movimento, enquanto esperavam ser expulsos do parque pela polícia.

Não se sabe qual será o futuro do Ocupa, tema de grande debate dentro e fora de suas fileiras, mas não resta dúvida de que foi o nascimento de uma nova geração de ativistas e um renascimento para outras gerações de lutadores sociais, que terá um efeito multiplicador ao longo do país daqui para frente. O eco deste movimento ressoa nos velhos muros e edifícios da zona financeira e, obviamente, – a julgar pelo aparato de segurança – continua provocando alarme entre os mais poderosos dos Estados Unidos.

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