Marina e Serra com planos opostos

Tucano quer oposição já e procura o DEM. Ex-candidata do PV pensa no longo prazo

Aos poucos, o xadrez das disputas institucionais na era Dilma começa a se desenhar. Nos últimos dias, os dois principais adversários da atual presidente, na disputa eleitoral do ano passado, emitiram os primeiros sinais sobre quais serão suas posturas. Ainda é muito cedo para ver esta manifestações como tendências, mas vale conhecê-las.

José Serra reapareceu publicamente em 8 de janeiro, no casamento da filha do ex-senador Tasso Jereissati. Chegou acompanhado do ex-presidente FHC, conta Raquel Ulhôa, no Valor de hoje. Não dava mostras de que pretenda exercer papel secundário, após a derrota. Ao contrário. Estava falante e parecia manter a postura que caracterizou sua campanha: oposição conservadora (e virulenta) ao governo. Seu principal interlocutor foi o líder do DEM no Senado, José Agripino. Esta postura, ressalta Raquel, tende a se chocar com a do outro grande expoente do partido: o ex-governador de Minas (agora senador) Aécio Neves. O primeiro embate entre os dois tende a se dar em torno da escolha do futuro presidente dos tucanos. Serra estaria interessado no posto; Aécio, disposto a barrá-lo.

Marina Silva compareceu ontem (18/1), ao Campus Party, um mega-encontro de tecnologias digitais em São Paulo. Entrevistada, anunciou dois planos: reestruturar o PV e criar o Instituto Marina Silva — uma grande ONG que buscará, entre outros objetivos, ampliar o envolvimento dos evangélicos na política. O PV é conhecido por falta de unidade programática: funciona hoje como uma federação de grupos regionais, que usam a legenda para defender políticas muito díspares, em alianças pouco coerentes (do DEM ao PT e PCdoB). Marina não deixou claro, porém, que sentido pretende dar à “reestruturação” que busca. É uma pauta importante. Mas outro expoente do PV, o deputado federal eleito Alfredo Sirkis, foi claro, quando indagado sobre a postura do partido diante do governo Dilma: “Vamos ficar independentes. Não queremos fazer uma oposição sistemática”.

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