Mianmar: por trás da prisão de Suu Kyi

Num país governado por junta militar, a única vencedora do Nobel da Paz que não vive em liberdade

A nova sentença contra a ativista e política birmanesa Aung San Suu Kyi — condenada hoje (11/8) a mais 18 meses de prisão domiciliar, por motivos bizarros — é, paradoxalmente, um sinal de debilidade da junta militar que governa o país com mãos de ferro. No poder desde 1988, quando deram um golpe de Estado, os militares enfrentaram em 2007 uma enorme onda de protestos, que começou entre os monges budistas, espalhou-se entre a juventude e teve ampla repercussão internacional. A única saída foi convocar eleições, que ocorrerão no próximo ano. Ainda que seja provavelmente restrito, o pleito poderá significar o fim do controle quase absoluto exercido sobre a vida pública pela ditadura.

A condenação de Suu Kyi procura afastá-la da disputa. Vencedora das eleições presidenciais de 1990, quando candidatou-se pela Liga Nacional pela Democracia, ela é também filha de Aung San, o líder da independência nacional, conquistada em 1948 (contra japoneses e britânicos). É mantida presa desde 2003. Vencedora do Nobel da Paz, em 1991, tornou-se a única laureada por esse prêmio que não está em liberdade. Encarcerada, enviou saudações ao Fórum Social Asiático, de 2003, e ao Fórum Social Mundial, em 2004 (realizado em Mumbai, Índia).

Para fazer algo pela libertação de Suu Kyi, vale conhecer sua biografia (na Wikepedia) e visitar a página Action Burna. Para saber mais sobre seu país, leia, na publicação independente australiana Greenleft Review, uma breve história política e uma cronologia. A edição brasileira do Le Monde Diplomatique traz uma interessante reportagem, publicada em 2006

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