O Ex–excluído: manifesto de um poeta suburbano

Livro de Germano Gonçalves revela escrita visceral e urgente de autor que, influenciado por Raul Seixas e Leminski, canta periferia pré-hip-pop

Por Antonio Eleilson Leite*, na coluna Literatura Periférica

(Leia, em nosso blog, o que é a nova seção de “Outras Palavras” e qual sua importância para o site)

Germano Gonçalves é um autor do tipo que escreve porque a vida não lhe basta. Dono de uma escrita urgente e visceral, seu texto traduz, palavra por palavra, a vastidão de sua alma suburbana. Nascido em São Caetano, vive há muito tempo na Zona Leste de São Paulo — mais especificamente no berço do samba, São Mateus. O bairro é o cenário principal de sua inspiração poética e razão de ser de O Ex-Excluído, livro que lançou no final de 2011, numa edição independente, impressa sob demanda e, portanto, de circulação restrita, mas que pode ser encontrado no site Clube de Autores.

TEXTO-MEIO

Periférico das antigas, Germano é pré-hip hop. Seus primeiros textos vieram ao mundo na década de 1980, antes que o RAP roubasse a cena, marcando definitivamente o jeito de se falar e escrever nas periferias paulistanas. Ele é da estirpe do Sergio Vaz, seu contemporâneo do lado sul dos extremos da metrópole, cujos primeiros poemas foram publicados em 1986. Assim como o fundador da Cooperifa, Germano foi muito influenciado pela Música Popular Brasileira, em especial por Raul Seixas a quem ele faz um tributo em alguns dos textos em prosa que encerram, como apêndice, seu livro de poesia.

O Ex- Excluído é um livro-manifesto. É uma obra autobiográfica. Escrita em primeira pessoa nos textos de prosa e também em várias poesias, o autor discorre sobre fatos e pessoas que lhe são ou foram muito caras. Lendo a obra, o leitor tomará contato com Dona Maria de Lourdes, sua mãe e também com seu irmão (de quem ele não revela o nome), cuja morte precoce e surpreendente é narrada com tamanha emoção que nos afeta no sentimento de dor e perda, embalado por um texto de grande vigor literário.

Germano se desnuda na obra. Ao terminar a leitura, parece que já o conhecemos de longa data. Ele faz uma excelente crônica da periferia. Veterano das quebradas, fala de um tempo em que era comum as rodas em torno da fogueira, a garrafa de vinho Natal passando de mão em mão. No violão, mais uma do Raul. Germano se orgulha de ser um raulseixista. Teve oportunidade de conhecer o saudoso roqueiro baiano pessoalmente. Tomou uma cachaça com o Maluco Beleza no mesmo apartamento da Rua Frei Caneca onde o cantor foi encontrado morto em agosto de 1989.

Raul Seixas é fundamental na vida de Germano Gonçalves e sua principal influência em termos de visão de mundo e estética. O gosto pelo rock, a inquietação diante das injustiças e uma visão um tanto difusa sobre as desgraças do povo vêm do velho Raul. Outro que foi importante, principalmente na construção poética de Germano, é o também falecido poeta curitibano Paulo Leminski a quem faz uma ode, no belo poema Preito ao Poeta.

Entre os poemas, Germano se dá melhor naqueles mais curtos, diretos, alguns fiéis aos parâmetros da poesia concreta. Assim são: Corre que Corre; Cárcere; Favela; Escrevendo, entre outros. Mas, de todos eles, o melhor é Spray, uma preciosidade. Há hai kais, um soneto, mas principalmente poemas com aquele verso livre ao estilo do Poema Sujo, de Ferreira Gullar. No poema Cárcere, Germano brinda o leitor com os versos: A minha expressão / Não está na proporção / Do meu Coração. Como bom poeta, Germano é um ser questionador, inconformado. Nas suas palavras: São fatos consumados / Que os poetas são mal amados / que nenhum se casa / Com a primeira namorada.

Germano está perto de fazer 50 anos. É portanto, como já notado, anterior ao hip hop. Embora fiel ao rock and roll, o autor rende muitas homenagens ao gênero criado pelo DJ estadunidense Afrika Bambaata. Numa dessas, faz um poema em estilo ryhthm and poetry, chamado Rap da Injustiça. Mas se dá melhor com outra poesia de mesmo estilo: Atirador de Elite. Algum MC tem que musicar esse poema. Ficaria ótimo interpretado pelo Dexter. Vai ser bola num canto, goleiro no outro.

“O mundo é o vício dos poetas”, este verso do poema Poetas, dá a medida da obra de Germano. Quando tinha 18 anos queria ser hippie, perambular pelo mundo. Sem ter cumprido à risca sua sina, nunca deixou de ser andarilho e se expressar por meio da escrita, principalmente a poesia. Um andarilho da periferia. Ele fala de um subúrbio que não existe mais. O que habita sua memória é o de casas com quintais grandes, mães que são donas de casa e cuidam da educação dos filhos, panorama de sua infância. Isso tudo está na trilogia: Amanhecer na Periferia; Tardes Periféricas e Anoitecer na Periferia. Um contexto diferente da periferia cantada pelos Racionais: estresse concentrado; cada homem um universo em crise; um coração ferido por metro quadrado. Em comum há a pobreza, a incerteza. Mas a periferia também não é mais a mesma cantada pelos Racionais. Vale ouvir Emicida, que canta a lua e as estrelas que cobrem o céu dos arrabaldes e fala de um povo que luta dia a dia, mas que tem alegria e esperança no futuro.

Germano tem domínio da palavra e sabe ser um poeta profissional. O livro traz dois poemas vencedores de concursos. Um aborda o tema da água; outro, a questão da mulher. O primeiro está no nível da grande composição de Guilherme Arantes, Planeta Água. O outro revela o talento e sutileza ao falar da mulher, nominando-as de Maria. Marias que já não existem mais, dando lugar a Ingrid, Carol e Sthefani. Curiosamente, na sequências desses poemas encomendados, vêm três petardos que saíram da jugular do poeta: O Vício; Labuta e Transitar.

O poeta de São Mateus, conhecido pelos sambistas que frequentam o lendário Boteco do Timaia, faz apologia da leitura e dos livros. O cara crê mesmo que a literatura salva. Talvez ele próprio tenha sido resgatado pelas letras. Se não foi, consegue transmitir uma paixão pela leitura que só vi no escritor Luiz Alberto Mendes – que nos 30 anos de cárcere a que esteve submetido devorou e foi devorado pelos livros, tornando-se um dos grandes escritores da atualidade.

Germano é obcecado também pela ideia de ter um livro publicado por uma editora. Não precisa ser grande, basta que seja uma Editora. Ele fala disso nos poemas No Encalço; Presunção e Livro Aberto, entre outros. Publicar O Ex-Excluído assim, independente talvez não o tenha satisfeito. Mas com este livro, dá um importante passo rumo ao reconhecimento que merece.

E Germano precisa mesmo de um trabalho de editor. Seu livro é um tanto caótico e os textos em prosa, se retirados, não fariam muita falta – sobretudo aqueles muito pessoais, que soam mais como depoimentos. O título, além de não fazer muito sentido, é de difícil pronúncia. Raulseixista que sou, decepcionei-me um pouco com os textos dedicados ao Maluco Beleza. Mas isso não tira o brilho da obra, que tem verdadeiras pérolas como Pássaros em Nova York, uma das melhores coisas que já li sobre o 11 de Setembro. Tão sutil e belo que sequer menciona o ataque aéreo explicitamente. Se bem organizados, este e outros poemas publicados comporiam uma antologia belíssima, que revelaria um poeta à altura de outros grandes nomes da periferia e da literatura brasileira urbana contemporânea.

São Paulo, 27 de Fevereiro de 2012

Antonio Eleilson Leite é historiador, programador cultural e coordenador do Programa de Cultura da ONG Ação Educativa

Edições anteriores da coluna:

> Leia as 35 edições de Cultura Periférica, a seção que Antonio Eleilson Leite publicou, entre outubro de 2007 e dezembro de 2008, no Caderno Brasil do Le Monde Diplomatique.


Jardim Santo André na Galeria Vermelho
Um espaço badalado das artes de São Paulo reproduz os grafites que estão mudando a paisagem de um dos bairros mais violentos do ABC. Retrato de um país secularmente desigual — onde, no entanto, a periferia cobra seus direitos, e se expressa cada vez mais por meio da criação simbólica

22 de dezembro de 2008

A nova arte da Cooperifa
Ela veio para ficar. A primeira Mostra Cultural da Cooperifa reunirá guerreiros e guerreiras fortemente armados com canetas, cadernos e livros. Trava-se uma luta incansável contra a ignorância,mediocridade, conformismo, tristeza e as pobrezas material e espiritual que insistem em saquear a quebrada

14 de novembro de 2008

Na Primavera, a leitura supera o marketing
Alternativa à Bienal, mostra de editoras independentes relembra que livros são, acima de tudo, espaço para idéias, inteligência e utopia. Evento abre espaço para iniciativas que não se submetem ao mercado, e combina exposição de obras com programação cultural – onde tem espaço a arte periférica

27 de setembro de 2008

Linha de Passe: um gol de letra e um gol-contra
Em seu novo filme, Walter Salles e Daniela Thomas constroem uma história brasileira que debate, com profundidade e sutileza, a existência e os dramas humanos. Mas o cacoete de associar periferia a infelicidade dá à obra um tom de chavão e frustra a própria intenção de esperança do diretor

22 de setembro de 2008

Cooperifa: leia o livro, veja o filme e ouça o disco
Série de obras artísticas celebra os saraus que ajudaram a construir o conceito de cultura periférica — e o mundo de iniciativas que está surgindo a partir deles. Trabalhos ressaltam opinião da jornalista Eliane Brum: “A Cooperifa é um abalo sísmico a partir de uma esquina de quebrada”

11 de setembro de 2008

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo
Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado

22 de agosto de 2008

Gilberto Gil: LadoA e LadoB
Único artista a dirigir o ministério da Cultura até hoje, ele foi também o primeiro ministro a traçar políticas públicas efetivas para a produção simbólica. Valorizou a diversidade e a autonomia. Faltou assegurar recursos condizentes, e evitar que fossem canalizados para o marketing empresarial

6 de agosto de 2008

O Hip Hop nunca foi tão pop
Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo

26 de julho de 2008

“Meu bairro era pobre, mas ficava bem bonito metido num luar”
Mídia tradicional multiplica referências a Machado e a Rosa, rendendo-lhes homenagens previsíveis e banais. Coluna destaca outro centenário: o de Solano Trindade. Poeta, dramaturgo, ator e artista plástico, ele cantou a dignidade, as lutas, amores e dores dos negros e dos que vivem do trabalho

8 de julho de 2008

Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar
Escola Pernambucana de Circo organiza, em festa, seu centro de arte-educação. Ao invés de adotar postura “profissionalizante”, iniciativa busca emancipar. Por isso, aposta na qualidade artística, técnica e cultural de seu trabalho, e foge do conceito de “arte para pobre”

17 de junho de 2008

Plano Nacional de Cultura: realidade ou ficção?
Ministério lança documento ousado, que estabelece, pela primeira vez, política cultural para o país. Dúvida: a iniciativa será capaz de driblar a falta de recursos e a cegueira histórica do Estado em relação à produção simbólica? Coluna convida os leitores a debate e mobilização sobre o tema

7 de junho de 2008

Semeando asas na quebrada paulistana
De como a trupe teatral Pombas Urbanas, criada por um peruano, chegou a mudar o nome do Brasil, trocou os palcos pelas ruas, sofreu a perda trágica de seu criador mas reviveu, animada pela gente forte da periferia — para onde regressou e de onde não pretende se afastar

2 de junho de 2008

Humildade, dignidade e proceder
Agenda da Periferia completa um ano de publicação. Como diria Sergio Vaz, não praticamos jornalismo — “jogamos futebol de várzea no papel”. Fazê-la é exercício de persistência, crença e doação. O maior sinal de êxito é o respeito que o projeto adquriu no movimento cultural das quebradas

24 de maio de 2008

A revolução cultural dos motoboys
Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar

17 de maio de 2008

Manos e Minas no horário nobre
Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o históricoFábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média

10 de maio de 2008

Pequenas revoluções
Em São Paulo, mais de cem projetos culturais passam a ter financiamento público, por meio do VAI. Quase sempre propostos por jovens, e a partir das quebradas, eles revelam as raízes e o amadurecimento rápido da arte nas periferias. Também indicam uma interessante preferência pela literatura

3 de maio de 2008

A periferia na Virada e a virada da periferia
Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites

26 de abril de 2008

Retratos da São Paulo indígena
Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado.

20 de abril de 2008

Cultura, consciência e transformação
A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a “politizar as rodas de samba”…

12 de abril de 2008

É tudo nosso!
Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico

5 de abril de 2008

Arte de rua, democracia e protesto
São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros

28 de março de 2008

As festas deles e as nossas
Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo “denuncia” agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo

21 de março de 2008

Arte independente também se produz
Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele

15 de março de 2008

Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros

8 de março de 2008

No mundo da cultura, o centro está em toda parte
Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate

23 de fevereiro de 2008

Do tambor ao toca-discos
No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz

16 de fevereiro de 2008

Pirapora, onde pulsa o samba paulista
Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole

2 de fevereiro de 2008

São Paulo, 454: a periferia toma conta
Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante

24 de janeiro de 2008

Faça você mesmo!
Por meio da cultura, jovens das periferias brasileiras fazem uma revolução. Um panorama da produção independente nas quebradas das metrópoles: como a arte criada fora da indústria cultural subverte a mercantilização e controle do conhecimento, marca do capitalismo

14 de janeiro de 2008

2007: a profecia se fez como previsto
Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema

29 de dezembro de 2007

No meio de uma gente tão modesta
Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa

30 de novembro de 2007

A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica

19 de novembro de 2007

Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores

13 de novembro de 2007

Todos os dias da Semana
Programação completa da Semana de Arte Moderna da Periferia

2 de novembro de 2007

O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

2 de novembro de 2007

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica

17 de outubro de 2007

TEXTO-FIM
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Antonio Eleilson Leite

Antonio Eleilson Leite é historiador, programador cultural, mestrando no Programa Estudos Culturais da EACH/USP, coordenador do Programa de Cultura da ONG Ação Educativa, diretor editorial da Coleção Literatura Periférica, da Global Editora. É coordenador geral do Encontro Estéticas das Periferias e da Agenda Cultural da Periferia.