Paz e Bem 76 – Leloup: Meditação (budismo) + Compaixão (cristianismo)

Por Mauro Lopes

No Paz e Bem desta segunda (28 de janeiro), iniciamos uma jornada de alguns dias com Jean-Yves Leloup e seu livro “A Montanha no Oceano – meditação e compaixão no budismo e cristianismo”. Apesar de o título deste primeiro encontro atribuir a cada tradição uma “característica”, o budismo vinculado à meditação e o cristianismo à compaixão, é importante desde logo advertir, como o faz Leloup, que “o cristianismo é uma tradição de meditação e que o budismo é uma prática imemorável de compaixão” (p. 10).

A proposta da jornada deste e dos próximos dias é abrir o coração ao silêncio e à compaixão em face da vida de cada pessoa e, neste momento particular do país, diante do crime-tragédia de Brumadinho, onde já se contam 58 pessoas mortas e milhões de animais, plantas, numa destruição sem tamanho.

Silêncio e compaixão. Faremos juntas e juntos o caminho.

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Paz e Bem 75 – Onde está Deus em Brumadinho?

Por Mauro Lopes

NO BRASIL VIVEMOS DIAS EM QUE AMANHECE
MAS A NOITE NÃO VAI EMBORA
O Paz e Bem deste domingo (27) é uma interrogação. Onde está Deus em Brumadinho? É uma pergunta que grita em nossos corações diante de situações de intenso sofrimento, como o da tragédia-crime da Vale em Brumadinho. Já se contam, até este domingo no início da manhã, 34 mortes e quase 300 desaparecidos e desaparecidas. Em Mariana, foram 19. Onde está Deus em Brumadinho? Onde ele estava em Mariana? Ondes estava Deus nos campos de concentração? Onde estava Deus no massacre dos povos originários das América? Onde estava Deus diante da morte de milhões de pessoas sacrificadas no altar do deus-dinheiro?
O programa de hoje é perplexidade. E de tatear um pouco, sem certezas. Meditamos com o choro de Raquel sobre seus filhos mortos, com o choro de Jesus diante da morte de seu amigo Lázaro. Lemos e meditamos com um trecho de “Noite”, de Eli Wiesel, prêmio Nobel da Paz em 1986, que morreu aos 87 anos e esteve nos campos de concentração em Auschwitz e Buchenwald.
O relato de Wiesel sobre o enforcamento de dois adultos e uma criança num dos campos é um dos momentos mais dramáticos da literatura e da história da humanidade. A perguntas do homem que estava atrás dele no campo, testemunhando os enforcamentos ecoa até hoje através dos tempos: “Onde está Deus agora? Onde está ele?”. Wiesel tentou uma resposta: “Aqui está Ele – Ele está pendurado aqui na forca…”
A constatação de Wiesel sobre o jantar daquele noite seguir sangra o coração do mundo até hoje: “Naquela noite a sopa tinha gosto de cadáveres.”

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Paz e Bem 74 – Frei Betto: Deus está no arroto

 

Por Mauro Lopes

O Paz e Bem deste sábado (26) acontece hoje sob o impacto da tragédia de Brumadinho, mais um crime da Vale contra o povo brasileiro -as pessoas, os animais, as plantas, contra tudo o que vive e respira no Brasil. Os ricos, seus representantes e mídias celebram a privatização e a apropriação das riquezas por eles como uma virtude, enquanto demonizam tudo o que é estatal. No entanto, só depois que a Vale do Rio Doce foi privatizada e se tornou Vale é que os crimes foram cometidos. No altar do deus-dinheiro, tudo é sacrificado: pessoas, animais, plantas, o ar, tudo.

O encontro de hoje é de luto por mais essa tragédia numa sucessão de tragédias desde o golpe de 2014-16. Mas é também busca da mística que celebra a vida comum, o cotidiano, o dia-a-dia.

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Frei Betto – profissão de fé

Por Frei Betto

Um texto de Frei Betto foi a “amarração” do programa Paz e Bem 74, de 26 de janeiro de 2019, que teve como título “Frei Betto: Deus está no arroto”. O título foi uma referência ao texto Profissão de fé constante do livro Em que creio eu, organizado por Faustino Teixeira e Carlos Rodrigues Brandão.

Frei Betto, Profissão de Fé, in Faustino Teixeira e Carlos Rodrigues Brandão, Em que creio eu, São Paulo, Edições Terceira Via e Fonte Editorial, 2017. P 118-120

Segue a íntegra de  Profissão de fé:

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Paz e Bem 73 – Wyllys e Amélia – espiritualidade em tempos de chumbo

Por Mauro Lopes

No Paz e Bem desta sexta (25 de janeiro), uma pergunta a ser respondida por cada um, cada uma, comunitariamente e no contexto da vida do povo brasileiro: o que é espiritualidade em tempos de chumbo.

A reflexão acontece sob o impacto da notícia do exílio de Jean Wyllys, que remete imediatamente à situação vivida tempos atrás por tanta gente, como a família Teles, no depoimento de Maria Amélia, a Amelinha, o relato das torturas sofreram ela, o marido, a irmã grávida de oito meses e os filhos, à época com 4 e 5 anos de idade.

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Paz e Bem 72 – Em que creio eu? Em que crê você?

Por Mauro Lopes

No Paz e Bem desta quinta (24), embarcamos na viagem, pergunta e convite do teólogo Faustino Teixeira e do antropólogo Caros Rodrigues Brandão. Eles colocaram a 65 pessoas o desafio de apresentarem, em textos breves, seus credos pessoais. “Em que creio eu” é o livro que reúne as respostas dessas pessoas.

Faustino Teixeira mencionou o livro com vivo entusiasmo na entrevista-conversa sobre Gilberto Gil no canal Paz e Bem (transmitido ao vivo em 16 de janeiro) e agora ele chegou como presente a todas e todos, ao lado de mais cinco livros de sua autoria.

Escolhemos para este encontro o “Credo Zen 2015” da monja Coen. O texto da monja budista é mergulhar. “Creio que não é simples, por ser tão simples” -uma das “fórmulas” de Coen instiga-nos a refletir sobre nossos credos pessoais. O Credo Zen 2015 está publicado também aqui no site Paz e Bem.

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Credo Zen 2015 – Monja Coen

 

Por Monja Coen

O Credo Zen 2015 é um depoimento de monja Coen para o livro Em que creio eu (Faustino Teixeira e Carlos Rodrigues Brandão, São Paulo, Edições Terceira Via e Fonte Editorial, 2017. p. 224-226). O livro reúne depoimentos de 65 pessoas sobre seus credos pessoais. O texto de monja Coen foi o centro do programa Paz e Bem deste 24 de janeiro de 2019. Segue a íntegra:

Creio no ser humano e na capacidade humana de despertar.

Creio que os ensinamentos de Xaquiamuni Buda conduzem os seres humanos ao despertar.

Creio que o despertar da consciência seja a grande transformação da humanidade.

Creio que ao percebermos os jogos da mente podemos transcender as dualidades e viver em harmonia e respeito com todas as formas de vida.

Creio na possibilidade de sociedades baseadas no respeito e na credibilidade.

Creio no vazio de uma identidade fixa e permanente.

Creio que somos a vida da Terra e estamos interligados a tudo  e a todos, num incessante vir a ser.

Creio que a Compaixão e a Sabedoria funcionam em grande harmonia. Uma não existe sem a outra.

Creio na Lei da Causalidade e da Origem Dependente.

Creio que o Zazen (meditação sentada) – e a meditação em suas várias formas – sejam o portal principal para a consciência desperta, lúcida, clara, incessante, luminosa.

Creio que o silêncio permite ouvir e compreender no plano onde a palavra não chega.

Creio no silenciar e apreciar o movimento incessante do não nascido e não morto.

Creio que os textos sagrados são fontes de inspiração para que as pessoas possam ter a experiência direta com a realidade última.

Creio na família humana e não na família monocelular.

Creio na Verdade manifesta no Caminho de Buda: seu exemplo, seus ensinamentos e seus discípulos e discípulas.  Buda, Darma e Sanga.

Creio que ouvir, ler, estudar, entender, compreender, experimentar e se tornar – são essenciais para a mudança interior.

Creio no morrer, no abandonar conceitos, crenças e ideias de si mesmo e do mundo para  renascer na pureza imaculada do interser.

Creio em não crer, mas em experimentar e ser.

Creio  na interreligiosidade como um instrumento de aproximação dos povos e respeito à diversidade.

Creio  que somos o meio ambiente, somos a natureza, somos a vida e somos a morte.

Creio no sol, nas estrelas, na lua, no mar.

Creio nos sentidos, nos objetos dos sentidos, na consciência dos sentidos e seus objetos, na consciência que leva e trás informações da consciência armazenadora.

Creio na capacidade humana de conhecer a si mesma.

Creio no DNA humano e que a sua preservação depende de preservar outras formas de vida.

Creio na construção de uma Cultura de Não Violência ativa.

Creio na possibilidade de estimular sinapses neurais que nos façam transgredir os 95% de determinismo genético e apreendido para acessar os 5% de livre arbítrio.

Creio no bem.  Creio no mal.

Creio bem e creio mal e creio além do bem e do mal.

Creio que não é simples, por ser tão simples.

Creio que não é fácil, por ser tão fácil.

Creio que é possível, por parecer impossível.

Creio que há um caminho: o despertar da mente.

Creio na luz da sabedoria perfeita – anokutara sammyaku sambodai – reconhecendo que não há nada fixo nem permanente.

Creio que minhas crenças são frágeis e impermanentes.

Creio que a realidade é alcançada quando vamos além do crer e do não crer.

 

 

Paz e Bem 71 – A coragem de condenar os ricos

Por Mauro Lopes

O programa Paz e Bem desta quarta (23) reflete sobre a condenação dos ricos que é uma marca das formulações bíblicas e que serão aprofundadas nos primeiros séculos da vida da Igreja. Com o tempo o cristianismo institucional colocou-se a serviço dos ricos e da concentração da riqueza. O tema é urgente, atual. 

Na segunda-feira,  a Oxfam divulgou relatório indicando que 26 indivíduos mais ricos do mundo concentram riqueza equivalente ao patrimônio dos 3,8 bilhões de pessoas que formam a camada mais pobre da população mundial, ou seja, 50% das pessoas em todo o planeta. Os profetas e profetizas de todos os tempos rebelaram-se contra esta situação e acusaram os ricos, sua ganância e seu sistema de reprodução da miséria.

No programa, examinamos várias formulações sobre isso. Uma delas, de São João Crisóstomo (347-407): “Quando põe um freio de ouro a um cavalo, (…) então roubas os órfãos, despojas as viúvas e tornas-te o comum inimigo de todos. (…) Na verdade, para qualquer lado que [os ricos] voltem os olhos, veem brilhar o dinheiro e seu coração doente engendra pensamentos de roubo”. Meditamos também sobre afirmações do papa Francisco.
É preciso coragem para denunciar os ricos e seu sistema, sem se deixar corromper por eles e afrontando seu poder e crueldade.

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Paz e Bem 70 – Dois caminhos: amor/partilha e ódio/acumulação

Por Mauro Lopes

No programa Paz e Bem desta terça (22), uma reflexão sobre os dois caminhos ofertados à sociedade como projetos: o das elites, caminho do ódio/acumulação, e o dos pobres e desejosos e desejosas de um novo tempo, o caminho do amor/partilha.

Os dois caminhos convivem, às vezes em conflito violento, no coração de cada pessoa.

Meditar, rezar, integrar-se à comunidade, conviver são práticas que nos ajudam a trilhar o caminho do amor/partilha.

Os textos bíblicos estão pontilhados pela denúncia do caminho do ódio/acumulação e afirmam a via do amor/partilha. Esta foi a opção das primeira comunidades cristãs, como testemunha o livro que as descreveu, o Atos dos Apóstolos.

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Canudos 1 – Apresentação do curso com Pedro Lima Vasconcellos – 21.jan.2019

Por Mauro Lopes

A primeira aula-encontro foi uma apresentação do projeto e programa do curso “Canudos – o Belo Monte de Antonio Conselheiro”, realização do canal Paz e Bem com a TV 247, sob responsabilidade do professor Pedro Lima Vasconcellos.

Todas as informações sobre o curso estão aqui.

PROGRAMA, DATAS E HORÁRIOS DOS OITO ENCONTROS:

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