Literatura Brasileira & Cachaça

Por Maurício Ayer

Encontros mensais de harmonização cultural para degustar as melhores aguardentes do país e refletir sobre seu papel na formação poética brasileira

> Degustar: As melhores cachaças do Brasil.

> Refletir: Sobre o seu papel na formação literária brasileira.

> Aprender: Sobre autores e obras fundamentais da literatura brasileira.

Um sábado por mês – das 16 às 19h – R$ 88 (cachaças especiais e tira-gostos incluídos).

Resumo

De Sul a Norte, cada região do Brasil gerou literatura e aguardente da melhor qualidade. A proposta dessa série de encontros é se colocar algumas perguntas: Como a cachaça aparece em autores e obras fundamentais da literatura brasileira? O que isso revela sobre nossa cultura e nossa história? E quais são os lugares simbólicos da caninha?

Por outro lado, será que ao conhecer melhor a cachaça a gente não entende melhor a cultura e a literatura também?

Este é um projeto fermentado e destilado por Maurício Ayer, pós-doutor em literatura (USP) e especialista em cachaça.

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Próximo encontro: 

19 de maio

Chico Buarque: Falando Alto Pelos Botecos

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A canção popular é um dos mais sofisticados campos de expressão da literatura brasileira. Chico Buarque, além de ser um camisa 10 do time de compositores, também escreveu peças de teatro e, nas últimas décadas, cinco romances. A cachaça sempre esteve presente, a cada momento com um sentido.
Da “cachaça de graça que a gente tem que engolir” de Deus lhe Pague ao lenitivo da dureza no samba-missiva Meu Caro Amigo, a polivalente aguardente revela a cada momento um sentido ligado à cultura brasileira, uma cena social, um uso específico e especial, um pathos, um ethos.
Caso emblemático é a abertura da Ópera do Malandro, versão de Chico Buarque para a canção de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A cachaça é o mote para uma análise, inteligente e bem-humorada, da “cadeia alimentar” do poder global e da construção ideológica em torno da figura do malandro.
A cachaça está no desenho mágico de Construção, no serviço da Feijoada Completa e na sedução do amante de Joana Francesa, e até, como não lembrar?, na introdução que fez com Tom Jobim para a célebre marchinha de carnaval Turma do Funil – para citar alguns entre muitos exemplos. A bebida também povoa a prosa dos romances, de Estorvo ao O Irmão Alemão.
Chico talvez seja um dos artistas brasileiros que mais doses de cachaça serviu aos seus ouvintes e leitores, e é sobre isso que vamos conversar, com interpretações musicais ao vivo e acompanhado das melhores cachaças do Rio de Janeiro.

Leituras e audições: Canções, peças de teatro e romances de Chico Buarque.

Degustação: Cachaças do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

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Temporada 2018: 11 autores e mais de 25 cachaças

03 de março

José Lins do Rego: Por dentro do engenho

Memorialista da zona canavieira da Paraíba, José Lins do Rego nos faz imergir na paisagem cachaço-açucareira do Nordeste, principalmente no seu Ciclo da Cana-de-Açúcar, que vai de Menino de Engenho até Usina. Já no Ciclo do Cangaço, com Cangaceiros e Fogo Morto, por exemplo, surge uma figura especial: é o aguardenteiro – o contrabandista de aguardente. Junto com os barris de cachaça, ele faz circular informações, alimentos, roupas e outros produtos entre o engenho, a cidade e o sertão dominado pelos capitães do cangaço.

Leituras: Menino de Engenho; Banguê; Fogo Morto; Cangaceiros.

Degustação: Aguardentes da Paraíba.

25 de março

Graciliano Ramos: Em Busca da Aguardente Perdida

As figuras da cachaça em Memórias do Cárcere, livro em que Graciliano Ramos relata sua vivência como preso político do governo Vargas em Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro e finalmente na Colônia Correcional da Ilha Grande, são realmente surpreendentes. A cachaça aparece logo no início, encharcando noites de escrita do autor. Depois ela ressurgirá, contrabandeada para dentro das prisões, e a cada momento proporciona ao escritor alagoano uma abertura para algum tipo de liberdade – da imaginação, da memória, dos comportamentos obsessivos. Como é isso?

Degustação: Cachaças de Alagoas e Rio de Janeiro.

15 de abril

João Cabral de Mello Neto: A Lição do Canavial

João Cabral encontra aprendizados nas coisas. No canavial também. São vários os momentos de sua poesia em que ele observa o canavial, seu comportamento, seu movimento, sua metafísica, e coloca seus aprendizados em palavras pontiagudas como pedras. O sentido dessas destilações será nosso objeto de leitura e reflexão neste encontro.

Degustação: cachaças de Pernambuco e Paraíba.

19 de maio

Chico Buarque: Falando Alto Pelos Botecos
A canção popular é um dos mais sofisticados campos de expressão da literatura brasileira. Chico Buarque, além de ser um camisa 10 do time de compositores, também escreveu peças de teatro e, nas últimas décadas, cinco romances. A cachaça sempre esteve presente, a cada momento com um sentido.
Da “cachaça de graça que a gente tem que engolir” de Deus lhe Pague ao lenitivo da dureza no samba-missiva Meu Caro Amigo, a polivalente aguardente revela a cada momento um sentido ligado à cultura brasileira, uma cena social, um uso específico e especial, um pathos, um ethos.
Caso emblemático é a abertura da Ópera do Malandro, versão de Chico Buarque para a canção de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A cachaça é o mote para uma análise, inteligente e bem-humorada, da “cadeia alimentar” do poder global e da construção ideológica em torno da figura do malandro.
A cachaça está no desenho mágico de Construção, no serviço da Feijoada Completa e na sedução do amante de Joana Francesa, e até, como não lembrar?, na introdução que fez com Tom Jobim para a célebre marchinha de carnaval Turma do Funil – para citar alguns entre muitos exemplos. A bebida também povoa a prosa dos romances, de Estorvo ao O Irmão Alemão.
Chico talvez seja um dos artistas brasileiros que mais doses de cachaça serviu aos seus ouvintes e leitores, e é sobre isso que vamos conversar, com interpretações musicais ao vivo e acompanhado das melhores cachaças do Rio de Janeiro.

Leituras e audições: Canções, peças de teatro e romances de Chico Buarque.

Degustação: Cachaças do Rio de Janeiro e São Paulo. 16 de junho

16 de junho 

Cecília Meireles: Cachaças Inconfidentes

No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles canta em versos a Inconfidência Mineira. Sabe-se que a cachaça foi assumida pelos inconfidentes como um símbolo nacional – em oposição ao vinho português. Acontece que a cachaça que o alferes Tiradentes tomava ainda hoje é produzida, no mesmo alambique, em Coronel Xavier Chaves.

Degustação: Cachaças das cidades históricas de Minas Gerais.

14 de julho

Antonio Callado: A Revolta da Cachaça

Em cena, um dramaturgo é cobrado quanto a um velho compromisso: escrever um texto que retrate o evento histórico da Revolta da Cachaça, que teve como herói um negro, para que seu velho amigo, um ator negro, possa finalmente encenar o papel principal da peça. A cachaça e sua história dão ensejo, portanto, à discussão do lugar do artista negro no teatro e cinema nacionais. Vamos ver como isso acontece e que cena é essa imaginada com um grande barril no centro do palco. O texto de A Revolta da Cachaça é dedicado ao ator Grande Otelo.

Degustação: Cachaças do interior do Rio de Janeiro e sul de Minas.

11 de agosto

João Guimarães Rosa: A Cachaça e o Labirinto da Língua-Fera

Se a presença da cachaça perpassa toda a obra de Guimarães Rosa, há uma de suas estórias que tem a cachaça como um elemento central. É “Meu tio, o Iauaretê”, publicada no livro póstumo Estas Estórias. A cachaça é a “abrideira” do labirinto da linguagem e torna as personagens suscetíveis a revelações e metamorfoses as mais surpreendentes. A estória é descrita por Haroldo de Campos como aquela em que Guimarães levou mais longe a aventura da linguagem, e é justamente neste ponto que a cachaça age, pontuando ritmicamente o textos e provocando uma crescente liberação da fala até o rugido da onça.

Degustação: Cachaças do norte de Minas Gerais.

15 de setembro

João Bosco e Aldir Blanc – Glória à Cachaça

Da lírica mais louca à crônica mais pé no chão, incluindo peças inspiradas em episódios históricos, a dupla João Bosco e Aldir Blanc produziu (sobretudo) sambas em que a cachaça aparece com frequência, participando da construção de símbolos ou como elemento de humor na narrativa. Assim, de um bêbado simbolizando a “esperança equilibrista”, aos delírios alegórico-carnavalescos de boias-frias quando tomam umas biritas, da cachaça que ajuda na pescaria à sina de negros aquilombados, há todo um cancioneiro cachaceiro no repertório de uma das maiores duplas de compositores da MPB.

Degustação: cachaças de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

20 de outubro

Jorge Amado: Água da Vida e da Morte

No cais do porto da Bahia de Todos os Santos circula muita cachaça. É até estranho que nas canções praieiras de Dorival Caymmi a aguardente não apareça – talvez ele não quisesse desviar o foco de suas sínteses arquetípicas, construídas no embate do homem com o mar, com trivialidades cotidianas. Jorge Amado, porém, conseguiu encontrar o lugar em que a cachaça se eleva à posição mítica das canções de seu amigo. Em A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, a cachaça adquire plenamente o estatuto de “água da vida”: ela cria um mundo de trânsito entre a vida e a morte, no qual o protagonista faz valer suas escolhas essenciais.

Degustação: Cachaças da Bahia e Espírito Santo.

10 de novembro

Mário de Andrade: Cachaças Interessantíssimas 

Em forma de rapsódia, Mário de Andrade compôs Macunaíma com materiais diversos da cultura brasileira, como estórias, lendas, personagens e cenas típicas. A cachaça surge como elemento importante em dois episódios bem brasileiros – como bebida ritual e companheira do matuto. E o que é que isso diz dessa obra tão multifacetada?

Degustação: Cachaças do interior de São Paulo.

8 de dezembro

Ary Barroso e amigos – Na Batucada da Vida

Além de seus mais famosos sambas exaltação ao Brasil e seu povo, como o quase hino nacional Aquarela do Brasil, Ary Barroso compôs canções em que a cachaça tem um papel especial. São densas descrições de personagens e situações, como em Na batucada da vida, Camisa listrada e Camisa amarela. Mas ele não está só: Assis Valente, Lupicínio Rodrigues e Noel Rosa, entre tantos outros compositores populares brasileiros, criaram um vasto cancioneiro cachaceiro, do qual vamos conhecer algumas doses.

Degustação: cachaças de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

TEXTO-FIM
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Gabriela Leite

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