Filme dos outros

Ninguém gosta ter o seu celular furtado.
No entanto, é uma prática usual em SP.
Este é o ponto de partida de FILME DOS OUTROS, realizado por Lincoln Péricles.

Lincoln editou o filme com imagens encontradas em cartões de memória de celulares roubados em bairros abastados, como Morumbi, Barra Funda, Sumaré, Higienópolis, conforme informações do próprio filme.
A segunda parte são rap gravados na quebrada.

A abertura tem uma qualidade melhor que a dos celulares. Provém de um equipamento roubado de melhor definição. É uma cena de batalha urbana envolvendo jovens, com um morto ou ferido. Gritos em árabe deixam supor uma repressão policial contra palestinos. O filme começa com repressão e resistência.
O último trecho dessa parte apresenta jovens numa brincadeira praieira. A trilha se compõe de gritos de pavor tipo montanha russa. O que é irônico.

Após esses jovens bem de vida gritarem – são os outros – entra um rap que fala do Capão Redondo – onde o filme foi realizado. O segundo rap é entrecortado por imagens do Itaú. O MC descreve um assalto e diz “sou ladrão de consciência”.

O receptador transforma em GESTO ESTÉTICO uma prática reprovada pela sociedade dominante e suas leis. A apropriação faz do “filme dos outros” o “filme deles mesmos” – do Capão.

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