Petra Costa e os dois Lula

O último momento forte de DEMOCRACIA EM VERTIGEM é Lula no sindicato dos bancários, o apoio de seus seguidores, a saída em direção à prisão. Closes, choros, muita emoção de quem está na tela e de quem está na sala. É o Lula carismático.

Tem outro Lula: os quatro planos que resumem as campanhas eleitorais sintetizam diversos estudos que analisam a transformação do PT e de Lula em direção à Carta aos Brasileiros. Nessa montagem um tanto irônica, acompanhamos a evolução do figurino e da retórica. É surpreendente ouvir, nesse momento, a voz de Petra falar em “conciliação de classe”. Essa expressão não era usada pelo PT (não sei se agora integrou o vocabulário petista), e provém de formações políticas muito à esquerda do PT. É uma crítica severa.

Derrubado o Lula da “conciliação”, é como se tivesse sobrado o Lula carismático. Ou melhor: o Lula do sindicato é montado fora de cronologia (o filme já anunciou o resultado das eleições de 2018), é como se Petra tentasse salvar o Lula carismático e fechar o filme num pico emocional.

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