Maria Augusta e Petra Costa: enquadramento e política

Várias câmeras filmaram o processo de Dilma no senado, entre as quais a de Maria Augusta Ramos, para o filme O PROCESSO, e as de Petra Costa para DEMORACIA EM VERTIGEM.

Soube que Petra ou seu fotógrafo entravam com frequência no quadro dela, o que a dificultava de filmar. Acabaram chegando a um acordo.

O que é relevante aí não é a eventual tensão entre duas diretoras que documentam a mesma situação, mas o conflito entre duas estéticas. E duas políticas.

Petra se aproxima muito das pessoas que filma, filma cara a cara. A pessoa e até sua pele, suas rugas são matéria prima dessa linguagem. Um exemplo entre outros, o brilhante material de Lula no sindicato dos metalúrgicos do ABC em na noite em que se entregou à PF. É emocionante, dramático.

Maria Augusta não filma tanto a pessoa como o ritual da instituição. É o que vimos em cenas notáveis de seus filmes JUSTIÇA e JUIZO. Para isso, ela precisa de um quadro mais aberto. Além do agente, ela tem que enquadrar elementos do entorno (posição espacial do agente, cenografia etc.). Qualquer intrusão no quadro perturba a leitura do ritual institucional e da ação do agente.

Uma ideia sobre “Maria Augusta e Petra Costa: enquadramento e política

  1. Uma correção, Lula antes de ser preso estava no sindicato dos metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e não no sindicato dos bancários.

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