Insubmissão

Em 2016 fui operado do câncer da próstata. Em 2019 ele reapareceu. Vários exames pra localizar o tumor, planejamento de tratamento: radioterapia e terapia hormonal. Me senti tragado por um liquidificador no hospital em que médicos de protocolo iniciaram essas terapias invasivas. Já apareceram efeitos colaterais desagradáveis..

A longevidade não é uma finalidade em si. Com mais de 80 anos e quase cego, não há por que se submeter à agressividade do tratamento.

Resolvi interromper o tratamento e deixar correr.

Essa decisão foi tomada de comum acordo com meu amigo Mateus e minha filha Ligia num clima afetuoso.

 

46 ideias sobre “Insubmissão

  1. Jean Claude, você é um farol em minha vida. Cada passo seu é uma inspiração para muitos. Tive o privilégio de acompanhar sua decisão de perto.

  2. Jean-Claude,
    Seria ridículo de minha parte, frente a sua atual situação, querer prestar minha solidariedade o que seria – pelo menos – totalmente inútil. Mas reconheço sua força, coragem, audácia e também tranqüilidade para enfrentar essa luta que certamente será a final.
    Espero em meu futuro – mais ou menos próximo – saber tomar a mesma decisão.
    De qualquer maneira me atrevo encerrar este texto dizendo “Hasta mañana, siempre (espero yo)!!!”
    Sergio Muniz
    PS: após terminar o texto acima me lembrei de uma definição que não sei se foi você que disse que “a vida é uma possibilidade mas não um compromisso”.

  3. Meu querido amigo, acredito na força interior do homem e na capacidade de cura da natureza. Há outros caminhos e tratamentos alternativos que podemos pesquisar e procurar juntos.
    Te amo.

  4. Querido Jean Claude, queria muito estar em São Paulo, te abraçar, te sentir, tenho ótimas lembranças dos nossos encontros, das nossas conversas, dos momentos de indignação e também das nossas risadas.
    Cuido com muito carinho dos presentes que me deste nos meus aniversários, tenho fotos divertidas destes momentos.
    Sempre lembro do dia que te vi entrando no mar, um mar mexido, com muitas ondas, e eu na beira da praia gritando, volta, volta! E tu entrando mais e mais, adoro essa cena.
    Entendo tua atitude, agressividade do tratamento não faz sentido, agressividade não faz sentido.
    Recebe meu amor.
    Nora

  5. Querido Jean Claude, estou na França, lembro de ti e tuas janelas. Por tuas decisões livres corajosas vejo que apesar dos olhos tuas janelas continuam claras e abertas, tenho enorme admiração por ti, quem não tem? Je t´embrasse

  6. Meu querido Jean Claude sua atitude de extrema coragem é totalmente coerente com sua vida, insubmissa, sempre! Minha admiração, meu carinho, meu respeito, minha solidariedade. Estou à disposição pra estar ao seu lado, ajudar no que for que vc precisar, mesmo!
    amor
    Eloá

  7. Meu querido Jean, li e reli sua mensagem varias vezes… me comovi demais com sua franqueza, lucidez e coragem … voce sempre surpreendendo da melhor forma e …. sempre tão lindo, viril, guerreiro e artista gigante. Por favor, se quiser, gostaria muito de tomar um cafe contigo e fumarmos um lonnnnnnngo cigarro ; mesmo que imaginário rsrsrsrs . Te amo! Lili

  8. Oi Jean-Claude.

    Ligia me contou.

    Ha anos eu acompanhei parecida decisão de um amigo em Zurique: ele me ensinou, na pratica, como estar vivos de verdade significa determinar como e quando morrer. Voce continua comprindo sua missão de intelectual e educador.
    Um forte abraço.

  9. Jean-Claude, não sei se os professores sabem exatamente a importância que têm para os alunos. Mas certamente eu não seria um roteirista se não tivesse sido seu aluno. Um abraço.

  10. Meu caro Mestre, eu em muito me beneficiei dos sábios ensinamentos e conclusões aprofundadas contidas em seus escritos. Você não é, pelo que sei, brasileiro de nascença, mas o é, queira ou não queira, até muito mais que muita gente fina por aí, graças a uma intensa convivência com o nosso cinema pela maior parte de sua vida. Que é tão finita como a de todos nós (bem, não vou falar de Existencialismo para um ex-francês dos anos 40…).Quero somente agradecer por tantas visões que estes escritos me proporcionaram em diversas ocasiões e constatar que você é um imortal, de uma maneira ou de outra, na história de nosso belíssimo Cinema que foi aos poucos, sabe deus como,e apesar da Columbia Pictures, se consolidando pela ação de seus inúmeros adeptos e seguidores iluminados. Como você. Agora, esta carapaça, essa ossatura, este organismo falíveis e precários que todos nós possuímos, isto tudo é secundário. O que importa é a dedicação e a competência que demonstramos em nossas ações e atitudes durante a vida, no trato das coisas que amamos.’Tis a story told by an idiot, full of Sound and Fury, signifying Nothing. À bientôt.

  11. Há muitos anos, quando eu cursava Jornalismo na Metodista em São Bernardo do Campo, nosso professor de cinema te convidou pra vir nos dar uma palestra – que não aconteceu, por simples falta de interesse da maioria da turma. Em compensação, eu, o professor e mais uns quatro colegas arranjamos as cadeiras numa rodinha e nos deleitamos num estimulante bate-papo com você sobre cinema – sobre o prazer de ver filmes e pensar neles. É uma das melhores lembranças que me ficaram daquele tempo. Obrigado. Agora, um pouco menos velho do que você, tudo que eu quero da vida é ter a mesma coragem de olhá-la nos olhos como você olha.

  12. Prezado Jean-Claude,
    Tomei conhecimento da situação de tua saúde pelo blog Outras Palavras. Não pairam dúvidas de que seja um momento doloroso, mas a vida não se resume à matéria, pois há o espírito, este imortal, que após cumprida a sua tarefa nesta vida retorna à Pátria Espiritual, de onde todos nós proviemos e para onde um dia retornaremos.
    Amo os tratamentos alternativos à base de medicamentos fitoterápicos e homeopáticos, em vez dos químicos.
    Não percas a esperança, é o que almejo. Continue a lutar por tua saúde.
    E que Jesus, nosso Divino Mestre, Modelo e Guia, te ampare e ilumine a caminhada.
    Acolha meu fraternal abraço.

  13. Meu querido Jean Claude, sempre admirei tua coragem e agora mais ainda. Obrigada por ser meu amigo, me sinto privilegiada.
    Um abraço carinhoso.
    Dora

  14. Querido Jean-Claude.
    No afã por mais quantidade de dias de vida, a Medicina frequentemente esquece de levar em consideração a qualidade das horas, minutos e segundos vividos. A Morte um dia virá, para todos nós. Que nossos últimos instantes possam ser vividos plenamente – e viver plenamente significa ser senhor de sua própria existência (até o último instante). Acaso advenha o sofrimento, que dele possamos dizer “É meu!”. Nisto consiste a dignidade do derradeiro momento: a ele entregar-se como derradeira manifestação de Liberdade e Autonomia. Beijo, Amigo!

  15. Pingback: Bernardet: “Tirei o corpo fora” – IMPRENSA LIVRE

  16. Parabéns e força. Mas saiba que pode melhorar os sintomas com magnetoterapia. Procura o Júlio: 41-988400034. Se surpreenderá. Felicidades.

  17. Perfeito! Assisti se programa com Mário Conti!! Me preocupa também o fato de médicos tratarem “doenças”, e Nao indivíduos singulares com histórias singulares! Há que haver o direito do paciente ser muito bem informado sobre os riscos de cada tratamento, e os pacientes têm que ter o direto de fazer suas opções!

  18. Jean-Claude querido
    Vi sua entrevista hoje … fiquei profundamente comovida… Você é lindo, uma pessoa de uma coragem única…. Minha admiração por você cresceu… Conte comigo. Sua rebeldia é a nossa. Sinto-me plenamente representada. Seu ato, como você disse, é antes de mais nada, político. Minha imensa gratidão. Meu carinho de sempre.

  19. Prezado Jean-Claude,

    Que sua mente continue muito forte e vibrante, para manter sua capacidade intelectual, esperança e bem estar. Que sua escolha seja iluminada, porque espero vê-lo bem em outra entrevista (na Globo News), em 2020. Um abraço. Obs: esse abraço é extensivo aos familiares que estão ao seu lado.

  20. “”Jean-Claude, vi sua entrevista com o Conti e admiro sua atitude. Eu também vivo uma situação semelhante à sua pois também tive uma recaída após 4 anos de prostatectomia radical e decidi não seguir o “protocolo” oferecido pela medicina ocidental. Resolvi tentar um caminho sugerido por um praticante de Mindfulness (um tipo de meditação nascido em Massachussets USA), no início de 2015. No final daquele ano meu PSA parou de subir e até hoje continua estabilizado. Ou seja meu cancer parou de crescer. A receita é: Prática do Mindfulness e dieta vegana. Durante este período tive momentos de picos de PSA mas foram seguidos de volta à estabilização. Estou à sua disposição para dar detalhes e desejo a você sucesso. Obrigado por trazer ao público um caminho alternativo para nossa saúde.””

  21. Jean Claude, acabei de ver tua entrevista no programa Diálogo. Revi a história do meu pai, também tragado pelo insensível sistema médico. Foi preciso muita coragem para dar um basta e interromper o terrível tratamento que envolvia radioterapia, quimioterapia e outras intervenções. Ele voltou para o conforte da sua casa e continuou vivendo ao lado de minha mãe. Quando as dores vieram foram amenizadas como foi possível. Partiu quando tinha de partir, em paz. Obrigada por ser a nossa voz!

  22. Decisao inteligente. Existe uma industria do cancer e pouca informaçao sb o cancer de prostata. O Dr Lair Ribeiro esta tentando abrir nossos olhos. Segundo ele td homen vai ter esse cancer apos os 90, mas pode nao desenvolver tumor, ele pode levar 30 anos para ter alguma complicaçao, por isso nao existe essa urgencia de fazer quimioterapia, existe outras alternativas

  23. assistindo sua entrevista sou solidário à sua decisão …
    médico de protocolo …
    … “afinal … é meu médico ou médico da minha doença ?!?”

  24. Acabo de ver sua entrevista na globonews.
    Vi ali descrito por um paciente toda minha defesa de mestrado sobre a importância do papel central do paciente em sua decisão em saúde! e principalmente, NAO ESCOLHER tratamento também é uma opção!
    Alguns países, em alguns centros de tratamento, já realizam este delineamento colocando o paciente com TODAS as informações necessárias para sua decisão.
    Obrigada por compartilhar com o publico sua decisão e como será importante para minhas aulas e explanacões futuras para profissionais de saúde entenderem que os valores de cada pessoa devem ser considerados nas decisões em saúde.

  25. Assisti sua entrevista na Globo News e essencialmente concordo com seus argumentos. É preciso coragem para tomar a decisão de interromper o tratamento. Mas também é necessário denunciar o sistema liderado pelos grandes laboratórios de medicamentos. Há dez anos fui diagnosticado com câncer (linfoma) e durante o tratamento pude perceber como é maldoso ele. O paciente é coisificado, não tem sua dignidade minimamente respeitada e muto menos tem acesso a informações adequadas. Por isso me identifiquei com suas palavras e as aplaudo de pé. Veja um artigo que escrevi sobre esse tema: http://jorgeemicles.blogspot.com/2013/04/sobremedicos-e-monstros-causouespanto-o.html#links
    Também escrevi um livro contando essa e outras histórias relacionadas, chamado Conversas Com a Morte (Chiado Editora, 2014)

  26. Jean Claude,

    Sua atitude posiciona o sujeito no centro do cuidado. Tenho dedicado meus estudos para defender exatamente essa posição. Trabalho com pessoas que vivem com HIV e tenho tentado tensionar isso no espaço hospitalar de cuidado e essa não é uma tarefa fácil, pois lidamos com o biopoder constantemente.

    Parabéns pelo seu pensamento e atitude!

  27. Olha meu caro Jean. Vi sua entrevista ao Mário Conti e achei o máximo. Sou adepto de outras medicinas, como a Integrativa, regenerativa e etc.
    Tem muitas alternativas a esta MERDICINA que aí está. Vc já conhece o MMS? Prata Coloidal,? Azul de metileno?
    É possível eliminar isso de forma segura e passando longe desta Medicina

  28. Sempre pensei em ter uma decisão como a sua, sendo apenas alguns anos mais jovem que você. Não sei se terei a mesma coragem. Mas a sua decisão irá fortalecer a minha se algo acontecer comigo. Viver por mais tempo, depois de tudo realizado, só vale a pena com qualidade de vida. Parabéns pela sua decisão perfeitamente racional.

  29. Acabo de ver a reprise de sua entrevista na Globonews e, confesso que não o conhecia, mas sua lucidez me tocou profundamente. Sou médica e meu desafio diário é ajudar meus pacientes a sairem do modelo de pensamento médico tradicional e se conectarem com a saúde, não com a doença. O organismo humano surgiu no planeta e sobrevive até hoje, por sua imensa capacidade de auto-regulação e regeneração. Seu discurso é de conexão com a vida e com a saúde, e por isso, acho que vc encontraria boa interlocução, cuidado e bem estar na prática como paciente da Medicina Funcional Biológica com sua diagnose e terapêutica diferenciadas, que têm como base a saúde e a vida. Fica aqui a sugestão. Saúde!

  30. Jean-Claude: Soube de sua existência pelos artigos provocativos no jornal Opinião. Mais tarde, em 1968, achei heroica sua atitude de dar aulas ao ar livre, desafiando a ditadura, quando da ocupação do Pavilhão B9 da ECA pelos estudantes. Nunca me cansei de ler seus artigos. Em princípios dos anos 80, num encontro da Intercom, você veio me cumprimentar por uma fala que fiz naquele evento. Mas a coisa não se estendeu. Você não se lembra, certamente, mas cheguei a visitá-lo em seu apartamento na Lorena, para conversar sobre um artigo seu no caderno Mais!, da Folha. Hoje, afastado da ECA e dos debates universitários, só posso lamentar sua ausência. Afinal, nos anos 80, Teixeira, Ismail, você e eu éramos continuamente estimulados por Edvaldo Pessoa, o secretário acadêmico, para avançarmos na carreira, pois os burocratas da Academia não nos deixariam passar. E passamos.
    Hoje você retorna e com essa coragem civil de questionar a impessoalidade médica e a forma como eles veem o tratamento e os pacientes. Isso vale muito e todos que dão valor à vida e ao respeito humano sabem do que você está falando. Parabéns. Estamos com você. Vida longa!

  31. Cara, eu não sabia de nada disto. Estava aqui em casa, sexta começo de noite, sabe? Ouvindo um piano jazz e lendo a Revista Piauí. E, de repente, leio seu depoimento – O corpo crítico – que me remeteu para este seu blog, que eu também não conhecia. Vamos lá.
    Duas coisas: 1. Impressiona como as relações entre os indivíduos estão coisificadas. No plano da saúde , elas estão cada vez mais contratualizadas, estabelecidas como relações de consumo, planificadas. Nada mais lógico, portanto, do que sermos vistos como o objeto da prestação de serviços, não é mesmo? A dimensão do outro se perde ja na formação do profissional da medicina.
    O mais incrível é a informação de que o CRM orienta os profissionais e os estabelecimentos a não seguirem os testamentos vitais, colocando-os como senhores sobre os corpos que não lhes pertecem.
    Seu depoimento me emocionou e me fez lembrar a decisão de meu pai em 2008, em um cancer de pulmão com metástase, e que permitiu a ele ser o protagonista de suas decisões ate sua partida em 2010.
    2. Quebrar o ciclo das verdades absolutas que, aparentemente, a certeza dos exames de imagens parece trazer, pelo conforto e amparo das relações humanas. Esta uma importante contribuição que seu depoimento e sua trajetória inspiram. Alimentar o ciclo lucrativo das empresas da saude, alem de cruel com o sujeito da doença, pode ser até mesmo perigoso. O medico Michael Greber chega a afirmar no seu livro “ How not to Die – Cookbook” – que um CT Scan pedido desnecessariamente ou apenas para seguir o protocolo, sua aplicação pode equivaler a fumar 700 cigarros. Aqui entre nós, eu prefiro a segunda opção…

  32. Jean-Claude, adoraria conhecê-lo pessoalmente, conversar contigo nem que fosse um pouquinho só… enfim, na impossibilidade, tomo as palavras de Lima Barreto para homenageá-lo:

    “É raro encontrar homens assim, mas os há e, quando se os encontra, mesmo tocados de um grão de loucura, a gente sente mais simpatia pela nossa espécie, mais orgulho de ser homem e mais esperança na felicidade da raça.”

    Forte abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *